quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Meu "Best Size" (porque plus size não seria suficiente)





Nunca fui militante do Plus Size, mas acho que todo mundo merece ser feliz com o tamanho que veste. Acho digno entrar numa loja da Riachuelo ou da Renner e encontrar roupas lindas para o meu manequim, seja ele 36 ou 54.  Essa história de que toda magra é feliz e toda gorda merece uma bariátrica já deu! O que não dá é pra ficar infeliz, recalcada, com inveja das amigas magras. Tenho amiga que veste 38 formato tábua e adoraria ganhar mais uns quilinhos, assim como conheço uma gordinha convicta que não pensa em emagrecer um grama. A diferença está no que a sociedade pensa a respeito de cada uma – a magra não precisa mexer em nada, enquanto a gorda deveria pedir a Deus pra nascer outra vez. Na boa, cada um merece ser feliz, amar, ser amado e encontrar um vestido de festa legal no tamanho que tem. Não vou emagrecer só pra agradar os outros, nem vou virar escrava da cinta! Ontem viajei a madrugada inteira e grande parte do dia, dormi em poltrona do aeroporto e feliz porque estava sem aquela cinta opressora me atormentando. Em alguns momentos ela é necessária (e uma amiga bem fiel), mas não vou me esconder atrás de um instrumento moderno de tortura só pra sair bem na foto. Sou uma mulher confortável, sim! E com muito orgulho! Quem me abraça sabe do que estou falando, rs*. Tenho me cuidado cada vez mais. Não abro mão da maquiagem nossa de cada dia, (só eu sei o poder de um corretivo pra um rosto com olheiras!), amo com mais intensidade os saltos e não vivo sem perfume. Não gosto de calça jeans (na verdade, não me gosto com calça). Adoro um vestido longo e colorido, saias jeans e blusas de cores fortes. Essa história de que preto emagrece é mentira! Isso só deve adiantar se comer a roupa preta, porque usei preto durante muito tempo e não emagreci nadinha, kkkkk.

Não tenho mais paciência pra gente que me liga e fala“que este ano você possa ficar bem magrinha, sem gordurinha nenhuma tá?!" ou que liga na hora do meu almoço e diz “vou aproveitar que você está almoçando pra falar bastante, assim você come pouquinho”. Não tenho mais paciência porque sou feliz com minhas medidas, porque sou amada por e com elas. Sou cheinha/gordinha/fofinha, sim, mas também sou alegre, divertida, inteligente, simpática, competente, esforçada e se as minhas medidas extrapolaram “o padrão”, é porque eu não sou uma pessoa que se adequou as formas dos outros e precisei criar meu jeito próprio de ser feliz.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

É proibido mudar de opinião!


Estamos condenados à estagnação. Proibidos de mudar de opinião, partido, crença ou qualquer outra coisa que não sejam as roupas. Vemos campanhas midiáticas a respeito da necessidade de tolerância religiosa, aos homossexuais, mas a sociedade não aceita que você mude de ideia.
Myrian Rios está experimentando isso na pele. Por um longo período ela viveu à custa de sua imagem, fosse ela com roupa ou não, mas num dado momento, decidiu que era hora de mudar. Mudou de roupa, cabelo, crença, jeito de falar e valores. Ah sim, os valores! Antes ela não se importava com a exploração apelativa de sua imagem, mas hoje seus valores são outros. Porém, a mídia não lhe permitiu a mudança tão radical com tranquilidade! Logo choveram críticas e fotos de uma Miriam antiga, com valores diferentes dos atuais. Condenaram-na! Dizem, com seus julgamentos engessados, que ela não tem direito a opiniões tão contrárias a seu passado.
Mas, a Xuxa também não se arrependeu pelo passado “constrangedor”? Até onde me lembro, constantemente aparecem notas em que ela está pleiteando na justiça o direito de não ter imagens de seu filme “adulto” divulgadas. Mas, por que a mídia não critica a loira como está criticando a deputada? Xuxa alega que seu trabalho hoje não tem nada ver com seu passado, e tenta proteger seu público infantil das escolhas feitas em seu início de carreira, enquanto Myrian Rios deve sua mudança, à fé que professa. As pessoas tendem a julgar como “fanático” aquele que é capaz de abrir mão do que era, para se tornar nova criatura.
Diante de todo o estardalhaço gerado, chego à conclusão de que se você cometeu algum erro ou tomou uma decisão da qual se arrependeu, esteja preparado para ser julgado (e condenado) pelos que estão a sua volta. Ninguém pode dar um mau passo e depois de arrependido, mudar severamente de conduta e opinião sem estar preparado para ver seu passado estampado em redes sociais. As pessoas são intolerantes por natureza, e em sua grande maioria, não acreditam ou aceitam mudanças. Eu, porém, continuarei acreditando que a mudança é fundamental em nosso processo de amadurecimento.
O texto da lei proposto por ela, de acordo com o site G1, diz em sua redação que "serão desenvolvidas ações essenciais que contribuam para uma convivência saudável entre pessoas, estabelecendo relações de confiança e respeito mútuo, alicerçada em valores éticos, morais, sociais, afetivos e espirituais, como instrumento capaz de prevenir e combater diversas formas de violência". Se concordo com o que está sendo proposto? Claro! Nossa sociedade está vivenciando seu momento de pior crise moral. Meninas de doze anos embalam seus filhos, ao invés de bonecas, e este é só um dos aspectos de uma sociedade de valores distorcidos. São tempos em que o “ter” é mais valorizado que o “ser”, de nada importa ter um bom conteúdo se o exterior não puder ser exibido orgulhosamente nas capas de uma revista semanal. A lei e a deputada estão sendo duramente criticadas por ir contra a tudo que hoje consideram “normal”.
Enfim, a filosofia de caminhoneiro se mostra mais uma vez verdadeira, apesar de clichê: “só o que está morto não muda”.

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O título faz referencia a música de João Alexandre, "É proibido pensar"