Sobre o que somos e partidas


Para ler ao som de Fera Ferida - Maria Bethânia

Nunca temi o fato de a nossa história chegar ao fim. Tudo perece e nossa relação também tinha prazo de validade. Não me surpreendi com o afastamento e tantos silêncios, mas me magoou a forma como certas coisas aconteceram. De uma história tão linda, fomos resumidos a ligações não atendidas e duas letras em comum. Eis que o dia que jamais imaginei viver chegou – o dia em que o coração não ficaria acelerado, em que a página foi realmente virada e músicas deixaram de me fazer chorar. Parou de doer. Deixou de
fazer sentido esperar pelo que nunca virá. Nasceu a urgência da mudança. Mais profunda que um corte de cabelo. Sai a amargura e chega a esperança. Digo adeus às frustrações para receber de braços abertos um futuro todo meu. Se me arrependo? Nem por um único momento. Jamais duvidei da intensidade do que tínhamos, mas é isso: tínhamos. Nunca fomos. Ser é diferente de ter. E tivemos a intensidade, a paixão, a beleza. Mas éramos diferentes. Somos diferentes. Sou mais que expectativas e um café. Você é mais que complicações e um par de tênis corrida. Somos mais, mas somos caminhos diferentes. Temos um passado lindo, repleto de afagos e uma saudade muito própria, mas seguir em frente é preciso. Ir à diante. Construir novas histórias. Viver outros sorrisos. Simplesmente viver.

Metades e saudades

adriana calcanhoto - metade by Adriana Calcanhotto on Grooveshark



“A consequência de se ter uma vida maravilhosa é conviver com a vontade de que todas as fortunas recebidas e presenciadas se repitam diariamente. Viajar, beijar, beber, amar, fotografar, sorrir… Todos os verbos se convertem no permanente desejo de viver tudo aquilo de novo. E de novo. E mais uma vez. E voltar. Pra lá, onde eu brilhava. Pra ele, que eu amava.

Às vezes euforia, às vezes melancolia. As experiências pelas quais passamos provocam um misto de sentimentos, e eu decidi que mesmo a passageira tristeza, que por vezes eles nos causam, não devem carregar conotação negativa. Aperto no peito é abraço da alma. Lágrimas no rosto são água benta para o que ainda está por vir. Porque eu sou dessas que sabe que ainda tem muito pra ver e viver, mas que até do que eu ainda não conheci eu já sinto falta.

Talvez meu coração precise das lembranças para poder pulsar. Pode ser que eu precise das lembranças para continuar vivendo, e eu necessariamente preciso viver, com força, para que as lembranças continuem sendo construídas. É um ciclo natural e bonito.

Eu achava que a culpa era do travesseiro. Que ele tinha algum tipo de magia que, quando minha cabeça encostava nele, acionava automaticamente o mecanismo da nostalgia. Descobri que tenho vocação permanente para ser moradia da saudade, e que não importa o quanto eu viva cada dia intensamente, eu sempre vou querer voltar atrás para um ou outro momento que me arrancou o fôlego.
Ah… Que saudade de você…”



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Texto de Bianca Ferreira que traduz fielmente 
como  a saudade anda morando aqui nesse peito.
E.s.
 
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