quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Antítese do Salmo 23


O relógio é meu ditador, não vou descansar. 
Faz-me deitar somente quando esgotado.
Ele me leva a depressão profunda. 
Ele persegue a minha alma. 
Isso me leva a círculos de frenesi por causa da atividade. 
Apesar de eu correr freneticamente de tarefa a tarefa, 
Eu nunca vou fazer tudo. 
Minha necessidade de aprovação me levará.
Exigem desempenho de mim, além dos limites da minha agenda. 
Ele unge minha cabeça com enxaqueca. 
Certamente pressão e fadiga me seguirão todos os dias da minha vida, 
E habitarei nos vínculos de frustração para sempre.

Davi Lago

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

You had me





Perdi as contas de quantas vezes confiei, de quantas vezes acreditei. Ignorei a droga do sinal de alerta que soava toda vez que eu sorria. Eram dias iguais, enfim. A dor dos acontecimentos passados havia ficado pra trás, e as perdas superadas. A partir daquele momento, era apenas uma questão de sentir, caminhar e viver.  Mas não foi suficiente.  Não bastou. O fim já tinha sido escolhido. Na verdade, sempre foi a única opção. Os questionamentos já não existem, estou exausta e absolutamente descrente. "O certo é o incerto e o mundo ainda gira. E gira, gira, gira..." Não há vantagem em viver de migalhas, viver desejando mais e recebendo pouco, ou quase nada. O tempo não para, não volta, não perdoa, mas ensina. E agora, esgotadas as esperanças e alegrias, nos resta aceitar a normalidade da rotina e compreender que alguns sonhos foram feitos pra morrer numa gaveta de uma escritora qualquer.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Tudo o que eu queria dizer sobre ser adulto


Alguém já disse!
Texto da Flávia Queiroz


"O problema de ser adulto é que a gente tem a obrigação de ficar quieto. Sim, ficar quieto.Quando criança a gente pode dizer o que pensa sem enrubescer, dar palpite sem esquentar a cabeça e reclamar sem preocupação. Crescidos, há necessidade da média. E dá- lhe engolir sapo, aguentar a incompetência alheia, sorrir quando se quer chorar. Ser adulto não é ruim, crescer não é um saco. Ficar quieto é que é.
Um beijo para a criança que eu fui, sem papas na língua, sem meias palavras, sem vergonha e sem travas."

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Primavera é sentir!

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu." Caio Fernando Abreu

A primavera não é um verbo como outonar. Primavera é sentir. Usar os sentidos em sua plenitude...Vibrar com o céu pintado de laranja e viajar nas lembranças do perfume das flores. Primavera é sentir que tudo muda o tempo todo e você precisa estar preparado para as mudanças e suas conseqüências. Primavera é Vivaldi e Caio Fábio Abreu, não necessariamente nesta (ou em qualquer) ordem, mas com todo o sentido que existe...

Ao som de Vivaldi


Desmediocrize

“Desmediocrize sua vida. Procure seus “desaparecidos”, resgate seus afetos. Aprenda com quem tiver algo a ensinar, e ensine algo àqueles que estão engessados em suas teses de certo e errado. Troque experiências, troque risadas, troque carícias. Não é preciso chegar num momento limite para se dar conta disso. O enfrentamento das pequenas mortes que nos acontecem em vida já é o empurrão necessário. Morremos um pouco todos os dias, e todos os dias devemos procurar um final bonito antes de partir.”

Martha Medeiros

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Vida breve, vida rara



Ontem, pouco antes das 6h um homem morreu. Não o conhecia, mas acompanhei a descoberta de sua morte. Parou o carro no sinal (semáforo/farol) e sua vida não seguiu mais. Percebendo o que havia
acontecido, um pequeno grupo pediu ajuda da Polícia. Abriram o carro e constataram a morte daquele homem. O fato despertou a atenção daqueles que viajam comigo no ônibus, principalmente, porque a única certeza que temos é da limitação e brevidade de nossos dias. Não há beleza ou relevância ao adiar o amor, uma declaração ou reconciliação. Não existe justificativa em deixar para depois um gesto de bondade ou para encarar o que nos atemoriza. Adiar os melhores dias de nossas vidas porque não temos tempo, é desperdício. Os melhores dias são todos os dias. Inclusive aqueles mais difíceis. Um mergulho no mar, caminhar de mãos dadas, rir até a barriga doer, sentir o cheiro da chuva molhando a terra, observar o sorriso de uma criança, dançar na chuva ou tomar sorvete de creme. Falar com aquela pessoa querida que está distante, seja por telefone, e-mail, carta ou batendo em sua porta. Desejar bom dia, boa noite ou apenas sorrir com os olhos. Escolher o lado bom da vida e esgotá-lo sem medo. Largar a correria falando sozinha e entender que falta de tempo é só uma desculpa que inventamos e aceitamos. Falta de atenção é energia desperdiçada em um dia/semana/mês/ano/vida que acabou. É cedo para planejar previdência privada, mas tarde demais para deixar de sorrir, de abrir os braços ao vento. É tarde demais para não viver plenamente, porque certo, concreto e breve é a morte. 




E a gente vai levando...


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ah, os livros...


Ainda há salvação para este mundo cão!



Fui presenteada com a amizade de dois distintos cavalheiros, um de 17 e outro de 30 anos. Cavalheiros em sua essência e modos. Daqueles que oferecem carona em noite chuvosa, abrem à porta do carro e que conversam sobre filhos, esposa, igreja, casa...  Sou louca por me sentir privilegiada e voltar a ter esperança nesse mundo de meodeos

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Fingir não adianta

"E apesar de rir e fingir que não me importo, eu me importo sim. Tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos." — O Diário de Anne Frank

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Da urgência da vida

“Será que é tempo que lhe falta pra perceber ? Será que temos esse tempo pra perder? E quem quer saber? A vida é tão rara, tão rara...”
Minha urgência por viver é tão grande, que me aflige, sufoca. O tempo está consumindo impunemente, vida e ossos.
Enquanto discutimos políticas que nunca resolvem absolutamente nada, perdemos nossos amanhãs. A vida tem escapado entre os dedos, nos abraços que não distribuímos, nos lugares que não conhecemos, nas risadas que não damos. Estamos perdendo futuros extraordinários por conta de presentes medíocres. Aceitamos reuniões intermináveis, rotinas engarrafadas, encontros sociais que nos causam depressão. Fotografamos ao invés de viver. Gravamos para não esquecer, mas se quer deixamos que seja marcado em nossa memória. Acumulamos números nas redes sociais como se fossem verdadeiros medidores de felicidade.
Respiro fundo e o ar não enche meus pulmões. Abro os braços para sentir o vento e ele não balança meus cabelos. A vida não espera, não tem replay, nem podemos escolher só as partes boas. Ela é agora, é enquanto escrevo, enquanto você lê. Não dá para retornar o tempo perdido, assim como ligações no celular. O tempo não escolhe amigos, é imparcial, implacável e urgente.
Tenho lido cada vez mais. Cheguei a ler um livro completo em menos de doze horas. A leitura me proporciona prazer e conhecimento, mas preciso ir além. Quero colocar novamente o pé na estrada, olhar outra vez acima das nuvens, conhecer novos sotaques, me perder em outros aeroportos e sentir a adrenalina correr pelo meu corpo por algo bom. Viver é urgente e necessário, não dá para nos acomodarmos ao mesmo jeito “mais ou menos” de ser e viver...