segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Botões imaginários

Estava eu aqui elocubrando com meus botões imaginários, e decidi aceitar a sugestão da minha amiga consciência e ficar off esta semana. Tem muita coisa séria (e nem tão bonita assim) acontecendo e eu preciso manter o foco. Na verdade preciso confiar que o Senhor tem um plano em meio a estes  acontecimentos. Confiar é muito mais do que crer, e é exatamente o que eu preciso neste momento: confiar!

Até o fim de semana esta escritora em construção deixa a caneta o teclado de lado para se concentrar em coisas que ainda não entende bem.

Como diria minha amiga Raquel:
Beijomeliga

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sem título mas com moral

Arnaldo e Lucrécia foram meus vizinhos durante o período que morei em Irajá. Lucrécia, uma argentina de pele morena e fisionomia comum, antipática e talvez um pouco mal humorada. Arnaldo, bem mais jovem que ela, talvez não tivesse nem 25 quando os conheci. Ele parecia um verdadeiro go go boy, enquanto ela ... bem, ela parecia uma mulher de 40 com muita sorte.
Era verão de 2008 e eu acordava sempre muito cedo, odiava conflitos por conta de fila para usar o banheiro. Sempre que saia do banho ficava na varanda do meu quarto lendo jornal, esperando que as meninas terminassem de se aprontar. Aproveitava e observava a rotina do casal que morava em frente ao meu sobrado. Todos os dias, Lucrécia retirava o jornal que pouco tempo antes o entregador havia arremessado em sua porta. Sempre impecável, parecia já acordar no salto e maquiada. Cerca de 20 minutos depois, imagino que tempo suficiente para tomar café e correr os olhos no jornal, ela saia novamente, desta vez acompanhada por Arnaldo que a levava até o portão e lhe beijava. Todos os dias sussurrava algo em seu ouvido, algo que fazia a mal humorada sorrir. Era a única hora que via Lucrécia sorrindo. Ela saia para trabalhar e ele voltava para casa. Nem no dia em que nos encontramos na fila do Prezunic, ela sorriu. Realmente a única hora em que eu via um esforço de simpatia por parte dela, era quando Arnaldo se despedia dela sussurrando algo em seu ouvido.
Lembro de uma noite que faltou energia em todo o bairro e todos os moradores da rua foram para suas varandas. O Luis Carlos ficou na garagem, com sua cadeirinha de praia, bebendo sua latinha de guaraná Antártica quando eles chegaram de carro. Arnaldo parou perto de nosso portão, todo simpático querendo saber se já haviam chamado a Light, se alguém sabia o motivo do apagão e blá blá blá. A mulher saiu do carro, cumprimentou o Luis com um “boa noite” mais seco que o do William Bonner, e entrou em casa. Muitas horas depois e ainda sem energia, nós estávamos na garagem, cogitando a possibilidade de dormir por ali mesmo, já que o calor na casa era insuportável, quando escutamos barulhos típicos de um casal em seu momento íntimo (nossa, como eu tive que escolher bem estas palavras...rs*). Pouco, mentira, foi muuuuiiito  tempo depois, começaram as risadas. Como aquela mulher ria alto!! Tão alto quanto gemia. A surpresa não foram os ruídos deles juntos, e sim as gargalhadas da mulher. Ninguém conseguia imaginar a cena dela sorrindo. Gargalhar em voz alta, então...
Fiquei uns dias sem ver o casal, tirei uns dias de folga em minha casa em São Gonçalo e quando retornei a minha rotina em Irajá, lembro que já não tinha mais a mesma impressão de antes sobre aquela mulher. Não voltamos a nos encontrar no supermercado, na verdade, semanas depois fui transferida para Nova Iguaçu e nunca mais voltei a vê-los, mas guardo até hoje a conclusão que cheguei sobre Lucrécia. Por que ela deveria sorrir para todo mundo, quando a maioria perguntava “o que será que ele viu nela”? Depois da noite das risadas em voz alta, eu entendia que seria mais seguro para ela ficar com cara de pitbull com fome e ninguém se aproximar deles, do que ela mostrar um sorriso pendurado de orelha a orelha divulgando que na casa dela, há fartura de alegria. Muitas mulheres poderiam querer experimentar o tempero da refeição ...
Qual é a moral desta história? Só faz propaganda quem quer anunciar a mercadoria, para venda ou serviço. Se você não está dispondo do seu produto, então é melhor não fazer comercial. Em alguns momentos a propaganda não é a alma do negócio, e sim, o sigilo!
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Obs.: Eu tenho problemas sérios para arrumar títulos para os meus textos, o Jonas é quem mais sofre com isso, pois sempre mando os textos da revista para diagramação sem eles. Amigo Jonas, juro que não é maldade, é bloqueio mesmo,rs*.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vida parcelada

