Sobre beijo em Vancouver, Amy e ataque na Noruega

Dias atrás eu quis falar sobre isso, mas acabei não tendo tempo para escrever e ontem, quando me irritei ao ver 16 minutos de reportagem falando sobre a morte nada surpreendente da Amy, lembrei do assunto. Mês passado um jovem casal tornou-se notícia na grande rede. O time de hóquei de Vancouver perdeu a final do campeonato norte-americano de hóquei no gelo e os torcedores foram às ruas durante madrugada para protestar. Apesar das lojas terem sido saqueadas, veículos incendiados e policiais terem usado gás lacrimogêneo, o que ganhou destaque foi a foto de um casal se beijando em meio ao caos. A imagem se espalhou pela internet e diversas opções para o fato foram criadas. O que me chamou atenção foi a decepção de grande parte das pessoas ao descobrir que não se tratava de uma inesperada cena romântica e sim de um gesto de consolo após um ataque violento da polícia canadense. A impressão que tive foi de que enquanto não sabiam da verdade, o fato parecia mais interessante, isso porque estão buscando referencias de amor e cuidado diante de tanta indiferença em nossos dias. Talvez a cena do beijo em meio ao caos tenha nos chamado atenção porque já tenhamos nos acostumado com o que é feio, cinza, maldoso e mesquinho.
O amor e o cuidado tornaram-se tão raros que foram parar entre os mais buscados, ganharam destaque da imprensa mundial e motivo desse post. Definitivamente tem algo errado na ordem mundial, os valores estão invertidos há muito tempo....
Ah, e o que a morte da Amy tem a ver com este assunto? Estão dando mais destaque a morte de uma pessoa que não deu bons exemplos, de vida errante e que abriu mão do talento que possuía pelo vício do que a um ataque de um terrorista em que mais de 90 pessoas perderam suas vidas. Sou contra a mídia sensacionalista, não quero ficar vendo de 5 em 5 minutos algo sobre o atirador, sua infância, seus traumas, nada disso... Não aceito que transformem uma cantora viciada em ‘pseudodeusa’ porque está morta. O que não dá pra acreditar é que agora que ela morreu virou santa... não mesmo!

Sobre perder alguém

Conheci Jacqueline envolvida numa causa nobre: a inclusão de surdos no meio corporativo. Além de interprete, ela nos deu dicas de como tratar estes profissionais em nosso cotidiano. Tivemos a chance de conversar um pouco mais e para minha surpresa, me contou ser viúva. Não pense você, meu querido leitor, que ela é uma velha senhora, repleta de filhos e netos, em fim de carreira e resolveu ser interprete de LIBRAS. A Jacqueline é jovem e ficou viúva dois anos após seu casamento. Sofreu, chorou e recomeçou sua vida. Namorou outra pessoa, ficou noiva e novamente encarou a dor de perder para a morte quem amou. Sentiu pena? Não sinta, ela não transmite autocomiseração quando conta pelo que passou. Admire-a. Ela transformou a dor em uma forma de fazer mais pelos outros. Foi para o Haiti após o terremoto de janeiro do ano passado, trabalhou na região serrana ajudando famílias após as tragédias deste ano e enquanto escrevo, está em algum lugar do Amazonas fazendo a diferença na vida de alguém. África é o seu objetivo e tenho certeza que irá alcançá-lo.
Depois de Jacqueline ter partilhado sua história comigo e mais duas colegas, conversamos sobre quanto perder assusta. Ninguém quer experimentar a dor de enterrar a pessoa que ama, mas também não dá para alimentar esse medo e ficar constantemente sobressaltada. Eu já tive muito mais medo que hoje. Medo de perder mãe, irmãos, marido, amigos... Hoje procuro não pensar mais nisso. Onze anos atrás meu avô faleceu. Dói até hoje, mas com intensidades variadas. De tempos em tempos a saudade aperta um pouco mais e espreme algumas lágrimas, mas a alegria de ter convivido com o Seu Alfredo é bem maior. Comparo o medo da perda a um trem a vapor. Fazer este trem andar significa paralisar sua vida. Imagine como seria sufocante para os meus amados se, por conta do medo de enfrentar a dor que senti ao perder meu avô, eu resolvesse sobrecarregá-los com meus temores?
Não julgo saudável alimentar medos, principalmente aqueles que roubam de nós a alegria do dia a dia. Tenho medo de altura e isso me faz evitar certos lugares, mas não me impede de atravessar uma passarela entre dois prédios (mesmo que lentamente,rs*). A experiência de vida da Jacqueline não é regra, assim como a de ninguém será. O jeito é viver da melhor forma possível a cada dia, sabendo que estamos sujeitos a perder quem amamos, não apenas para a morte, mas para a indiferença, o descaso, a falta de tempo. Quantos mais irão chorar o arrependimento de ter perdido oportunidades e só se deram conta disso quando a morte pôs o ponto final para quem esperou uma ligação, visita, cuidado? Quantos filhos ainda irão lamentar o amargo gosto do arrependimento por não terem assistido seus pais quando tiveram a chance? Quantos pais irão perder a confiança e amizade de seus filhos por terem priorizado outras coisas? A morte em vida é tão dolorosa quanto a que exige uma pá de cal.
Algo que eu posso definir como certo e concreto em minha vida, é que não deixo para dizer amanhã o quanto eu amo e me importo com algumas pessoas. Não terei o arrependimento de não ter demonstrado aos meus amados quão preciosos eles são para mim, não por viver atemorizada pela morte, mas por entender que construo relacionamentos saudáveis desta maneira.
Se algum dia tive alguma pretensão ao escrever, posso dizer que foi a de transmitir algo de positivo para quem lê, fazer a diferença na vida de alguém. Se depois de ler este texto UMA pessoa dedicar um pouco mais de tempo a quem ama por entender que a morte é só uma forma definitiva de perda, e não a única, ficarei muito feliz em ter alcançado meu objetivo. Não ter a companhia de quem se ama porque a morte levou é definitivo, mas por indiferença não! Isso pode ser mudado, quem sabe hoje, quem sabe agora....

