domingo, 20 de dezembro de 2009

Balanço de fim de ano - 2009

Ando pensando muito no meu balanço de fim de ano. Eu sei, faltam ainda mais de 10 dias, mas este clima de confraternizações e reencontros, me fez pensar no assunto.

Definitivamente este foi um dos anos mais difíceis que já tive. Boa parte dos dias eu alugava os ouvidos do Senhor chorando, pedindo, implorando por uma mudança. Em muitos momentos cheguei a desacreditar, pensava que esta ”fase” não passaria. Mas passou! Rendo graças ao Senhor, pois passou e ELE me surpreendeu na solução de cada um dos problemas que enfrentei.

“Ah, mas não tem mal que dure nem alegria que perdure.” Me desculpe, mas tem certas coisas que sabemos que irá passar, mas até que passe dói. Dói muito! Perdemos a alegria, a esperança, a tranqüilidade. Choramos, questionamos, tentamos resolver do nosso jeito. E o que adianta? Nada! O tempo é do Senhor! É Ele quem decide se a luta chegou ao fim ou não. Precisamos ser aprovados e até que termine, o jeito é esperar. Não, não é fácil esperar. Nunca é! Mas entendi que o Salmo 37:5 não está só pra completar número na Bíblia! Entregar e confiar é difícil. Temos a terrível mania de entregar e ir lá dá “pitaco”. Oramos pedindo que Ele resolva, mas sugerimos como deve ser a solução. Aprender a confiar no que o nosso Pai fará por nós é uma das grandes questões que determinam a nossa fé. Vamos racionalizar?

1- ELE quem nos fez, nos conhece como ninguém mais.

2- ELE é Soberano sobre todas as coisas. Tem domínio e poder em suas mãos.

3- É fiel e não há sombra de variação em suas Palavras.

Sabendo estas coisas, por que será tão difícil confiar que Ele fará um caminho melhor para nós? Eu não sei explicar o motivo de continuarmos a duvidar, mas hoje posso afirmar que meu relacionamento (com o Senhor) mudou. Tenho me esforçado para crer mesmo nos os dias maus. Ainda tenho coisas a resolver, claro. Tem muita coisa ainda para ser mudada, mas compete a mim. O impossível já foi feito, agora é comigo fazer o possível. Perdoar, ser perdoada; entender; tratar. É tratar... Ser tratada, assumir erros e buscar os “concertos”. Outra coisa extremamente difícil – assumir os erros e corrigi-los. Ninguém gosta de assumir que errou, a pessoa faz porque precisa, não porque gosta. Neste ponto que, às vezes, damos um enorme passo em direção a doenças, culpas, traumas, bloqueios – não assumimos os nossos erros e jogamos sobre os outros a responsabilidade do fracasso, da perda, da mágoa. Mudando nossa visão sobre o assunto, podemos viver com liberdade, com tranqüilidade, e com a certeza que não há peso sobre nosso emocional.

Amizades. Outro grande assunto durante o ano. Convivi com pessoas de todos os tipos, credos, personalidades e temperamentos. Já dizia Milton Nascimento: “tem gente que chega pra ficar/tem gente que vai pra nunca mais/tem gente que vem e quer voltar/tem gente que vai e quer ficar/tem gente que veio só olhar/tem gente a sorrir e a chorar.” Uns se foram e não voltarão, outros se foram com a certeza que terão sempre um lugar cativo em meu coração, alguns voltaram com todo amor, carinho e certeza que jamais irão embora e alguns novos chegaram. Reconheci uma grande amiga em uma pessoa que muitos consideram difícil (realmente é), mas nem por isso deixou de ser tão carinhosa e atenciosa comigo. Reencontrei a amiga que pedi ao Senhor, aquela que briga comigo e por mim (e eu a amo ainda mais por isso!!!). Percebi que além de afeto e carinho também “compartilhava” os mesmos algozes com uma das mulheres que mais admiro (sei que sempre terei um lugar na área de serviço dela para dormir, rs*). Criei laços com pessoas extraordinárias, divertidas, sensatas, inteligentes... Meu relacionamento com uma delas é tão incrível que parece que já nos conhecemos há anos, tanto que numa madrugada de sábado ficamos quase uma hora ao telefone e éramos capazes de ficar muito mais, pois os assuntos não se esgotavam. Descobri a alegria de ter amigos tão próximos a ponto de mostrar o meu pior lado e em depois vibrar com eles por uma conquista tão aguardada. Passei mal de tanto rir, cheguei tarde em casa, brinquei feito criança, fui ao cinema e dividi uma latinha de Coca-Cola por três ... Enfim, fui amiga e recebi carinho de amigos. Não vou me preocupar se todas estas pessoas estarão em 2010 comigo, gostaria que estivessem, mas se isto não acontecer, tenho certeza que todos os momentos que vivemos ficarão em minha mente e em meu coração com muita alegria.