Esta semana foi imensamente corrida no trabalho e minha vida pessoal virou de ponta cabeça. Coisas que até dias atrás mereciam total dedicação, de repente tornaram-se secundárias. Meu foco mudou e fez com que acreditasse, com mais força do que nunca, que a vida não dá segunda chance pra ninguém, que não existe CTL Z na vida real que desfaça erros e corrija as más escolhas do caminho. Nós não temos contador. Não sabemos quando a vida irá terminar e agimos como se fossemos durar para sempre. Deixamos reconciliações para depois, achando que sempre teremos um “depois”. Adiamos oportunidades para amar, dançar na chuva, caminhar na praia, rir com um amigo, ir ao cinema, viver.
Já faz muito, muito tempo, eu assisti um documentário sobre o Vinicius de Moraes, e me lembro de alguém (quem?) dizer não ser capaz de imaginá-lo vivendo em nossa sociedade atual. Ele era poeta, ingênuo, cheio de bossa e ternura em sua alma, e a sociedade atual cheia de imperativos: compre, faça, tenha, corra, não combina com ele. Daí eu me pergunto: como é que a gente consegue viver dessa forma? Como a gente aceita que sujeitos indeterminados, determinem o que a gente deve ou não fazer? Como a gente aceita passar mais tempo fora de casa, ganhando dinheiro para manter o padrão de vida que nunca consegue desfrutar?Lembro de quando comprei minha geladeira. Foram 24 parcelas. Uma eternidade. Quando terminei o carnê, tive vontade de dar uma festa para comemorar minha conquista. Quando você compra algo parcelado, quer ter a chance de terminar de pagar e curtir a sensação de “enfim, é meu.” O que você andou comprando? Paixões, amores, casamentos, promessas, filhos, carreiras, estudos...? O que parcelou achando que teria tempo suficiente para comprar/pagar/curtir? Chega de deixar pra depois, chega de achar que vai sempre haver depois. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.” O contador não está a meu favor, não está a favor de ninguém.

A pauta do dia é ser feliz vivendo sem reservas, consciente de que tudo quanto fizer ou não, dará conta um dia. Quando não estiver mais aqui, não quero deixar um testamento com impostos. Quero que as pessoas falem sobre o quanto fui intensa, verdadeira, amei, sorri, brinquei, escrevi, dancei, chorei, enfim, V-I-V-I, este é meu patrimônio, minha vida. Não dá pra continuar deixando tudo para mais tarde, a vida é agora e não espera por ninguém!


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domingo, 23 de janeiro de 2011

Sobre amar ao Senhor




Pouco antes do meu aniversário eu iniciei um questionamento sério a respeito do amor que eu sinto pelo SENHOR. Apesar de enxergá-lo como Pai, como amigo, e não como um carrasco domador de leões, comecei a me questionar se eu O estava servindo por interesses próprios, por amor ou por medo do inferno. Parece algo absurdo, né? Como ousaria não amar a Deus depois de tudo o que aprendi sobre Ele? Pior: como não amá-lO depois de tudo que ELE fez por mim?
Sei que muitos (muitos M-E-S-M-O) que hoje lotam as igrejas e pregam um evangelho tão barato quanto uma prostituta na Praça Mauá, precisam de um questionamento como este, desde seja honesto. Mas como já foi dito certa vez, “ser honesto consigo mesmo é algo perigosíssimo” e quem teria coragem de admitir, ainda que seja pra si, que não sabe se ama ou não ao Senhor?

Entender o amor, aquele que vem dEle e volta pra Ele, aquele que sentimos por quem É o amor, não é simples. Seria mais fácil admitir que sinto medo de passar a eternidade sofrendo as conseqüências de não ter nutrido tal sentimento. Na última sexta-feira, li a seguinte num texto em que o autor também se questiona sobre o assunto: “... Talvez essa seja justamente minha estranha forma de amar a Deus: tateando na escuridão, procurando sinais de rosto oculto na tela confusa do cotidiano. Talvez isso seja amar...” (Alan Brizotti, para o Genizah)

Cheguei à conclusão que posso não descrever exatamente o que sinto, mas sei que é o que reconheço como mais próximo do amor, do amor completamente realista e sem interesse, enxergo minha total dependência dEle. É isso que me faz desejar obedecê-lO, ainda que me sinta contrariada, ainda que não entenda Seus planos para minha vida, e principalmente: ainda que não mereça Seu amor.
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Fotografia de Antonio Ysursa
Ao som de uma canção que vale a pena:
Anthony Evans, "The way that you love me"

O 1º sorteio a gente nunca esquece!

Desde o aniversário do blog eu estava pensando em fazer um sorteio, mas queria mudar o layout do blog primeiro. Eu sei que não tem nem quatro meses que eu havia alterado o layout, mas é que o blog já estava com aquela cara de caderno do semestre passado, sabe? E para comemorar esse caderno de rascunhos novinho em folha, vou sortear o livro “Hoje é o dia¹”, de Jim Stovall (achou que seria um CD da Suzana Vieira? Eu tenho dó, rs*).
Para participar é simples, é só recitar o poema de Manoel Bandeira “Vou-me embora pra Pasárgada” enquanto desce o Rio Selvagem no Walter Planet. Brincadeirinha! Basta ser leitor-seguidor do blog e comentar este post que estará concorrendo. Para quem mora fora do Brasil, resta a possibilidade de enviar para algum endereço brasuca (Adriana, ainda há uma esperança, rs*). O sorteio será dia 12/02.
Chances extras:
  • Ter comentários em outros posts (anteriores ou subsequentes, até a data do sorteio)
  • Divulgar o sorteio em seu blog (terá que informar o link no comentário)


Boa sorte a todos!
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1 - Sobre o livro: Jim Stovall compartilha sua experiencia em superar a cegueira e tornar-se um dos empresários americanos mais talentosos e bem sucedidos da atualidade. Motivacional, 192 páginas.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sobre o que eu queria escrever ...

Todo mundo que gosta de escrever sabe: tem épocas em que simplesmente não sai nada que preste. Estou repleta de assuntos para compartilhar, mas a folha continua em branco, apesar da mente estar fervilhando de ideias.

