Um passo para atrás, muitos para frente

Ao som de Lenine, Envergo, mas não quebro

 

“É pra frente que se anda”, quem nunca ouviu essa frase? Andar para frente dá a ideia de prosseguir, mas andar para atrás faz com que se ande mais. Como assim, sua louca? Alguns dos que acompanham o blog sabem da minha eterna dificuldade em traçar linhas retas, pendurar quadros em paredes ou mesmo um simples aviso na porta. Nunca fica alinhado! Enquanto estou próxima demais do objeto não sou capaz de enxergar que ele está torto, somente quando me afasto, dou alguns passos para atrás que consigo ver claramente o quanto está torto.
Quando nos afastamos de determinadas situações (ou mesmo de algumas pessoas) somos capazes de avaliar o que está se passando com mais clareza, principalmente se tal circunstância for especialmente significativa. Ao invés avançar, é natural que o passo dado seja retroceder, olhar a distancia a situação, avaliar todos os riscos, analisar o quadro e a parede.  Não estou defendendo aqui que as pessoas vivam no passado, mas que olhem para o futuro isentos de grandes expectativas. Que busquem encontrar, com a distância necessária, sabedoria e não respostas.
Hoje eu sou capaz de dizer com toda a clareza e certeza possíveis o que me faz feliz, quais as pessoas que desejo ter por perto e o que espero conquistar no futuro, por isso decidi mudar tantas coisas em minha vida. Cheguei a essa conclusão depois de ter me afastado, inclusive do trabalho. Esse período em casa foi fundamental para entender quais projetos e relacionamentos são realmente necessários. Não tenho GPS, mapa ou mesmo garantias de que o caminho escolhido irá me levar ao pote de ouro, inseguranças e incertezas são naturais e toda vez que eu tiver medo durante essa mudança, me afastarei outra vez e buscarei enxergar o quadro que vi e me fez decidir mudar.

Será que tem mesmo?

Não sou conhecida pela minha paciência tibetana, aliás, minhas raízes nordestinas de bicha fêmea com sanguenozóio (ué, mãe mineira e pai paraibano deu nisso...) vivem gritando. Hoje as raízes gritaram. De forma educada, mas gritaram. Irrita-me muito esse negócio de “tem que”. Você tem que comprar isso, tem que ter aquilo, tem que ir a tal lugar, tem que comer tal coisa, tem que vestir tal marca. É uma espécie de ditadura que acabam impondo sobre a gente e mal nos damos conta disso. Pois bem, estava saindo da academia quando reencontrei uma antiga colega de trabalho. Quase dois anos sem contato (o que não me entristece nenhum pouco), e a primeira coisa que ela me pergunta: “e aí, já teve filhinho?” Como pessoa educada que tento ser, disse que ainda não e que este é um projeto para o futuro. De pronto ela me respondeu: “ah, mas tem que ter logo, não é normal você casada há tanto tempo e ainda não ter tido nenhum filho.” Pronto, bastou ouvir o “tem que”, pro sangue ferver. Contei até 50, mentalizei as crianças cantando em “A noviça rebelde” (filme que assisti pela primeira vez ontem) e respondi: "Você me desculpe, mas eu estou com pressa e preciso ir.” E assim eu evitei ir para a cadeia por agredir quem se mete na vida alheia. Quis voltar para academia e fazer uma aula de boxe... achei prudente (e seguro para os outros)  evitar encontrar outras pessoas. Não sei se o que me irritou mais foi o ‘’tem que ter’’ ou o ‘’não é normal’’. Sei sim, foi o "tem que"... "Tem que" os cambau ... Claro que eu não deixei esse episódio estragar meu dia, mas aproveitei o que aconteceu para pensar no quanto as pessoas transmitem seus valores e julgamentos para nós o tempo inteiro. Sei que quando opino sobre determinados assuntos estou tentando dizer “comigo funciona desse jeito, seria bom se você tentasse”., mas tenho me esforçado bastante para ter o cuidado de não soar como se eu quisesse ser a dona da verdade. Tem que haver cuidado na escolha das palavras, na forma como vamos transmitir nossas opiniões, isso é fato! Eu sou normal por estar casada há algum tempo e não ter filhos, assim como acho normal que nem todo casal tenha filhos, e que alguns nem mesmo queiram tê-los. Tem muita gente por aí colocando filho no mundo pelos motivos errados, seja para obter uma falsa segurança no relacionamento, atender expectativas da sociedade, ou outros tantos que não caberiam nesse texto. Por que não escolher a segunda opção: adotar um cachorrinho? Algum tempo atrás a Flávia Mariano  falou sobre isso, e a discussão nos comentários foi boa. A Flavia Shiromma  abordou este assunto ano passao e também a incomodou ter sido tachada de anormal, pelo simples fato de não atender as expectativas da sociedade no momento em que ela nos cobra. Enfim, ter filhos quando e se quiser (e puder pagar por eles, afinal serão dívidas eternas...rs*) serão sempre opções normais, de pessoas normais, assim como eu, como você que está lendo e me achando a mais neurótica-estressada das criaturas, rs*.
Ps.: De qual passado com cheiro de naftalina que eu desenterrei “os cambau”?

