Pessoas, compartimentos e hipocrisia

“Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens". Mateus 15:8-9


Algumas pessoas separam tão bem o que são em casa, daquilo que são no trabalho, na igreja, que parecem ter personalidades diferentes. Ontem, eu e uma amiga conversávamos sobre este assunto, depois de percebermos que um determinado gestor age como um tremendo calhorda no ambiente corporativo, mas em casa é um ótimo pai e marido dedicado (tenho minhas dúvidas!). É como se de repente, ele dividisse sua vida em compartimentos e em cada um deles assumisse um comportamento diferente. Tem gente que fala palavrão no trabalho, mas em casa e na igreja é capaz de condenar ao inferno quem fala um simples “merda”. Pensar que existe uma forma diferente de ser em casa, na igreja e no trabalho é pura hipocrisia. Aceitar quem muda sua personalidade em nome de uma dicotomia por conveniência é apoiar o hipócrita. Não existe nenhuma área distante o suficiente para que Deus não nos veja. Ele sabe quem somos, por mais terríveis que possamos ser. Não há uma vida publica e uma particular, há somente uma vida, por que gastá-la com farsas e hipocrisia?


Alcançar o que queremos



"A consciência de uma planta no meio do Inverno não está voltada para o Verão que passou, mas para a Primavera que há de chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a Primavera virá, porque será que nós – os humanos – não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queremos?"

Khalil Gibran

Precisa-se de leitores


Esse blog foi criado para que eu me construa em meio ao meu caos particular, para que a escrita me ajude na construção daquilo que preciso ser. Ele é feito para ser simples, para que você volte e leia sempre que tiver vontade. Histórias novas e velhas, matérias que escrevo pra algumas revistas, invencionices e observações. Mais do que uma aspiração profissional, a escrita é minha catarse. A única coisa que espero de quem está aí do outro lado é que você comente se não gostou. Se gostar do que vê por aqui, comente com os amigos. Preciso de leitores, senão qual é a graça de escrever?

Sobre traição, tempo e perdão

Para ler ao som de Please forgive me


“Querida, nem Jesus escapou de ser traído, porque você seria poupada?”
Esta frase não foi bem o consolo que ela desejava ouvir de mim, mas foi a única que consegui dizer ao conversarmos sobre o que havia acontecido. Não sou tão ruim quanto pareço, acho até que sei preservar bem algumas amizades, mas ando prática demais nos últimos tempos. E em meio a tanta praticidade, tive que lembrá-la que para toda traição existe o perdão, e esta era uma escolha que somente ela poderia considerar. Algumas traições são mais dolorosas, outras nem tanto. Não importa qual tenha sido, o tempo é o grande amigo, o maior e melhor Band-Aid que existe.
Se traição não se limita a um par de chifres, posso dizer que um amigo traiu meu coração mais do que minha testa. Foi há tanto tempo (nove anos) e já nem consigo lembrar todos os detalhes do que aconteceu, mas lembro-me perfeitamente todo o bem que ele me fez (antes da canalhice). Sua lealdade sem medidas no momento mais triste e doloroso da minha vida (quando meu avô faleceu). Não esqueço as conversas que sempre me faziam questionar as escolhas que estava tomando, e a sinceridade absurda, quase agressiva que norteavam nossa amizade. Num determinado momento ele errou gravemente (!!!!), e eu não tinha outra opção se não excluí-lo da minha vida. Quando ele tentou explicar o que havia acontecido, não permiti que se aproximasse (se bem me lembro, fiz uma cena digna de novela das oito). Nunca ouvi o lado dele, nunca soube exatamente o que o motivou a ser tão cruel comigo. Hoje, um pouco mais madura (mas nem tanto assim), lamento nunca ter dito que apesar de toda e qualquer dor que tenha me causado, a lembrança mais latente que tenho, é do amigo que pedalava para me ver todos os dias, por várias semanas enquanto o luto me fazia sofrer.
O tempo foi um excelente curativo para mim. Permitiu que a mágoa dissipasse e ficassem apenas as boas memórias. Não sei se com minha amiga será assim. Talvez ela precise de muitas conversas, pequenas mudanças e alguns calendários para conseguir perceber que coisas boas aconteceram entre ela e o (ex)marido. Hoje a dor está cortante, as lágrimas descem ferozes e ignora que o perdão é a maior (ou seria a única?) liberdade que precisa.
Enquanto escrevo algumas perguntas - sem resposta - ficam rondando minha mente: quanto tempo é necessário para amenizar o sofrimento causado por uma decepção, uma traição? Será que o tempo é realmente o melhor dos remédios e a única solução para as dores “incuráveis” da vida adulta? 
Não seria difícil encontrar o amigo que perdi. Moramos na mesma cidade, temos amigos em comum e com um telefonema talvez tudo fosse diferente, mas não é preciso. As explicações e justificativas não são necessárias, não vão mudar o que passou ou o que nos tornamos. Se algum dia eu tiver coragem e decidir ir ao trás deste telefonema vai ser pra dizer que ... Bem, se isto algum dia acontecer e o blog ainda existir, eu conto como foi o diálogo.



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Retomando o hábito desafiador da escrita.

 
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