Queria falar sobre a reciprocidade do amor. Sim, porque esta semana eu li no perfil do Facebook de uma amiga: Amar é bom, mas amar e ser amada é a melhor coisa do mundo. A reciprocidade me escolheu." E tive vontade de falar sobre o assunto. Falar como buscamos incessantemente o amor do outro e muitas vezes esquecemos de nos amar primeiro. Falar que às vezes o amor do outro chega tarde demais, quando já não amamos com a mesma confiança e inocência de antes.

Também quis falar sobre a enorme dificuldade que nós possuímos em distinguir um teste de perseverança de uma segunda chance. O sentimento muita das vezes atrapalha na hora de entender quando uma determinada coisa não irá funcionar, que não importa o quanto tente, o quanto queira, a coisa está inevitavelmente fadada ao fracasso.

Hoje quis falar sobre saudade que aperta o peito e deixa gosto de guarda-chuva (tudo junto ou separado? Maldito acordo ortográfico!) na boca, mas não encontrei palavras no meu vocabulário limitado para descrever como estava doendo o coração.

Tive vontade de falar do lindo presente que ganhei da amiga que mora logo ali em Maringá (rs*), mas as palavras não foram suficientemente gentis para demonstrar a alegria que senti ao perceber que fui lembrada.

Enfim, eu quis falar tantas coisas, mas simplesmente não consegui.
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Num momento totalmente Milk Shake carente do Bob's, ao som de

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

:: Obrigada ::



Para quem ligou, deixou mensagens no Twitter, Facebook, Orkut, mandou e-mail, SMS, apareceu por aqui, participou da festa surpresa organizada pelo pessoal do trabalho, eu agradeço de coração! Adorei fazer aniversário, principalmente porque desta vez, eu não fiquei mais velha, rs*.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Parabéns




Mando um salve a Ana, Ana Banana, Ana Bacana

A nossa Ana, na nossa vida, todo dia, Ana bonita, Ana por quem agente briga #sopraquementende. Ana sorria, sorria porque Deus te fez rica, rica de amigos. Já que a grana é curta o abraço aqui é farto. Acredite estamos todos aqui. Sorria, que de sorrisos como seu foi feito o dia. Nestes dias de sol onde abrem-se e giram seus tão belos girassóis, mesmo naqueles dias em que se sente uma tiririca do brejo ou uma margaridinha murcha, mesmo assim o sol gira e você gira com ele. Ana amiga, de todas as horas e a qualquer tempo. Ana mãezona pra dar bronca em amigos e amigas mau comportados. Ana menina, aquela que brinca ri de qualquer palhaçada, que inventa piadas, pula na poça d'água e dança na chuva em preto e branco com Gene Kelly. Ana que chora junto com nosso dedo machucado ou com a dor inconfortável. Ana Austen? Sim. A escritora de sonhos seus, meus e a quem interessar possa: escritoraemconstrução.blogspot.com.
Um brinde a nossa Ana, sempre nossa, sempre Bela. Simplesmente Ana, simplesmente Ela!

Meus parabéns!!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sobre permissividade e tragédias

Esta semana o mundo que conhecemos está em depressão por conta dos mortos que contabilizamos a cada hora. A região serrana aqui do Rio virou motivo de nossas orações e foco de todos os veículos de mídia existente. Infelizmente, o número oficial de mortos é bem menor do que o número real. Quem conhece ou mora na região, sabe que o número REAL é, seguramente, muito maior.
Ouvimos políticos prometerem apoio às famílias e decretarem luto oficial aqui ou acolá. Encaramos os olhares perplexos de anônimos diante das bancas de jornal. Todos a nossa volta experimentam certo grau de comoção. Vemos a solidariedade de muitos tentando diminuir a dor de milhares. Lugares que antes possuíam CEP e flores na janela, hoje estão cobertas de lama e sinalizam o ponto final de muitas vidas.
Lamentavelmente esta não foi a primeira vez que enterramos nossos irmãos por ignorar o que era óbvio. Sim, óbvio e prenunciado. Em 2008 o nosso Excelentíssimo Sr. Governador Sérgio Cabral foi alertado sobre a possibilidade de grande desastre nestas áreas. O mesmo governador declarou essa semana que "a hora é de arregaçar as mangas e ajudar a essas famílias. É máquina, bombeiros trabalhando. Sempre tem a hora de fazer avaliação. Tem que se fazer uma autocrítica, por que se permitiu fazer tudo isso. Mas agora é resgatar corpos e ajudar famílias desabrigadas. Não vamos perder tempo nesse momento.” Conveniente demais, não?  O Sec. de Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que realmente o relatório foi feito, mas faltou "apenas" retirar os moradores das áreas de risco. Mas por que retirá-los, Sr. Secretário? Se eles estão em áreas de risco é porque querem, gostam de brincar de ‘será que hoje a casa cai ou não cai?' não é?
Foi impossível conter as lágrimas ao ver um velório coletivo acontecendo num galpão de Friburgo, enquanto covas eram abertas às pressas. A população comum se comove, sensibiliza, doa tudo o que tem e não discute o que poderia ter sido feito. O pior é saber que se nos calarmos, se apenas tamparmos o buraco da necessidade e não debatermos seriamente a ocupação em áreas de risco, mais enterros coletivos voltarão a acontecer daqui alguns meses.
 Não podemos parar a ação da natureza, mas podemos rever políticas públicas. Basta de tanta permissividade! Chega de políticos como Cabral e Minc ignorarem completamente a responsabilidade que possuem sobre vidas alheias.  As doações arrecadadas irão ajudar pessoas que hoje estão precisando de suprimentos emergenciais, mas cobrar deles uma legislação séria, eficaz e imediata sobre ocupações desordenadas, evitará que tragédias como esta voltem a acontecer.
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Citação do governador retirada de Exame.com ; Mais informações sobre relatório entregue ao Sec. de Meio Ambiente (Carlos Minc) disponível no Blog do Reinaldo Loureiro ; Imagens Yahoo Notícias.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