Transparência

"Às vezes, fico me perguntando: por que é tão difícil assim... Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas, ser transparente é muito mais do que isso. É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar... Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde!  Mas, infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. É preferível a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana? Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo! Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...
E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos...
Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado. Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar, doçura, compaixão, a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... Daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos! Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: "você está me machucando. Pode parar, por favor?" Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor... Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencível. Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto, que consigamos docemente viver, sentir, amar... E que você seja não só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento.
Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar."

Autor desconhecido
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Nada mais do que transparente...

Sobre livros, desabafo e abolição

Detesto e-book. Para mim, livro tem cheiro, tem cor, barulho de página virada e anotações de rodapé. Adoro a blogosfera, pois entendo que são pessoas por detrás de cada página escrita, vida acontecendo e não personagens tomando forma em nosso imaginário. Não é difícil de entender, sou apenas uma apaixonada por livros e literatura. Sábado limpando alguns arquivos do computador, encontrei o livro Comer rezar amar em PDF. Abri o arquivo, corri algumas páginas, mas não tive vontade de ler. Antes de dar o derradeiro adeus a obra, me deparei com a seguinte frase: “Você é o que você pensa. As suas emoções são escravas de seus pensamentos, e você é escravo de suas emoções” Achei interessante, sobretudo numa semana em questionamentos existenciais me deixaram bastante zonza. Diante da proximidade de certas datas eu acabo sucumbindo a lembranças, questionamentos, crises de choro e tudo mais (todo ano é a mesma coisa). Essa frase me fez pensar que me tornei escrava dessa situação. Tornei-me refém de um passado que não vai mudar, de explicações que não virão, de momentos que foram perdidos. Durante quase toda a minha vida fui escrava das emoções e dos sentimentos que nutri por determinada pessoa da minha família e agora resolvi que esse vínculo com a dor e a mágoa devem acabar. O processo de “abolição” já começou: a carta escrita em desabafo foi queimada, consegui falar escrever a respeito (sem chorar) e, a partir de agora quando o pensamento vier, não irei permitir que me vença, que me entristeça, que abata como antes.
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Este foi mais momento desabafo patrocinado por lencinhos de papel “Chora e me usa”, rs*.

Mudanças ... por aqui e por todo lugar!

Mente inquieta... mudei os móveis de lugar, aprendi palavras novas em francês (retomei o curso), deletei algumas pessoas das minhas redes sociais e mudei o layout do blog.
Acho melhor ir dormir antes que o cabelo também sofra alguma mudança...rs*.

Ps: Alguém tem ideia de como retiro aquela sombra azul do título?

Sobre meu encontro com Roberto, emoções e futebol ...



