sexta-feira, 9 de abril de 2010

Chuva e solidariedade

Passados os primeiros momentos de nervosismo e caos (deixo bem claro, que MEUS momentos de nervosismo e caos, para milhares de pessoas estes momentos não acabaram), tenho que deixar aqui o registro dos últimos fatos de abril.

Não irei falar das mortes, das dores, das perdas e calamidades em decorrência das chuvas, se quiser saber mais sobre isso, basta assistir o Jornal Nacional e você será bem servido.Quero falar da solidariedade, da compaixão, da verdadeira caridade.

Se eu detalhar o que passei, junto com a Verinha, e comparar aos tantos relatos de sofrimento dos outros, ficarei envergonhada (diante da desgraça alheia sou incapaz de dizer que tenho problemas ou que sofri alguma coisa!). Mas para duas pessoas que viram o carro encher de água e quase ser arrastado pela correnteza de um valão (rio?), encontrar pessoas que nos ajudassem foi sem igual. Primeiramente, os dois homens que tão prontamente nos ajudaram a retirar o carro da água antes que afundasse por completo (caros anônimos, meus eternos agradecimentos!), e logo depois, ao anjo de nome Cleise. Uma mulher que abriu as portas de sua casa para duas desconhecidas encharcadas, com frio e sem ter como voltar para casa ou ir para o trabalho. Ela nos abrigou, fez um café M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O (na verdade o Paulo, seu marido, rs*), nos deixou completamente à vontade e mostrou que ser caridoso e solidário não exige dinheiro, e sim boa vontade! Ela poderia simplesmente ter nos deixado ali paradas juntamente com tantas pessoas, mas pensou “se fossem minhas filhas, eu gostaria que alguém fizesse isso por elas”, e então ela fez por nós.

Pequena observação sobre as meninas: três princesas, lindas e simpáticas. A Vitória adora ler e logo rolou uma identificação entre nós; a Aninha super simpática, falante, carinhosa, esperta e me fez ter uma idéia de como a minha filha (imaginária) pode ser; e a Bruna, tímida, observadora, muito agradável e educada! Três verdadeiras jóias...

A simplicidade e a bondade da Cleise me encantaram. Seu pensamento todo o tempo nas pessoas que estavam necessitando de ajuda, nos amigos em áreas de risco, nos familiares... Era algo que transbordava através de lágrimas e orações constantes. Neste dia 06 de abril eu tive a chance de conhecer um ser humano altruísta de verdade, alguém que sentiu a dor de ver móveis sendo arrastados pela água, pois não via o valor das coisas, mas sim o sentimento de quem havia tido sua vida devastada (ou perdida) pelas águas.

Posso dizer que em meio a esse turbilhão de coisas ruins, e aconteceu algo de bom: conheci a Cleise e sua família! Espero um dia poder retribuir (ainda que não seja para ela) todo o bem que recebi naquelas horas!

09/04/10

Um comentário:

  1. O ser humano é algo realmente indescritível, nós nunca vamos saber de que forma cada um vai reagir a cada situação. Existem pessoas impassíveis distantes com isso, por não partilhar desta mesma realidade, outros tão imersos em sua humanidade e na parte que nos coube Deus de sermos sua própria imagem, são solidários. Tendo paz com todos e amor o primeiro mandamento com promessa. Essa parte de nós que Deus se alegra em ver. Essa, não se divulga na tv, não vende jornais, mas salva almas, vidas e aquece corações. Somos embaixadores de Cristo nesta terra portanto tenhamos esse mesmo sentimento de Cleise e sua família. Façamos a diferença, ela deve começar em nós.

    Deus os abençoe

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