sábado, 31 de dezembro de 2011

Dois mil e todo...


Que 2012 seja tudo o que precisamos e muito mais do que esperamos!
Feliz ano todo!
“Faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.” Ed René Kivitz

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Homens de uma certa idade

“Batidas na porta da frente. É o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumento, mas fico sem jeito calado, ele ri. Ele zomba do quanto eu chorei, porque sabe passar e eu não sei.” Resposta ao tempo – Nana Caymmi



Nós mulheres insistimos em brigar com o tempo em disputar com ele. Cremes, plásticas, fontes milagrosas da juventude, até certa falsa imaturidade pra jovializar o seu verdadeiro tempo. Sofremos, choramos por cada ruga conquistada com lágrimas e sorrisos. Reclamamos da pele que curtiu um belo por do sol, ignoramos a lei da gravidade quando não nos incomoda e depois a amaldiçoamos quando somos atingidas por ela. Tudo o que nos levou a ser carregada pelo tempo, foi a vida, bem vivida e não deveríamos nos importar com a idade que ele nos impõe. Mas os homens... Ah os homens eles não ligam e são abençoados pelo tempo! E o que há entre os homens e o tempo? Porque muitos deles nos causam inveja e são motivos de tortura. Lindos quando jovens, e um poço de charme exalando por todos os poros independente das rugas que os acompanhem. Que espécie de trato é esse que dá corpo, suavidade, beleza e cor a maturidade de um homem? Já fui muito criticada por me encantar por homens mais velhos, mas é a experiência, o olhar maturado, o sorriso dado na hora certa, a firmeza de opiniões, o saber e dominar sua melhor essência, mostrando-a pacientemente. É a qualidade em detrimento da quantidade, é a básica diferença entre degustação e um porre. Bom, fico por aqui, afinal são apenas divagações de uma eterna fã e apreciadora de homens de certa idade.

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#sópraquementende

Sobre a gente ficar junto

A gente ficou junto e pronto. Não havia plural, mas os abraços, o companheirismo e as risadas noite a fora eram nossa realidade. A gente entendia celular desligado e mãos dadas. Eu sorria toda vez que você dedilhava uma canção do Van Hallen, e você me achava sua melhor plateia. Sem intenções veladas, só sonhos que ninguém tinha coragem de contar. Eu estava ali, por completo - crítica e mal humorada, e você com o sorriso mais encantador das manhãs. Perdi as contas de quantas vezes me equilibrei nos reencontros, nas despedidas e  principalmente nos embates irritantes com quem sempre soube como conduzir meu temperamento difícil.

A gente sempre ficou junto. Sempre. Mesmo longe, quando você foi viver sua aventura na Califórnia. Você sempre entendeu meus olhares, enquanto eu aprendia o teu silencio. Eu nunca tomei jeito... Está tudo tão bom como está, e eu sei que poderia ser diferente. Sou patética, não sei lidar com essas voltas que a vida dá. Mas, e daí? Há de ser uma crise dessas internas, quando o sentido de tudo vai embora no primeiro avião para Bali. Deve ser instinto, algo maior que eu, maior que meu entendimento, maior que minha fixação por Neruda e Machado.

E a gente vai ficar junto, mesmo que seja durante essa música. E nem venha me dizer que ela não faz sentido. Sempre fez. Fazia sentido anos atrás e fará até que inventem outra história melhor que essa. Não vou começar a velha-ladainha-de-sempre de que você deveria ter tentado me dizer uma vez mais; de que daria certo, de que seriamos só nós dois no verão americano. Sei que você tentou me dizer e a voz falhou no refrão. Sei, mas nessa última dança, quero fechar os olhos mais uma vez e imaginar que a música tem mais que 4 minutos, que a rua está vazia e que a gente vai ficar junto, como sempre e para sempre.


domingo, 18 de dezembro de 2011

Minha humanidade

“(...)Sou tão humana, Meu Deus! E no processo de lapidação, joguei fora algumas das minhas arestas, que talvez fossem o que eu tinha de mais valioso. Sou apenas alguém que escreve, que oscila, que anseia, que sofre, que ama, que acorda de madrugada pra pensar e tem inveja dos que dormem tão profundamente àquela hora. Não tenho nada que outra pessoa não possa desenvolver também. Não há limite que eu não possa superar. E se você me encontrar por aí, ou por aqui dizendo coisas e mais coisas, duvide de mim também. Sou apenas mais um na multidão que, enquanto caminha, vai deixando pra trás certezas, adereços, endereços...”
Marla de Queiroz

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Não sou boa em esquecer

Perdi as contas de quantas vezes peguei o telefone e disquei seu número sem completar a ligação... Tive vontade de saber como está a vida, como estão os negócios, se fez as pazes com o amigo que se zangou e foi embora, mas faltou coragem. Esqueci de contar: estou a caminho. A vida planejou e esqueceu de me preparar. Sempre imaginei que este encontro seria detalhadamente sincronizado com nossos desejos e interesses.  Nem adianta argumentar, a ironia da vida supera qualquer tentativa de me impedir de chegar em algumas horas. As placas insistem em exibir a minha inquietação. Faz frio em mim...

