Esperando que a vida passe


Chega uma hora em que a gente realmente cansa de confiar e começa a achar que só existe gente má, mentirosa, que ilude e usa as pessoas a sua volta por interesse. Sofri muito quando pessoas assim cruzaram meu caminho. A dor não passou. Ainda é conjugada no verbo presente e o coração dói tanto, tanto, que a dor passou a ser física. Posso jurar que o peito irá explodir a qualquer momento, tamanha a dor. 

Em algum momento, ficamos velhos e desistimos de nós, dos outros, dos sonhos... Ficamos cansados demais até mesmo da ideia de recomeçar e acreditar que as pessoas podem ser boas, honestas, verdadeiras. Algumas pessoas deixam bagagem pelo caminho, outras se perdem nele. Perdem a alegria, tranquilidade, o riso, o sonho. Eu entendo quem se perde. Diante de tanta dor, é fácil compreender que nem todos os sonhos foram feitos para a realidade. A gente cansa de viver armado, de ter todos os argumentos, de buscar a razão para tudo. Então simplesmente desiste de caminhar e fica olhando para aquilo que nos angustia com a sensação de foi vencido. Sem forças para levantar e protestar, passa a conviver com a dor da gente e a dos outros.

De repente senti que está tarde demais para abrir mão daquilo que aprendi a lidar, já aceitei que a vida é desse jeito e permito que ela passe. Simplesmente passe.

[Sem técnicas, apenas desabafo]


Sementes de cura

"Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa.Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar.O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia; enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega." 

 Ana Jácomo

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Para as Comadres
 

Ouvir o riso

Mais uma do Pequeno Príncipe. #amo




Imagem daqui

Fragmentos #2

 Sobre seus olhos de querer bem


Para ler ao som de Pés cansados 


O medo dela era tão óbvio, tão claro, só ele não compreendia. Conhecia o caminho até ali, sabia dizer onde se perdeu e o que a feriu. Tinha medo daqueles olhos de querer bem, da forma como ele a conhecia melhor que qualquer pessoa. Nunca foram almas gêmeas, nunca foram iguais, sempre diferentes, mas se completavam. Tanto tempo havia passado, o mundo deles tinha mudado tanto, dado tantas voltas, mas permaneciam juntos, ainda que separados.
Enquanto admirava aquela imensidão azul, questionava o que faria com tantos medos. Tinha medo de descobrir que aquele encontro era só mais um engano em sua coleção. Tinha medo de novamente de acreditar, de sonhar. Interrompendo seus devaneios, sacudiu a cabeça e repetiu a frase que lhe acompanhou nos últimos tempos “sonhos não são para garotas como eu”, e como um botão que é desligado repentinamente, já não pensou mais no encontro, em seus medos ou no que faria a seguir.
Naquele momento, suas certezas eram duvidosas e suas dúvidas avassaladoras. Não queria mais pensar em nada. Num salto desesperado e urgente, mergulhou. Só o mar acalmava seus pensamentos, só o mar abafava o som de tantos medos.

Você é meu óculos


Para ler ao som de Sei


- Isso é igual a quando a gente precisa de óculos.

- Como assim?

- Quando eu era criança eu tinha umas dores de cabeça e eu fui ao oftalmologista e ele me disse que eu precisaria usar óculos e, eu não entendi não fazia sentido pra mim por que a minha visão era boa e eu ganhei os óculos e eu coloquei e eu estava no carro indo pra casa e de repente eu gritei, por que os borrões verdes que eu vi durante a minha vida toda, eles não eram borrões, eram folhas nas árvores, e eu pude ver as folhas, e eu nem sabia que sentia falta delas eu não sabia que elas existiam e de repente, folhas. Você é meu óculos.

Grey's Anatomy

Tanta falta...


“Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.” José Saramago


Encontrei uma pasta em minha caixa de e-mails com mensagens de anos atrás... Tantos registros, histórias, aprendizados, algumas brigas, rs. 
Somos feitos de pessoas que passam por nossas vidas e marcados por suas atitudes. Depois de um tempo, ficam as lembranças das risadas, ligações intermináveis, mensagens de texto, músicas... 
Meu Deus, de repente a saudade me bateu com um porrete!






Quem é você?



Muito prazer, eu sou Ana Santos, mas isso você já deve saber. Você visita o blog, conhece através das postagens um pouco do que me emociona, daquilo que observo, e até as matérias que faço, mas eu não lhe conheço. 
Que tal você se apresentar? Pra começar, me diga seu nome, onde mora e o que acha do blog...  Ao invés de comentar aqui, acho legal a gente trocar ideias por e-mail, assim eu consigo responder a todos. É só mandar uma mensagem escritoraemconstrucao@bol.com.br  pra gente trocar algumas ideias ... 


Grande abraço!

Fragmentos #34



"...A vida poderia ser menos irônica de vez em quando. Ele era realmente uma pessoa fascinante. Diferente em contradições e defeitos, mas não queria essa coisa de suspiros e querência. Não era capricho, era autopreservação. Gostava do sorriso dele, das mãos que brincavam com seus cabelos e dos olhos tão expressivos... Mas um dia, ele sorriu e ela se tornou refém do que mais temia."