I'll Stand by you

Coração apertado, tão apertado que chega a doer e talvez eu só queira (ou precise, não sei bem a diferença neste momento) que seja de verdade.




quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A medida do meu coração

Leia ao som de R.E.M. | Everybody hurts

Muitas histórias de amor já foram escritas, e a minha poderia ser só mais uma. Muitos finais já foram escritos, o do meu amor por Eva não foi inédito, mas com certeza, foi o mais real que pude escrever.
O começo de nossa história não foi com nosso encontro, pelo contrário, foi com os desencontros que tivemos ao longo da vida. Quando Eva entrou em minha vida eu já tinha muito mais a contar do que apenas sonhos, tinha bagagem, passado. Estava saindo de um relacionamento turbulento, cheio de conflitos em que me acostumei com o lado possessivo e controlador de uma pessoa. Ela não acreditava mais no amor e eu não me lembrava que ele existia.  Era impressionante ver como alguém como ela dizia não acreditar no amor, logo ela, que era todo amor, a mais doce, encantadora e apaixonante mulher que eu poderia encontrar. As dores que ela havia enfrentado, rejeição, abandono, mentiras, e traições, fizeram com que simplesmente deixasse de acreditar no amor simples, puro, verdadeiro entre duas pessoas.

Sou médico e perdi as contas de quantos sábados passei de plantão na clínica. Nem sempre tinha movimento, afinal de contas, hospital de interior não pode ser comparado ao Salgado Filho. Para ocupar meu tempo, aproveitava os plantões mais calmos para responder aos e-mails enviados durante a semana. Max é um excelente ortopedista, e não perde a oportunidade de fazer piadas com o Flamengo, e havia mandado um email durante a semana para ridicularizar os flamenguistas pela derrota contra o Fluminense, para diversos contatos de sua lista. O que me surpreendeu não foi a implicância do Max comigo, já que sou flamenguista, me surpreendeu a única resposta feminina ao e-mail ter sido de Eva. Ela “gastou” os flamenguistas com sua resposta e me senti impelido a enviar um e-mail respondendo tais afrontas. Assim nos conhecemos. Eu achava que ela fingia entender de futebol e ela me taxava de flamenguista convencido. Depois de uma semana nossos e-mails deixaram de ser apenas sobre futebol, começamos a falar sobre músicas, e livros, sem nunca perguntar algo além do que era escrito na mensagem. Era como se tivéssemos criado um código tácito de preservação. No sábado seguinte, já em casa, enviei um e-mail falando sobre o livro que terminara de ler naquela semana. Menos de cinco minutos depois, recebi a resposta de Eva e resolvi arriscar ao enviar uma nova mensagem perguntando se ela gostaria de conversar comigo no MSN. Ela me adicionou e conversamos durante cinco horas seguidas. Nossa conversa era leve, divertida e eu tinha a impressão de já conhecê-la a vida inteira. Desliguei o computador naquela madrugada completamente apaixonado.
As semanas foram se passando e o fato de estarmos separados por centenas de quilômetros (eu em Campos/RJ; ela em Maringá/PR) não diminuía o que sentia. Conversávamos todos os dias, trocávamos mensagens telefônicas, e-mails, e juras de amor.  Éramos dois apaixonados, bobos, namorados que nunca se viram. . Falta de seu sorriso, de seu jeito espontâneo e livre de ser. Sentia falta do que poderia ser ao lado dela.  Certo dia lhe enviei flores e uma mensagem dizendo que sabia como é difícil entender, eu sinto falta sem ao menos conhecer seu cheiro, o sabor de seu beijo, o calor de suas mãos, mas naquele momento, entender era totalmente irrelevante, eu apenas sentia, e me apaixonava mais a cada ligação, a cada dia, e sentia falta de estar perto dela. Sabia que o que tínhamos era diferente, sabia que a amava. Eu não tinha coragem de perguntar ao Max o que ele achava dela, o que sabia de seu passado. Como explicar que estava mantendo contato com alguém que nunca vi e, que por coincidência, recebeu a mesma mensagem que eu? Soube por ela, tempos depois, que Max era amigo de infância de sua irmã, estudaram na mesma classe quando ele ainda morava no Paraná e retomaram contato através do Orkut.

Depois de seis meses de muita conversa, contas absurdas de telefone, e uma urgência terrível que eu sentia da pele daquela mulher, resolvi viajar para sua cidade. A ansiedade era tão grande que me sentia um menino, um adolescente que se apaixonou pela primeira vez. Desembarquei no aeroporto de Maringá com o coração na boca e milhares de dúvidas que me deixavam atordoado: “E se ela não vier? E se o encontro não for como imaginamos? E se...” Eram tantas dúvidas que começava a achar menos doloroso se ela não aparecesse para me encontrar.

Quando cheguei ao saguão, avistei uma mulher distraída olhando para o portão diferente do que desembarquei, vestindo uma camisa do Fluminense e segurando outra do Flamengo com certa timidez. Era ela. Quando seus olhos fitaram os meus, já estava perto o suficiente para perceber que ruborizou. Era Eva. Quis correr e beijá-la, saciar a minha sede dos lábios da mulher que me encantou, me enfeitiçou. O abraço veio primeiro. “A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro.” Perdi a noção do tempo enquanto estava abraçado a ela. Acariciar os cabelos ondulados e macios, sentir o cheiro da pele recém saída do banho, perceber o arrepio ao passar os dedos por sua nuca... Eram carinhos inéditos, ensaiados milhares de vezes por nós dois e a realidade era infinitamente melhor. Eva estava comigo e eu sentia sua pulsação, provei o gosto de seus lábios, e a ouvi sussurrar meu nome.

