Além da cegueira, do conforto...

Você já leu ‘Ensaio sobre a cegueira’ (José Saramago)? Bem, o livro fala de moradores de uma cidade que subitamente ficam cegos. O governo, sem saber como proceder, coloca-os num manicômio desativado para que possam morrer ali sem contagiar outras pessoas. Imagine que hoje vivemos numa situação parecida com esta. O inimigo de nossas almas tem tirado a visão de muitos e ao invés de prendê-los num local abandonado, ele as deixa abandonadas em suas vidas vazias, lotando bares, casas noturnas, “bocas de fumo”, hospitais, prostíbulos, ou mesmo em suas casas solitárias. Muitos não conseguem enxergar que foram criados para um propósito maior (a glorificação do nome do Senhor), e se afundam cada dia mais em sua escuridão interior.

Mas, eis que surge a possibilidade de enxergar! Enxergar não apenas a própria vida miserável, mas contemplar uma vida com Cristo. Vida sem grilhões, sem acusações, sem o peso de uma cruz que não lhe pertence. O Senhor Jesus caminhou por uma via dolorosa carregando o peso da cruz que não era dEle, para que nós pudéssemos enxergá-lo!

Nós, que um dia conseguimos enxergar o sacrifício feito por Ele, temos a obrigação de levar a luz àqueles que não conseguem vê-lo. Não podemos nos acomodar nos bancos de nossas igrejas deixando que tantos percam suas almas, pois não tiveram a chance de ouvir falar da salvação. Nossas igrejas hoje viraram “depósitos de crente”, enquanto muitos estão sedentos de uma palavra que lhes traga esperança, carentes que alguém lhes mostre que existe uma “luz” e que esta luz é JESUS!

Estive no Vale do Jequitinhonha no começo do mês e voltei de lá convicta que o Senhor realmente me chamou para ser mais que uma “crente de banco”. Meu coração já arde por missões alguns anos, mas ao retornar de lá sabendo que mais de 816 pessoas se renderam aos pés de Cristo, eu me pergunto: onde estão àqueles milhares de crentes que lotam as ruas em marchas, que enchem estádios em gravações de DVDs, que exibem suas vidas ‘prósperas’ nos cultos de domingo?! Existem almas perecendo e, nós estamos sentados nos bancos confortáveis de nossas igrejas acreditando que sempre tem um missionário para fazer o ‘trabalho duro’. Só que nós esquecemos que a ordenança do “Ide” (Marcos 16:15) é para todos nós que já recebemos o Evangelho. Vivemos dias de pesca abundante, sinal que precisamos apenas lançar as redes ... Assim como um dia fomos alcançados e conseguimos enxergar ao Senhor, precisamos aceitar o desafio de levantar de nossos bancos e falar de Jesus para aqueles que precisam!



Que o Senhor encontre em nós braços dispostos ao trabalho! Que os ceifeiros não se escondam!


Ps.: A “família” que esteve no projeto, só posso dizer que: “Geeeeeennnnttttttteeeeeee, o Senhor os recompense por tudo o que fizeram ali! Vocês estarão em minha memória e em meu coração para sempre
 
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