Cada gesto conta

Nunca me considerei a versão moderninha da Pollyanna. Não consigo só ver o lado bom das coisas, não faço o jogo do contente e tenho meus dias de humor duvidoso, em que fico quase insuportável de tão azeda. Não sou a Pollyana, mas me alegro com os detalhes, valorizo pequenas alegrias. Pra mim cada gesto conta, principalmente os mais simples e vejo minha felicidade refletida neles. Tomar café na padaria (ainda que seja correndo pra não perder a hora), pode não ser o mais glamuroso dos programas, mas com certeza foi uma oportunidade  para observar que felicidade pode estar na simplicidade de um café com leite e pão fresquinho partilhado com pessoas queridas!

Sobre nada e tantas coisas

Já perdi as contas de quantas vezes comecei textos e os deixei pela metade. Tenho um bloco de inspirações repleto deles. Só ontem iniciei três, mas nenhum me pareceu suficientemente bom pra vir morar aqui. Isso não significa que este seja, mas mostra que ando ainda mais criteriosa com o que ando mostrando. Falar somente de mim nos textos seria chato, sem graça e o assunto logo esgotaria, não tenho uma vida tão cheia de aventuras. Falar sobre o que eu observo, sobre a vida quem está ao meu lado partilhando experiências, angustias e felicidades é legal, mas chega uma hora que a superficialidade me incomoda. Meu chefe costuma dizer que na hora de criar, devemos apenas criar e na hora de julgar, apenas julgar – nunca fazer os dois ao mesmo tempo. Quando crio algum texto e julgo que ele não está bom, profundo, necessário ou significativo sei que posso acabar impedindo que algo legal venha parar aqui, mas é que prefiro deixar as coisas como estão a expor ideias idiotas ou que depois irei me arrepender por ter publicado. Acho que todo esse blá blá blá só mostra o quanto eu ando cansada e o quanto este cansaço tem afetado meu processo criativo (entre outras coisas). Mas isso logo passa, mês que vem estarei de férias e pretendo dormir até tarde (8h é puro luxo!) e colocar meus estafados neurônios num SPA (sonhar não custa nada) ...

Você é...

