quarta-feira, 16 de maio de 2018

Sobre mulheres que levantam umas as outras



Leia ao som de Aretha Franklin, Respect 


Por mais que eu seja do tipo de gente que fala até com os bichos, eu prezo pela observação. Acho que é esse meu lado “humanas” que me faz tão interessada no comportamento e nas pessoas (mesmo quando eu quero distancia delas). Tenho observado um número absurdo de mulheres-pombo (o pombo sabe voar, mas se alimenta de migalhas no chão). São mulheres que depois de inúmeras decepções, passaram a acreditar que são inferiores a seus companheiros, não são dignas de amor, de admiração. A autoestima de algumas foi totalmente destruída porque “desgraçaram” a mente delas.

Conheço um mulherão (no sentido estético e intelectual) que se vê presa a um embuste (palavra que virou modinha, mas é a única que posso usar no momento), porque acredita que esse é o único relacionamento possível. Que vontade de gritar: VOCÊ MERECE UM RELACIONAMENTO MELHOR! Na verdade, eu já gritei, desenhei, fiz cartaz e anúncio no YouTube, mas ela ainda não está pronta para essa verdade.
Talvez eu seja assim por ter sido criada num ambiente hostil, onde vi minha mãe definhar sofrendo com meu pai, ou por ter um lado feminista que insiste em florescer, mas não me conformo em ver como um homem pode ser capaz de mutilar uma mulher desta maneira. Não se trata de violência física, mas emocional. O cara simplesmente manipula a relação de forma a mulher acreditar que ela não merece ser respeitada, amada de verdade e faz tudo de maneira sutil, desgraçando aos poucos a segurança e a saúde mental da parceira.

Ontem, numa conversa muito franca com o Mulherão que citei acima, apontei que a responsabilidade num relacionamento é dos dois, e a dela está no fato de aceitar uma relação que a faz infeliz. O embuste não vai deixá-la, não vai cortar laços, vai sempre encontrar um meio de mantê-la ligada de alguma forma, como se precisasse dele para sempre, criando uma espécie de codependência. Não importa de quem foi o erro, não importa se ele falhou no passado ou foi ela, o mal que ele representa é atual, presente e agora a responsabilidade de se livrar disto, é unicamente dela.

Queria ter uma caixinha milagrosa com pílulas em que as mulheres pudessem tomar e enxergar seu potencial, sua forma única de alcançar os outros e resgatar sua autoestima, mas eu só tenho palavras. Só posso partilhar daquilo que vejo e acredito, e jamais deixarei que alguém próximo a mim viva infeliz sem saber que há um caminho para a mudança e o resgate da saúde mental e equilíbrio. Meus braços, ouvidos e português limitado sempre estarão à disposição para levantar outras mulheres, porque um dia já fui levantada, quero poder mostrar que nesta estrada nós não estamos sozinhas, nós vamos juntas!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Sobre ser feliz





“Coragem para arriscar fazer o que mais queremos é afinal, tudo o que precisamos para sermos felizes. O dia-a-dia ensinou-me que a felicidade vem das tais coisas simples de que não nos privamos. Se nos permitirmos fazer as coisas só porque sim, ou porque nos apetece - e porque, afinal, não há nenhum bom motivo para não as fazermos. O mais provável é que é amanhã acordemos mais felizes, pelo simples fato de termos ousado desbravar mais um caminho, mesmo que não seja o certo (ou o que os outros chamam de certo).”

Laurinda Alves

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Depedência divina e nossa necessidade de controlar tudo



Você pode ler ao som de 17 dejaneiro – Os Arrais


Fui criada para ser independente. Nunca depender de ninguém, ser autossuficiente, capaz de resolver todo e qualquer perrengue. Por conta disso, reconhecer que preciso de ajuda sempre foi (e ainda é), bastante complicado. Há meses eu venho sofrendo dores terríveis, sem jamais conseguir pedir socorro. Perdi meu chão, tudo o que eu considerava concreto, simplesmente ruiu. Achava que em algum momento eu conseguiria me reerguer sem precisar admitir fragilidade, pedir ajuda. Fiz o caminho inverso de quem precisa de cura: ao invés de buscar socorro, segurava as minhas feridas com as mãos e escondia o que estava me matando com qualquer coisa que pudesse anestesiar o que estava sentindo.
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Essa dor durou mais do que eu poderia imaginar. Aprendi que ela não vai embora até que você seja capaz de olhá-la de frente, até que entenda o que está causando a ferida. Não é qualquer olhar. É o olhar direcionado e acompanhado por Aquele que tem o manual da sua alma. Fui confrontada. A dor que me dilacerava era causada pela frustração, pela decepção, mas principalmente, por ver desmoronar o meu castelo de areia. A dor ainda é latente,viva, diária, mas desta vez, dói para não doer nunca mais.
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Querer exercer o controle da minha vida, achar que eu sou autossuficiente, que sou capaz de me erguer sozinha, só fez com que as feridas aumentassem. O que não é tratado, te consome, domina e mata. Para que não fosse tarde demais, houve o confronto. Descobri que o caminho para a cura passaria por reconhecer o que causou tanto sofrimento. Ao olhar para mim, guiada pelo autor da minha vida, entendi que a dependência de Deus precisa ser genuína, não apenas da boca para fora. Essa dependência produz em mim a consciência dos meus erros e também das minhas necessidades. Necessidades estas que vão muito além do que eu julgava precisar. São necessidades reais, eternas, jamais saciadas por aquilo que o homem pode roubar ou tocar. Minha jornada para a cura teve início. Este é só o primeiro passo: reconhecer que preciso de ajuda e busca-la, no lugar certo. Voltei ao meu jardim secreto, estou tirando as folhas secas, as pedras, e cuidando do lugar onde encontro remédio para minha dor.
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Tenho sido sustentada até aqui por pessoas que intercederam e sofreram com minhas lágrimas, mas estou certa, de que ainda irei florescer e celebrar com esses amigos, a primavera da minha vida.