Concluindo, eu só tenho motivos para agradecer ao Senhor por tudo o que vivi de bom e de ruim neste ano. Sei que no final, ao conseguir ver a imagem completa do quebra-cabeça da vida, irei perceber que tudo se encaixa. Então, obrigada Senhor pela recuperação da minha mãe – ter visto a Sua mão agir sobre a vida dela me mostra o quão infinitas são as Suas misericórdias; obrigada pelo meu emprego novo – quero ser benção naquele lugar assim como tenho sido abençoada; obrigada pelo meu marido tão amoroso e dedicado, às vezes me esqueço de quanto eu o amo, mas o Senhor não se esquece e sempre me faz lembrar de como ele é importante em minha vida; obrigada pela minha família ser meu apoio e suporte, fica mais fácil compreender a vida quando olhamos para o lado e vemos mãos que nos ajudam; obrigada pela vida das minhas amigas tão preciosas, o Senhor aprecia amizades que edificam e me presenteou com pessoas extraordinárias; obrigada pelos Seus anjos que estiveram em toda a minha caminhada – contei com a ajuda espiritual de pastores que primam pela verdade e compromisso com a Tua Palavra; obrigada por todas as lágrimas que derramei, sei que todas elas foram recolhidas e hoje meu modo de pensar a respeito das lutas que tenho que enfrentar, mudou. Obrigada Senhor por tudo, foi um ano bem difícil, mas também um ano que aprendi na mesma proporção, e se hoje eu vivo um tempo favorável, é porque o Seu amor me alcançou!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sobre chuva e pensamentos

 Ao som de Esquadros, Adriana Calcanhoto

 
Sou completamente apaixonada pela Cidade Sorriso, tanto que consigo achá-la linda até mesmo nos dias chuvosos, como hoje. Fiquei um tempo na sacada de um prédio admirando o mar. Como um lugar consegue ser tão especial, mesmo nos dias que as pessoas menos amam? Particularmente, gosto dos dias nublados. Um pouco de chuva não me espanta, ao contrário, me anima a sair, a sentar nas cadeiras de um shopping a beira mar e ficar lendo. Fiquei um tempo naquele mezanino e o mar me chamava atenção com seus movimentos tão firmes; vi algumas pessoas correndo, passando completamente despercebidas ao espetáculo que estava tão perto delas. Depois de um tempo, fui obrigada a cumprir meu trajeto até determinada agencia bancária, mas na volta, aproveitei o pequeno engarrafamento para ver como o mar respeitava a imponência das pedras. Por mais furioso que pudesse parecer, ao arrebentar suas ondas na pedra de Itapuca, a sensação que tinha era que os dois tinham feito um acordo – iriam parecer brigar, mas na verdade estavam apenas encenando um balé, onde as ondas dançavam, ora tranquilamente, ora com furor. Ainda que a maioria das pessoas prefira ficar sentadas naquele banco com o sol a pino, eu senti ali o prazer de estar num lugar que gosto e com a melhor companhia que poderia ter – a minha. Sentada, com o pretexto de esperar o tempo passar e o trânsito melhorar, percebi que gosto de estar com os meus pensamentos. Conseguia ver escrito vários textos em minha mente, nenhum melancólico, como alguém desavisado poderia pensar. A chuva não me trás melancolia. Os artistas reagem de maneira diferente às mesmas situações; não que me considere uma artista, mas estou aprendendo a usar as palavras como um formão e, o papel a madeira, sei que um dia conseguirei enfim, esculpir algo, mas até lá, irei rascunhando por aqui. Sentada naquele banco, consegui visualizar até mesmo o momento que compartilharia estas palavras e agora, aqui, abrigada pelo aconchego do lar, ouvindo “Esquadros” de Adriana Calcanhoto, concluo que sempre vivi assim, prestando atenção as pessoas e as coisas a minha volta, a única diferença é que nem sempre conseguia escrever sobre elas.
Quando comecei o texto falando sobre paixão, falei sobre paixão destas que são para sempre ... depois que chega não tem mais como ficar sem sentir.... e vou continuar no tema. Ando apaixonada pela vida. Não pense que estou nadando num mar de rosas, longe disso, hoje mesmo já derramei algumas lágrimas de preocupação, mas ainda que elas existam, eu tenho vivido tão intensamente as minhas alegrias, as conquistas, que as tristezas e as preocupações não conseguem tirar o brilho de ver a vida seguir um curso diferente do que esperava. Estou apaixonada pela ideia do livro “nascer”, perceber que não é impossível fez com que esta vontade de escrever me dominasse e me fizesse refletir sobre meus sonhos para o futuro. (Lembra quando expliquei o porquê deste blog, qual livro foi o “gênesis” dele? Não? Então dá uma olhadinha no primeiro post e descubra) Hoje sinto o peso da vontade de escrever pesando horrores, *rs.
Viver na expectativa de ser lido é tão interessante quanto viver esperando a próxima chuva para frutificar.
Estou apaixonada pelos sonhos que virão, pelos amigos que tenho conhecido, pelas mulheres que estão habitando meu dia-a-dia. Apaixonada pelos sorrisos e também pelas lágrimas. Apaixonada pelas chegadas e também pelas partidas. Apaixonada pela vida!

A terra seca espera as primeiras gotas de chuva e quem escreve espera os primeiros olhos atentos as suas palavras. É assim que me sinto: como alguém que esperou pela chuva por toda a semana e agora espera que você leitor, não fique tímido, leia e também fale sobre a vida, sobre as paixões, enfim, fale, você está em casa!