Foram dias inesquecíveis. Vê-la em família, conhecer seus amigos, andar de mãos dadas pela cidade e ver as estrelas deitados na grama do quintal era tão natural, ao mesmo tempo tão significativo que temíamos estar sonhando. O momento da despedida chegou e nunca havia experimentado um gosto tão amargo quando o de deixar Eva para trás. Queria viver para sempre ao seu lado, mas era preciso voltar para o Rio.
Era preciso retomar a vida e encontrar formas de trazer Eva para perto de mim. Os dias não eram fáceis, as noites ainda piores. Nada mais tinha tanta importância. Sonhava em construir nossas vidas juntos. Pela primeira vez na vida, me sentia amado, valorizado, importante para alguém. Eva mudou meus conceitos, me deu muito mais que a vontade de viver, me mostrou motivos para viver por e com ela. Eva me ensinou o que é amar por completo.

Nossa história poderia terminar ali, naquela frase e você pensaria que desci do avião e me atirei em seus braços, ou que ela pegou o vôo seguinte e vivemos felizes até hoje, mas a realidade não é tão bela quanto nos filmes de Hollywood. Se você está lendo este texto hoje é porque ainda tento, em vão, eu sei, a minha remição. Quando me vi tão envolvido, tão absorvido por Eva, temi. Fui um completo covarde. Deixei de atender suas ligações nem respondia suas mensagens. Tive medo. Muitos homens não admitiriam que sentem medo, mas eu admito: senti medo daquela ruivinha dominar meus passos. Tive medo de me tornar refém do amor de uma mulher. Depois de algum tempo ela deixou de ligar, não deixava mais mensagens, desistiu de mim.

Três ano se passaram e eu voltei a Maringá. Me enchi de coragem e decidi fazer de tudo para conquistar o perdão daquela que não consegui esquecer. Fui até a casa dela, sem flores nas mãos, pois não queria parecer piegas ou exagerado, ou ela poderia pensar que era pura falsidade. Eu pude avistá-la de longe no quintal, de vestido branco e cabelos na altura dos ombros. Estava sorrindo tanto que imaginei que pudesse estar sorrindo para mim. Enquanto caminhava para seu portão, vi que um homem a abraçou por trás e levou suas mãos em direção ao ventre dela. Congelei. Não conseguia dar um passo a frente. A cena que se seguiu ficou muito clara: Eva construiu a vida que sonhei ter com ela, ao lado de outra pessoa e eu nada poderia fazer. Tive vontade de morrer, me atirar da primeira ponte que visse pela frente, faltou ar nos pulmões e boca secou completamente.

Um dia desses tive coragem de perguntar ao Max sobre ela. Acabei contando tudo o que vivemos e descobri que ela sofreu muito por um homem misterioso, e que encontrou tranqüilidade e alegria ao lado de outra pessoa. Max mal acreditava que o tal homem misterioso era eu. Eu não acreditava que havia perdido a mulher de minha vida por medo. 

Talvez a cartase desse amor não seja a mais bela história de amor já escrita. Sei que existem “finais alternativos” no cinema, mas a vida real não admite ensaios. A vida real não permite erros tão tolos quanto o meu. Sofro todas as noites quando lembro seu sorriso, do calor de seu abraço, a forma como nos completávamos, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro. Sei que minha absolvição não virá através dos livros publicados, ou das cartas nunca enviadas para Eva, mas ao passar adiante, ao tornar pública a minha vergonha, tenho a sensação de aproximá-la de mim outra vez, sinto que poderia reescrever meus passos. Eva faz parte das minhas melhores lembranças.
Minha história poderia ser só mais uma história, dessas que você encontra em qualquer esquina, em 
qualquer cidade, mas a saudade e o arrependimento são hoje, a medida do meu coração.


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Texto vencedor da 63ª edição do OUAT e do Projeto texto do leitor


Só checando - Parte 2

Começou como algo natural, se não dava para conversar, para olhar nos olhos da outra e saber como as coisas estavam, era só ligar e falar “só checando”. Assim eu e a Lidi nos acostumamos a manter essa amizade, mesmo que em meio a prazos corridos, estresses e neuroses.
Não tem muito tempo, tive uma fase de pesadelos recorrentes e entrei numa de “e se eu sofrer um acidente realmente, quem vai contar no blog?” Na mesma hora pensei na Lidiane e criei um acesso a postagens dela ao blog. Não sofri acidente, mas quando engessei o braço por conta da tendinite, ela veio aqui e deu o recado, assim ninguém ficou achando que o blog foi abandonado.
Pois bem, ela me surpreendeu com a última postagem. Não me ligou pra saber que cor estava meu cabelo, ou se já tinha melhorado da dor de cabeça. Simplesmente escreveu um lindo texto, repleto de carinho.
Amo essa menina, e não é porque ela adora inventar penteados no meu cabelo, porque gostamos de  Buena Vista Social Clube, filmes em PB, jazz e salsamas porque Lidiane é poesia, graça, encantamento. É cor, protetor solar, música alta e filmes de madrugada. É horas de engarrafamento para fazer rir, é motivo de preocupação 'negrito, caixa alta, 72, vermelho com pisca-pisca' (#sóparaquementende). Ela não está a caminho, ela já chegou. Ela é, e sempre será meu contraponto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Só checando