Já acordo espirrando. Abro a janela e a vizinha começa sua faxina semanal ao som de Roberto Carlos. Ela ouve todas as fases e os vizinhos também. Hoje acordei ao som de Garota papo firme, mas está difícil me sentir assim (mais uma crise alérgica!) e nem entrei na vibe. Mas não resisti a Você foi. Lembrei de uma versão que a banda do Capitão Nascimento Wagner Moura fez. A música de Roberto é triste, sofrida, quase uma novela mexicana enquanto a versão do Capitão é rockfelizloveisintheair. Quem quiser conferir, clica aqui. A do Roberto chora um amor do passado (você foi), a do Capitão celebra um amor atual (você É).
Essa versão é mega boa e combina perfeitamente com minha felicidade em completar mais um ano ao lado do homem que “é o melhor dos meus dias, a maior alegria que eu podia ter...” Não sei se terei condições de comemorar hoje, mas o que importa é que meu coraçãozinho está que é só amor...
Beijos e bom fim de semana!

Sobre viagens, cultura e a FLIP

Estava devendo alguns detalhes das viagens, principalmente pelo cunho cultural e literário que tiveram , (e tem tudo a ver com o blog). Estive em São Paulo no último mês e visitei museus, parques e shoppings (óbvio!). Fiquei maravilhada no Museu de Língua Portuguesa por conta do conteúdo riquíssimo que estava sendo ofertado aos meus olhos míopes. A Pinacoteca é incrível, sua arquitetura é fantástica e muito bem organizada. O Museu do Ipiranga é lindo e todo o parque a sua volta é deslumbrante. A Casa do Grito, que fica neste parque oferece ainda mais informações sobre o grito de Independência. Minha visita a São Paulo só não foi melhor, pois eu tinha que dormir entre os dias, pois se tivesse conseguido ficar 72 horas no ar, tinha aproveitado ainda mais, rs*. Não me decepcionei com absolutamente nada do que eu vi por lá. Metrô eficiente, limpo, organizado. Policiamento em quase todos os locais por onde passei e graças a Deus, nada de engarrafamento!
Mas a FLIP me decepcionou! E muito. Paraty é uma cidade fantástica e valeu ter encarado a estrada às 4h da manhã para conhecê-la. Mas encarar filas, ambientes abarrotados de pessoas esnobes, me cansou. E o espaço dedicado à venda de livros? Pequeno, cheio e sem tantas opções. A estrutura para o público infantil também julguei insuficiente. Se você não conquista leitores na infância será muito difícil conquista-los quando forem adultos. “Ah, mas a feira não é para crianças...” Mas a qualidade do que foi oferecido para quem lida com este público poderia ser infinitamente melhor. Pretendo ir novamente ano que vem, assistir uma palestra ou outra sobre Carlos Drumonnd de Andrade e andar muito entre as inúmeras lojas com artesanato local. Para comprar livros e participar de debates literários certamente a minha opção será a Bienal do Livro, que acontecerá de 01 a 11 de setembro deste ano, no Riocentro/RJ.

Voltando a ativa

Fiquei alguns dias quebrando a cabeça tentando fazer do meu blog um lugar mais agradável. Paguei um mico terrível, achei que estava “abafando” tirando o blog do ar e  colocando uma imagem informando a reforma e na verdade ele estava visível pra todo mundo. Aff... Agradeço muito a ajuda do Léo Geter, Suzane Barbosa e Wagner Almeida que me ajudaram a deixar o “Escritora em Construção” mais parecido com o que eu queria. Ainda tenho algumas idéias em mente, mas dá pra ir colocando no lugar aos poucos. Já até fiz orçamento com uma pessoa especializada em cuidar de sites e blogs, agora é só esperar o patrocinador (na verdade maridocinador) desembolsar a verba.
Mudando de assunto, tenho que atualizar meus leitores sobre minhas viagens! São Paulo me conquistou de vez. Aliás, as opções culturais me deixaram entusiasmada demais! Pinacoteca, Museu da Língua Portuguesa, Museu do Ipiranga... cada lugar mais enriquecedor que o outro. E Paraty? Estive na cidade por ocasião da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) e fiquei maravilhada com o local. O evento me decepcionou bastante, mas a cidade não. Até o fato de ter ficado perdida (sim, eu e mais duas amigas nos perdemos) fez com que conhecêssemos a cidade pelos olhos dos moradores e não apenas o pólo turístico.
Fotos? Ainda não decidi se irei postar fotos ou não, se decidir, teremos uma edição extraordinária...rs*.
Por enquanto é só!
 
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