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Fazendo as pazes com a escrita.
Ao som de 14 Bis - Todo azul do mar

O tom da lembrança...



Pra ler ao som de I Won't Give Up


"Lembrar com amor é oferecer, no coração, um sorriso que se expande. (..) É um modo de abraço, não importa o aparente tamanho da distância, nem as enganosas cercas do tempo. Lembrar com amor é levar a vida, no exato instante da lembrança, ao lugar onde a outra vida está e plantar uma nova muda de ternura por lá." Ana Jácomo



O inverno veio se despedir de mim e trouxe a mais latente, e talvez mais terna e dolorosa lembrança que tenho de você: o céu colorido em tons de vermelho. Arrancam-se raízes bem profundas do coração mas deixam o som de uma gargalhada gravado na memória. Enfim sou capaz de visitar memórias e reescrever uma história tão particular, tão sua e unicamente minha. Uma história que teve seu final feliz, do nosso jeito, da maneira que deveria ser, do jeito que foi... felizes para sempre, cada um a seu modo.
Enquanto o céu muda de cor e o ponteiro avança impiedosamente sobre as horas, me dou conta do tempo que se passou. Parece que foi ontem o sábado de pé quebrado que mudou meu jeito de pensar e sentir, mas são anos que nos afastam e me aproximam de uma visão unilateral das escolhas que fizemos.

A gente se acostuma...


Tão verdadeiro que dói feito um tapa na cara!



"A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer."




Sobre o tempo e as decepções


 "...Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos." A.D.


Leia ao som de Alicia Keys 


Se a experiência me ensinou algo é que algumas dores são tão profundas e avassaladoras quanto as de um coração partido, e nem sempre o tempo é o remédio necessário para curá-las. A dor que estou convivendo há algumas semanas envolve uma decepção muito particular, tão presa em meus dedos que quase sangram. Esta dor se misturou com aromas e sons. Estar novamente no lugar que por tantos anos fez parte da minha vida despertou mais do que lembranças, me fez lembrar quem fui e quem sempre desejei ser. Tudo está tão diferente... Colecionei erros, segredos e encontrei o pretexto ideal para jamais retornar. Mas não tive opção e agora encontro rostos desconhecidos, corredores em que me perco e a sensação de que não pertenço aquele lugar. Será que algum dia pertenci? Minha história estava impregnada em paredes que foram demolidas. Muros foram construídos onde acreditei que meus sonhos poderiam ser realizados. Por ironia da vida, estou diante de tudo aquilo que sempre desejei, e sequer posso tocar. Estou diante da Ana que eu poderia ter sido e por escolhas, acertadas ou não, jamais serei. Sinto saudade de quando eu ainda acreditava que era possível ser melhor.



Sobre escrever e algo mais


Não tenho dificuldades em escrever sobre as coisas que me acontecem ou me inspiram. Minha dificuldade sempre foi escrever sobre assuntos que não me tocam, que não me “envolvem” de alguma forma. Escolhi o jornalismo sabendo que este seria um bloqueio a ser vencido. Algumas pautas são mais difíceis que outras, mas tenho consciência de que nem sempre poderei escrever sobre o que gosto ou tenho vontade.
Mas hoje quero escrever sobre tantas coisas e elas simplesmente parecem me atropelar. Quero falar sobre como minha intuição não me enganou quando conheci uma determinada pessoa. Toda vez que nos encontrávamos, não sentia paz, ao contrário, me sentia incomodada, afrontada por algo que eu não sabia explicar. Pois não demorou nada para que eu visse a verdadeira face desta pessoa. Ainda estou explodindo de raiva, mas aliviada por ter sido poupada de maiores prejuízos.
Queria escrever sobre perdão e amizade caminharem de mãos dadas, mas a alegria de ouvir novamente a voz de um amigo é maior que qualquer parágrafo mal escrito aqui.
Queria dissertar sobre minhas dúvidas quanto a este blog. Será que um dia, vai voltar a ser o que foi? Ele guarda tantas memórias, tantas histórias – minhas ou não, mas abriga o registro de vidas que me marcaram e que me transformaram no que sou. Ele tem mais de mim do que RG, CPF e Passaporte. Ele tem a minha escrita, músicas que me emocionaram, histórias que jamais voltarei a escrever, de pessoas que jamais voltarei a ver. Este blog é como meu relicário aberto a visitação. 

Coração apertado

Todo mundo conhece essa sensação, né? Entende desse nó que aprisiona mais que qualquer cadeia. E o meu anda apertado, cheio, quase transbordando uma série de emoções, alegrias e perturbações. Mas ele vai batendo, dando o ritmo de muitas escolhas e continua guardando os tesouros mais preciosos e alguns dos medos que não ouso encarar neste momento. Nele também está guardado o desejo de que esta jornada aconteça mais calmamente, com janela aberta e vento nos cabelos. A vida anda acelerada demais e o tempo escapando entre os dedos. O jeito é seguir caminhando e acreditar que uma hora o coração desaperta e passa a bater mais suavemente. 
 
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