Só checando vim dizer que te adoro.
Que adoro seu sorriso franco com todas as canjicas aparecendo, sua
gargalhada alta que pode ser constrangedora pra alguns, mas renova meu
dia como um riacho que corre no leito levando toda a sujeira largada
pelos insensíveis.
Só checando, que é pra ver seu cabelo loiro ou preto, ruivo ou castanho,
mudanças de mulher, mudanças constantes como ondas de lá pra cá todo dia
um pouco mais até se achar ou nunca se sossegar, pois na erosão dos
ventos é que crescemos e mudamos de vez, mudamos o tempo, mudamos por
dentro.
Só checando, esse girassol que brilha mesmo sem querer, mesmo de azul,
mesmo de preto constantemente básico, a luz do amarelo vem de dentro não
do encapamento.
Só checando, é um sorriso que produz nos meus lábios ao ouvir essas
palavras e me lembrar que sou lembrada e que do outro lado da ponte tem
alguém que pensa e acha que essa preta sem vergonha que eu sou, merece
sua atenção com um pouquinho dos seus raios de sol, minha não pequena,
mas totalmente miss sunshine!
Sempre checando estou contigo amiga linda, solzinho da minha vida, dos
meus dias nublados e ensolarados, sempre Aninha!

TE AMOOO

By Preta Arsenio
To Ana Santos

sábado, 8 de janeiro de 2011

Curtas


E aí que estou aqui na cozinha, sozinha, resistindo bravamente a uma caixa de bombons, com a tevê ligada na novela Passione. (Não assisto, só estou com preguiça de levantar e trocar de canal. JN acabou e eu preferi continuar por aqui.) Ainda agora a filha da Fernanda Montenegro (eu não sei o nome da personagem dela) disse que está indo para Paris esquecer as coisas que andou fazendo de errado e o amor da vida dela. Nessas horas eu penso como gostaria de ser uma personagem do Silvio de Abreu, rs*.
*****
Mega-sena acumulada em 8 milhões. Eu bem que poderia achar um bilhete premiado (e registrado), né? (Eu não jogo, people. Pra ganhar, teria que achar o bilhete) Assim não precisaria querer ser uma personagem do Silvio de Abreu para ir pra Paris.

Perdi você (e eu sinto tanto a sua falta)

“Olha você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim. A cabeça cheia de problemas, não importa, eu gosto mesmo assim.”

Querido,
O travesseiro continua sendo a medida da minha saudade e da minha raiva. Noites de pernas entrelaçadas e noites arremessando-o contra a parede. As noites são sempre mais difíceis sem você para me abraçar antes de dormir. Os dias se passam e eu ainda alimento esperanças de vê-lo novamente entrar por aquela porta. Enquanto espero, vou recordando quanto éramos felizes juntos. Ainda lembro aquela tarde em que recebemos um envelope com más notícias. Cheguei mais cedo do trabalho e você me esperava com olhar ansioso e braços prontos para consolar. Seu abraço me envolveu, me tranquilizou, me deu paz. Ali era o meu lugar favorito: seus braços. Entendeu quando quis chorar sozinha, mas não ficou distante. A tristeza me fez dormir e quando acordei você estava ao meu lado, mexendo em meus cabelos e repetindo, baixinho, que jamais me deixaria, pois adorava me ver dormindo. Foi o melhor, do pior momento: ouvir que estaríamos juntos para sempre.
2º lugar - 62ª Ed. Musical do OUAT
Fico pensando o que fez com que você decidisse quebrar esta promessa. Seria outra mulher? Uma aventura ou algo sério? Será que se cansou de nossa vida nada perfeita? As nossas brigas eram sempre tão intensas quanto às noites de amor. Como se fosse possível, me apaixonava um pouco mais sempre que tentava me impressionar cantando alguma canção do Roberto. Ainda que desafinado, sua voz era um estímulo para mim. Você dizia se sentir completo ao meu lado e eu acreditei que jamais iria embora. Prometeu nunca me magoar e o fez da pior maneira. Eu me sinto totalmente perdida, busco encontrar respostas que parecem não existir. Nossos sonhos, nossos planos, nosso futuro se perdeu. Se hoje me perguntassem quem sabe o que é ter e perder alguém? Eu saberia exatamente o que é, como se sente e como sofre quem teve e perdeu o amor de sua vida, eu só não saberia responder como se faz para viver depois disso.

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Texto para as edições musicais do  OUAT e  Eu escrevo bem

Aniversário do blog

Sem saber ao certo como seria, dois anos atrás me aventurei a criar um blog. Demorou algum tempo até que conseguisse me construir/encontrar aqui dentro.