Foi uma emoção ímpar estar no Gigante da Colina ontem. Primeira vez que estive no estádio do meu clube e foi excepcional! Ainda não tive filhos, não escrevi meus livros, nem mesmo plantei uma árvore, mas posso incluir naquela listinha do que fazer antes de morrer ir a um jogo do time para qual você torce. Como se fosse pouca a emoção, tive a alegria de ir a convite dele, do jogador que deu um novo sentido a camisa 10 do Vasco: Roberto Dinamite¹! Meu encontro com ele foi indescritível. Não consigo expressar o que senti na hora, pois cresci ouvindo da importância dele como jogador, de quanto os jogadores dos outros times o admiravam², e de repente eu estava ali trocando algumas poucas palavras com ele. Sim, foram poucas porque eu não tinha certeza se ainda estava falando nosso idioma, então preferi não arriscar no asnerês³. Homem de notável educação e gentileza. Cumprimentou a todos que o felicitavam pela reeleição, distribuiu autógrafos, tirou fotos, enfim, foi super atencioso.

E o jogo? Bem, o jogo foi sensacional! Senti falta apenas do Juninho Pernambucano em campo, mas estar lá e ver Diego Souza se superar e Dedé brincar de jogar futebol foi bom demais! Comentei com o Roger, jornalista do Blog Meu Caldeirão, do jornal O Globo e também da Revista Surfar, que não vi Neymar e Ganso na partida. Aliás, o garoto com corte de cabelo duvidoso só apareceu para fazer falta (único jeito que ele encontrou de parar o melhor zagueiro do Brasil, para quem perdeu mais de 10 bolas/jogadas), enquanto o menino-ave ficou completamente apagado. E o que foi Felipe batendo a falta que levou ao gol de Dedé? Sensacional! Enfim, a chuva não impediu que estádio ficasse lotado, o time não se intimidou e jogou com vontade, e o Caldeirão ferveu... Como diria o outro Roberto: “o importante é que emoções eu vivi...” Ah, eu vivi!!!
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Crédito das imagens: Roger Ferreira
1 - Ganhei uma promoção organizada pelo Blog Meu Caldeirão. Confira aqui.
2- Até o astro-mor do rival Flamengo, Zico, vestiu a camisa Cruz-Maltina no jogo de despedida de Roberto Dinamite em 1993.
3 - Idioma oficial de Asneiralandia

Da saudade retumbante

“A memória tem seus caprichos. Um deles é trazer o passado de volta aos pedaços, como fotos recortadas que mostram só o que se quer guardar. Outro é se confundir com o sonho, inventando coisas que fazem a gente sentir saudade do que não aconteceu.” Silvana Tavano em Jogos da memória

Precisava de muita coragem para admitir que ainda sentia saudades. Mais do que coragem, precisou de honestidade, porque mentir para si mesma já não dava mais. Amor e rancor estiveram ladeados pela saudade imensa do que não foi vivido. Saudade retumbante, estridente que grita às 2h da manhã e também às 19:55h, porque ela ignora os ponteiros na parede e não escolhe hora para incomodar. Encontrei num papel em cima do criado-mudo, duas palavras em vermelho que demonstram toda aflição de quem desistiu de tentar esquecer: lobotomia afetiva.
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Microtexto escrito tempos atrás e hoje limpando os rascunhos não tive coragem de deletá-lo -também não consegui acrescentar uma palavra sequer. Achei que combina com a canção da "Banda mais bonita da cidade", que embalou minha última sexta-feira com muita doçura!

Feliz ano todo ....

Levei um susto quando li no blog da Flavia Mariano que faltam apenas 150 dias para o ano acabar. Ainda lembro com total riqueza de detalhes do natal, o começo de 2011, as mudanças, crises, dúvidas, questionamentos... Não acredito que falta assim tão pouco para acabar o ano! Acreditando ou não, a verdade é que irá acabar e espero ter cumprido algumas das metas que estabeleci para ele... run, baby, run.

Hoje começam minhas férias, não sei qual será minha frequência por aqui, estou cheia de planos e ideias, entre eles, escrever textos melhores ... enquanto isso não acontece, ompartilho um texto bem legal que atribuiram ao Luiz Fernando Veríssimo:

"Acho a maior graça.

Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde! E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda! Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!"

Feliz ano todo pra você!
 
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