domingo, 23 de setembro de 2018

Sobre viver um dia após o outro


Leia ao som de Liberdade ou solidão, Tiago Iorc

O que você faria de diferente se soubesse quando irá morrer? Porque é certo que todos iremos morrer, mas vivemos como se fossemos infinitos, insistimos em ignorar que a vida é única e breve. Nos debruçamos sobre o que não importa, colocamos sonhos em gavetas e nos arrumamos para rotinas de 8h às 18h, como se apenas isso importasse, esquecendo de quem está refletido no espelho.

Dias atrás tive uma conversa daquelas de gente grande com um amigo. Precisávamos passar a limpo algumas situações do passado e em dado momento, o aconselhei a escolher algumas pessoas que o provoquem, que o confrontem, que lhe digam as verdades incomodas para as quais por vezes fechamos os olhos. Uma semana depois foi a vez dele fazer isto comigo, deste confronto honesto e brutal, surgiu a necessidade de escrever.

Quando alguém que você confia lhe mostra um caminho, o mais sensato a fazer é questionar se está realmente fazendo as escolhas por serem confortáveis ou por acreditar serem certas. Para a vida que almejei ter, para quem imaginei que seria hoje, eu preciso saber o que quanto o meio que vivo me devastou.  Será que ainda restou algo de verdadeiro, algo da minha essência depois que aprendi a viver fingindo estar bem? Quando foi que me tornei tão indiferentes a ponto de achar normal a infelicidade?

Enfim, Ernest Hello escreveu que “Não devemos tocar numa ferida se não temos como curá-la.” Ao me confrontar sobre quem me tornei com o passar dos anos, meu amigo despertou questionamentos esquecidos sob feridas, apesar de nem todos serem publicáveis, alguns são bastante pertinentes e saudáveis, mas sobretudo, a maior parte deles ainda não tem cura.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Inquietações e contentamento


 Leia ao som de Tom Leeb - Are we too late


(...) A vida é sempre uma incerteza num mar de responsabilidades assumidas ou não. Se decidimos viver a margem de nossas querências, temos que conviver com o peso de colecionar “e se’s”; mas se ao contrário disso, colocamos o pé na porta e vamos de encontro ao que mascaramos, gestos, alegrias e vontades nos pegam pelas mãos e nos conduzem por caminhos que deixamos de percorrer.  Neste paradoxo entre buscar contentamento na rotina dos dias empoeirados ou atear fogo nas regras e viver com brilho no olhar de quem enxergou estrelas cadentes, a vida se mostra como é: breve. Minha alma grita “não se contente, você é mais que isso”, mas a verdade é que a gente sempre acredita no que nos limita, (sobre)vive achando que é suficiente, que recebeu somente o que merece.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Sobre mulheres que levantam umas as outras



Leia ao som de Aretha Franklin, Respect 


Por mais que eu seja do tipo de gente que fala até com os bichos, eu prezo pela observação. Acho que é esse meu lado “humanas” que me faz tão interessada no comportamento e nas pessoas (mesmo quando eu quero distancia delas). Tenho observado um número absurdo de mulheres-pombo (o pombo sabe voar, mas se alimenta de migalhas no chão). São mulheres que depois de inúmeras decepções, passaram a acreditar que são inferiores a seus companheiros, não são dignas de amor, de admiração. A autoestima de algumas foi totalmente destruída porque “desgraçaram” a mente delas.

Conheço um mulherão (no sentido estético e intelectual) que se vê presa a um embuste (palavra que virou modinha, mas é a única que posso usar no momento), porque acredita que esse é o único relacionamento possível. Que vontade de gritar: VOCÊ MERECE UM RELACIONAMENTO MELHOR! Na verdade, eu já gritei, desenhei, fiz cartaz e anúncio no YouTube, mas ela ainda não está pronta para essa verdade.
Talvez eu seja assim por ter sido criada num ambiente hostil, onde vi minha mãe definhar sofrendo com meu pai, ou por ter um lado feminista que insiste em florescer, mas não me conformo em ver como um homem pode ser capaz de mutilar uma mulher desta maneira. Não se trata de violência física, mas emocional. O cara simplesmente manipula a relação de forma a mulher acreditar que ela não merece ser respeitada, amada de verdade e faz tudo de maneira sutil, desgraçando aos poucos a segurança e a saúde mental da parceira.

Ontem, numa conversa muito franca com o Mulherão que citei acima, apontei que a responsabilidade num relacionamento é dos dois, e a dela está no fato de aceitar uma relação que a faz infeliz. O embuste não vai deixá-la, não vai cortar laços, vai sempre encontrar um meio de mantê-la ligada de alguma forma, como se precisasse dele para sempre, criando uma espécie de codependência. Não importa de quem foi o erro, não importa se ele falhou no passado ou foi ela, o mal que ele representa é atual, presente e agora a responsabilidade de se livrar disto, é unicamente dela.

Queria ter uma caixinha milagrosa com pílulas em que as mulheres pudessem tomar e enxergar seu potencial, sua forma única de alcançar os outros e resgatar sua autoestima, mas eu só tenho palavras. Só posso partilhar daquilo que vejo e acredito, e jamais deixarei que alguém próximo a mim viva infeliz sem saber que há um caminho para a mudança e o resgate da saúde mental e equilíbrio. Meus braços, ouvidos e português limitado sempre estarão à disposição para levantar outras mulheres, porque um dia já fui levantada, quero poder mostrar que nesta estrada nós não estamos sozinhas, nós vamos juntas!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Sobre ser feliz





“Coragem para arriscar fazer o que mais queremos é afinal, tudo o que precisamos para sermos felizes. O dia-a-dia ensinou-me que a felicidade vem das tais coisas simples de que não nos privamos. Se nos permitirmos fazer as coisas só porque sim, ou porque nos apetece - e porque, afinal, não há nenhum bom motivo para não as fazermos. O mais provável é que é amanhã acordemos mais felizes, pelo simples fato de termos ousado desbravar mais um caminho, mesmo que não seja o certo (ou o que os outros chamam de certo).”

Laurinda Alves