Quando vejo o contador de pessoas que me acompanha, aumentar, me emociono. Aliás, me emociona ainda mais perceber o número de pessoas que acompanha o blog sem se registrar ou sem me conhecer.  Quando comecei a escrever não sabia se teria leitores ou não, se as pessoas se identificariam ou não com minha forma de escrever e perceber situações e as pessoas. Acho interessante quando alguém me conta sua história para que eu possa contá-la por aqui; quando alguém me liga e diz: “nossa, o seu texto diz exatamente o que eu queria dizer, mas não sabia como” (nem sempre meus amigos deixam comentários escritos, preferem ligar e verbalizar suas opiniões). O que importa é que vejo, gradativamente, pessoas chegando e contribuindo para que novos rascunhos apareçam.
São dois anos em que você, meu querido leitor, permite que eu me aproxime e conte uma história, um ponto de vista ou uma teoria nada revolucionária. São dois anos com muitas histórias, músicas, sorrisos, algumas lágrimas e uma vontade imensa de continuar escrevendo. São dois anos de um espaço que vai além da minha mesa, além da tela do note.
Obrigada a você que faz parte desta construção! Obrigada por dois anos de “Rascunhos de uma escritora em construção”!
Ps: Rosinei, obrigada pela indicação da oficina de autores da Globo no post "E a feiurinha?", mas como você já deve saber, se tudo der errado na minha vida, me mudo pra Curitiba e viro roteirista de stand-up (esse é o plano B-1). Globo não é opção, afinal, teria que ser Cult, glamurosa e morar no Leblon, e cá entre nós, você sabe que eu adoro um cachorro quente de barraquinha (vulgo podrão), camelódromo e acho o Leblon chato até nas novelas do Manoel Carlos, rs.

Yes, nós temos um selo de qualidade

Quanto orgulho, geeeennntee...  Ainda nem soprou as velinhas de aniversário e o blog recebeu o Selo de Qualidade do Projeto Créativité .
Recebi da Rene  e fiquei mega feliz!



Agora devo seguir as seguintes regras:

1ª - Indicar 15 blogs para receberem o selo:

1.    Anna Kelly: http://annakellys.blogspot.com/
2.    Aninha Santos: http://bolsasguidinha.blogspot.com/
3.    Andressa: http://andressabraganca.blogspot.com
4.    Beta: http://paginasdabia.blogspot.com/
5.    Carol:http://cafeepapo.blogspot.com
6.    Carol Kroetz: http://acasadacarol.blogspot.com
7.    Chica: http://cronicasdachica.blogspot.com
8.    Elizete: http://elizetejardim.blogspot.com/
9.    Irene: http://avitrinedesonhos.blogspot.com/
10.  Jú: http://pontinhosdaju.blogspot.com/
11.  Léo: http://mundodecueca.blogspot.com/
12.  Lidiane Arsênio:  http://poemaseoutrashistorias.blogspot.com/
13.  Lis: http://petalasdelis.blogspot.com/
14.  Nina: http://cantinhodaninaebel.blogspot.com/
15.  Waldívia:  http://diaadiaartistaamadora.blogspot.com/

2ª -  Avisar a cada blogueiro  escolhido.

3ª – Responder algumas perguntas sobre mim:

Nome: Ana Santos
Uma música: Fotografia, Leoni & Léo Jaime
Humor: nº 4, da Natura (rs*)
Uma cor: azul
Uma estação: outono
Como prefere viajar: confortavelmente (se for de graça, melhor ainda, rs*)
Um seriado: CSI Nova York
Frase ou palavra mais dita por você: "Ai que sono!"
O que achou do selo? A iniciativa de criar um projeto tão inovador dá oportunidade de pessoas comuns, blogueiros anônimos e também aos conhecidos pela grande rede, de divulgar seus textos, suas verdades, as ficções mais reais do imaginário de um escritor. Projetos assim dão liberdade e segurança para que mais pessoas possam escrever. Incentiva àqueles que, por algum motivo, tem medo da escrita, mostrando que ela é para todos, basta dar o 1º passo. E para não esquecer, o designer do selo ficou ótimo, de muito bom gosto, fez jus ao Projeto.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Profundo como o oceano

Ver o amor a partir da ótica do casal ‘Paulo e Laís’ é, sem dúvida, um exercício para qualquer ser humano romântico como eu. Sim, pois apesar de ser muito realista e às vezes “geralda¹”, também sou romântica e adoro histórias de amores reais. Eles são opostos, inconstantes e completamente divergentes, mas igualmente apaixonados, intensos e verdadeiros.
Ela é o feminino do amor. Doce, atenciosa, delicada, carinhosa, divertida. Ele é implicante, prestativo, galanteador, impulsivo. Ambos determinados e batalhadores. Cheguei a defini-los como “Eduardo e Mônica versão 2.0”, mas percebi que eles vão além das divagações de Renato Russo, são profundos como o oceano para uma definição tão rasa.
Não compram expectativas prontas, não prometem nada além do que podem cumprir, não pagam IPTU, pois não existem direitos de propriedade. Prova maior da consciência sobre o que vivem, é o tempo que a história deles levou para ser construída (4 anos).
Nos últimos dias acompanhei essa história com o encantamento de alguém que reconhece o amor que se reinventa em pessoas que o destino afastou. Paulo gravou na parte interna de uma linda pulseira: “Posso, finalmente, ser eu mesmo e quero que o mundo veja você ficar comigo.” Laís gravou em seu coração não apenas estas palavras, mas o beijo que selou o reencontro de corações que sempre estiveram unidos, apesar da distancia. Eu ratifico aqui, minha crença em que “amores serão sempre amáveis...”
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Ao som de “Futuros amantes”, do Chico
1 – Geralda: grossa, sem paciência, estúpida.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

E a Feiurinha?