A imagem do seu quarto minuciosamente organizado me veio a mente. As conversas despretensiosas, a bateria que insistia em acabar, a voz sonolenta e educada pela manhã, a plantação de eucalipto que nunca vi. Perdi o foco e o tempo correu. Não li mais do que dois parágrafos do livro que trouxe agarrado entre as mãos. Criar diálogos para nosso encontro e ensaiar sorrisos comedidos me ocupou durante as longas horas até aqui.

Amanheceu e não tenho coragem de sair do hotel. Não quero correr o risco atravessar a rua e lhe encontrar tomando café na padaria da esquina, cumprimentando a todos com seu jeito popular, quase político de tratar as pessoas. Eu preciso dizer tantas coisas, mas não pode ser desse jeito. Somos pessoas diferentes. Todos nós. O casal apaixonado nem de longe lembra o casal que se desfez, e eles não se parecem com as pessoas que nos tornamos. Fizemos tudo um pelo outro. Fizemos. Estamos completamente sarados de nossas mágoas. Vou prender a respiração quando lhe encontrar. Não quero inspirar seu cheiro, seu perfume caro e loção pós-barba. Juro que dessa vez estamos refeitos, imunes. Nossas peles não possuem mais memória. O coração não vai disparar quando você pronunciar meu nome.

Vou despejar tudo de olhos fechados, pra não ver seus olhar penetrante. Ouvir todas as suas histórias com pupilas curiosas e ouvidos atentos, e toda vez que lembrar dos beijos que não existem mais, vou pensar nas contas que irão vencer dia 10. E quando você perguntar se sinto sua falta, serei enfática: negarei. Com a boca, direi não. Com o corpo treinado durante a viagem, direi não.  Agora não dá mais, perecemos.

Mas você me conhece melhor do que qualquer pessoa... Fez meu manual de instruções, entende meus pensamentos e olhares... Desço as escadas, e encontro você próximo á porta do saguão. Jeans, camisa pólo e braços abertos. Enquanto me aproximo, seu sorriso provoca uma grande amnésia e tudo muda de figura... Mais uma vez...


TEXTO FICTÍCIO escrito depois de semanas sem rascunhar histórias, uma canção me inspirou: Back to you, John Mayer

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Duas e dez ou oito e meia



Para ler ao som de Cartola




Treinei meus olhos para encontrar beleza no que é simples e alegria no cotidiano. Falo bastante, o volume da minha risada é alto, abraço as pessoas. Minha gramática é limitada. Conheço a geografia que me interessa e só consigo completar operações matemáticas com calculadora. É irritante sofrer de insônia, ainda que não seja com freqüência. Não é que eu tenha problemas com sono, ele me ama. Aliás, me ama ardentemente, principalmente durante o dia, depois de a insônia ter me feito juras de amor a noite. E é um saco. Coleciono receitas de remedinhos para dormir, me recuso a comprá-los. Até tenho uma caixinha na gaveta do criado-mudo, mas ela completou seu terceiro aniversário e em fevereiro irá partir desta para melhor. Se a semana está muito mais difícil que o de costume, apelo para metade de um comprimido e começo a chamar os carneirinhos por ordem alfabética. Mas o leitor desse blog não tem nada a ver com o que eu tomo ou deixo de tomar; se eu estou dormindo bem ou passando as noites em baladas... O leitor quer ler, e pronto. E tem lido pouco. Não tenho conseguido me dedicar com o devido respeito às palavras para este blog. Posso culpar a falta de tempo, o excesso de inspiração e cuidado para não expor o que é particular... Posso arrumar inúmeras desculpas, mas a verdade é que eu continuo a mesma pessoa, mas com algumas palavras guardadinhas (na mente e no note), e que logo virão pra cá. É só uma questão de tempo... E não importa se são duas e dez ou oito e meia, meu mundo continua em constante construção...