Cheguei do trabalho um dia desses e estava passando num canal da TV a cabo “Xuxa e o mistério da feiurinha”. Claro que eu parei pra assistir, afinal de contas, preciso ter assunto com minhas sobrinhas (cof cof, cara de pau, cof cof), né?
O filme conta a história das princesas que chegam ao mundo real para investigar o sumiço de Feiurinha, que desapareceu porque sua história não era escrita nem passada de geração a geração verbalmente.
Ontem, enquanto encarava o engarrafamento diário na volta pra casa, me lembrei do filme, principalmente, do que a Cindy (a Cinderela, dãã) disse: “se não tem quem conte a história de uma princesa, então ela está fadada ao esquecimento”. Traduzindo para o mundo real: se não tem quem conte sua história, um dia as pessoas se esquecerão de você. 
Nem sempre a personagem principal do que escrevo aqui no blog sou eu. Algumas vezes as personagens são preservadas ganhando outros nomes. Em alguns momentos me coloco no lugar delas (personagens) para contar o que viveram e sentiram. Não importa se escrevo bem ou não, ou se pessoa continua em minha vida ou seguiu outro caminho, o que importa é que suas histórias foram eternizadas, foram escritas e contadas. Seus destinos foram conhecidos e serão lembrados enquanto houver blogosfera.
É por isso que estamos aqui: para testemunhar a vida uns dos outros, para compartilhar aprendizados e histórias, multiplicar os sorrisos e espalhar a felicidade.  A minha missão como alguém que escreve (e entenda-se apenas escrever, sem pretensão de escrever bem ou publicar livros) é tornar conhecida a história de quem está a minha volta e me influencia; a minha história, que é escrita dia após dia, em cada esquina, em cada livro ou música, em cada suspiro ou ausência de fôlego.
Enfim, não foi nenhum filme do Almodóvar ou Woody Alen, mas com certeza, não doeu assisti-lo.
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Em tempo: Lembro-me de ter lido no Ensino Médio o livro de Pedro Bandeira O Fantástico Mistério de Feiurinha, e 'super recomendo'.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sem manuais

“E o amor é sempre complicado. Mas, mesmo assim, os seres humanos precisam tentar se amar, querida. A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa.”
Do livro Comer, rezar e amar

Sabe aquele clima londrino que está ali fora? Pois é, não está só lá fora, aqui no meu universo interno também está cada vez mais nublado. Fiquei pensando e repensando em uma coisa que me disseram hoje: “não dá pra te entender, num dia você quer conversar horas seguidas comigo, no outro você não quer me ver.” Mas quem disse que é para me entender? Quem disse que eu recebi um manual de instruções junto com a certidão de nascimento? O amor que eu sinto e o amor que sentem por mim é maior que qualquer explicação ou regras de sintaxe. Quero espaço, voar, entender o que se passou e saber o que restou aqui. Quero palavras doces ao telefone e um aconchego antes de dormir. Quero testar sua paciência e adquirir a minha. Quero de volta as brigas por ciúme e o jeito carinhoso de me desejar bom dia. Quero tudo isso, mas também quero tempo. Tempo para voltar a acreditar, confiar, tirar as reservas e os limites. Tempo para me fazer clara, entendida sem que precise me decifrar.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sobre o amor, Carpinejar e rabanadas

As histórias estão sempre ali. As pessoas estão sempre por perto, esperando ser contadas, basta que você as observe e encontre uma forma de escrevê-las. Nestes dois dias do novo ano, consegui boas histórias, boas conversas e algum carinho.
Ontem virei motivo de piada por ter sido a única a ficar “queimada” com o sol escondido entre nuvens (na verdade estava chuviscando). O pior foi ter sido a última a entender como se joga “UNO” e por isso, ter perdido de lavada.  Mas o dia não foi apenas de churrasco à beira da piscina e risada com os amigos. Além de uma discussão recorrente e choramingar o fato de amargar um prejuízo de (aproximadamente) R$ 600 com a batida do carro (não quero falar disso), tive a oportunidade de assistir um vídeo do Carpinejar falando sobre o amor. |Pequena pausa sobre o vídeo. Para quem não sabe, o Fabrício Carpinejar é um excelente cronista. Escreve maravilhosamente bem. Autor de diversos livros, entre eles os recentes  Canalha! e  Mulher Perdigueira (você que estava sem saber como me presentear no dia 17, agora já sabe por onde começar, rs*), ele é, em minha opinião, o melhor autor nacional da atualidade. |Caso queira assistir o vídeo, clique aqui.
Hoje, domingo que antecede a volta ao trabalho depois de ter as férias adiadas, estava rascunhando algumas histórias e fiquei pensando no tal vídeo.  Fiquei pensando, pensando e liguei para minha mãe, meu primeiro e maior exemplo de amor:
- O que acha de comer umas rabanadas? Eu não sei quando terei novamente inspiração para fazer mais, é melhor aproveitar.  Eu lhe faço um cafezinho,e você me dá colo... rs.
 Ela veio.  Não veio pelas rabanadas, nem pelo café, mas porque não dispensa uma oportunidade de ficar perto da cria. Veio porque adora a forma como eu a faço rir. Veio porque ... porque... porque é minha mãe, e minha mãe é o amor hoje e sempre. É o amor escrito, falado, respirado, contado de diversas formas. É o amor me dizendo que admira a forma que encaro as pessoas sem me preocupar com o que elas irão dizer. É o amor me fazendo ver onde estou errando. É o amor me mandando comer mais beterraba e menos chocolate.  É o amor dizendo que fiz besteira ao pintar o cabelo de preto. É o amor em 1,50 m de altura. É o amor em um coração sem tamanho. Carpinejar, querido, você tem razão em dizer que amor é nunca estar sozinho, mas cá entre nós, amor  também é ter o carinho da minha mãe pra começar bem o ano, pra desejar que todos os dias sejam felizes e com gostinho de pavê, rs.

Ps: Ela adorou as rabanadas, rs*.
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Lú e Tiago, obrigada por me presentearem com um dia tão agradável entre pessoas que são especiais pra vocês. Foi incrível, mesmo tendo perdido no jogo, rs.