quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sobre como continuo humana

Uma vez li num texto de Clarissa Corrêa que “choro é coisa íntima, é que nem beijo”, por isso não dá pra chorar ou beijar na frente de todo mundo. Mas tem dias que, por pura necessidade (ou descontrole hormonal/emocional, rs rs) a gente não aguenta, desaba e aí, já era... chora! Chora porque idealiza situações, pessoas, coisas e depois descobre que errou feio ou porque fez planos que foram modificados sem aviso prévio. Chora porque acredita que superou uma perda e descobre que ainda dói quando lembra, ou porque tem problemas de gente grande e não sabe como resolver. Chora e não existe rímel a prova de dores da alma, porque ele vai borrar enquanto você desaba depois de ter se exposto tanto, de ter dado a cara pra bater, mesmo tendo gente impondo mentiras deslavadas como regra de conduta. Eu sou dessa gente que chora, e quer saber? Essa semana chorei, viu? Chorei em público e sozinha; chorei e me senti leve, chorei e me senti novamente dona das minhas emoções. Chorei e continuo humana. E se necessário for, vou chorar antes de atravessar a vida outra vez.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Abrace!

Abraçar, abraços, braços sempre abertos
Incrível que quando pequenos sempre o encontramos
Todos te pegam no colo, te abraçam apertando com um motivo ou sem
A segurança, o conforto, o carinho sempre estiveram ali ao alcance de um braço ou dois
Há tanta paz num abraço, você pode rir ou chorar.
Um abraço verdadeiro, de frente, de peito, corpo inteiro.
Encaixando dois corações felizes ou tristes.
Um que confortar e outro quer ser confortado.
Abraço com cheiro, cheiro bom de felicidade, tranqüilidade.
Abraço de bebê, aquele que te faz suspirar e adormecer de tão seguro que está.
Dizem que toda pessoa precisa de pelo menos oito abraços por dia para ter uma pequena sensação de felicidade.
Porém no mundo moderno onde o individualismo impera,
os braços tendem a estar cruzados e frios e as pessoas mais sós
Distantes de tudo que se chama “lar” para tudo aquilo que se chama
“realização profissional” travestido em “realização pessoal”.
O que é o mesmo que calçar um pé 38 em um 36, nunca será confortável ou bom o suficiente.
Em um mundo onde o que importa é: “Só te quero perto se me oferecer alguma coisa!”
O contato se torna meramente digital, ou só para uma xícara de café.
O se dar a conhecer e ser mutuamente conhecido tornou-se obsoleto,
perda de tempo e a quantidade de divorcio aumenta a cada dia.
A troca tem sido constante, a satisfação rara.
Desconhecidos com desconhecidos sem tempo para se conhecer,
frustam-se todos os dias com a decisão tomada.
A superficialidade afastou os braços, os restringiu ao aperto de mão.
Afastou os lábios, hoje se cumprimentam com beijinhos no ar.
Mesmo carecendo desse afeto terno, nos isolamos.
João...( Taí um cara interessante), hoje diriam ousado,
porém dentre os doze, aquele que experimentou os braços mais cheios de amor deste mundo.
Experimentou os braços que nunca se cruzaram, nem para uma prostituta,
nem para uma samaritana adultera, nem para um cego, nem para um ladrão...
Nem pra mim , muito menos pra você.
João ouviu seu coração bater, sentiu seu calor, sentiu esse amor de perto.
Hoje há uma pergunta que não quer calar:
Num mundo de braços cruzados e frios, quem daria seus braços para um abraço?
Ele continua de braços abertos, ousaria manter os seus cruzados?!
Abrace! Seus braços podem trazer alegria por apenas um dia.
Mudar uma história, ou quem sabe uma vida. 

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 22 de maio - Dia do abraço. Abrace, sem pudor, reservas ou garantias. Abrace, envolva-se, emocione alguém.
Abrace!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O que ficou de nós



Agora sou a prova viva de que nada nessa vida é pra sempre até que prove o contrário”

Seria tão triste passar as noites em claro pensando "e se...", mas nós construímos nossa história repleta de memórias. História que ficou gravada e eternizada em nós, nos livros e em todos aqueles que viveram ao nosso lado. E daquele amor restaram as palavras ditas, as promessas feitas, os sonhos desenhados no contorno dos seus abraços. Ficaram as músicas que embalavam nossas viagens, as meninas crescendo e sendo aceitas na faculdade. O sol riscando de laranja o céu pela manhã, as rosas vermelhas tatuadas na memória, a vontade de envelhecer ao teu lado e o perfume que inebria o pensamento... Todos nós temos que lidar com as consequências de nossas escolhas, e o que restou de todo aquele amor, fomos nós dois. Dois caminhos, duas vidas distanciadas por escolhas difíceis.  Mais si je pouvais un instant à travers le temps et l'espace, serait dans tes brás je voudrais maintenant (...).

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Ao som de Sensações

terça-feira, 15 de maio de 2012

Família

Hoje é considerado o dia internacional da família. Posso dizer então, que é o dia internacional das pessoas essenciais em minha vida. Porque família não é só aquela que me foi dada por Deus, mas também aquela que escolhi fazer parte. Amigos também se tornam nossa família depois de um tempo (e alguns perrengues, rs*).  Família é mais do que papai-mamãe-filhinho, é amigo que sabe que você está na pior e não espera que você peça ajuda, ele chega antes da necessidade. É amizade a toda prova, em qualquer situação ou circunstância.

Família é saber que eles estarão sempre lá (para o que der e vier), e eu sempre com eles!

É minha sustentação, o farol em meio a tempestade, minha alegria, porto seguro, meu maior patrimônio. 

Família, amo vocês! Que Deus continue abençoando a cada um, realizando os sonhos e provendo sustento para toda e qualquer necessidade!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sobre alegrias tão simples

E de repente, alguém tão longe, atravessou oceanos e iluminou o meu dia.  Fez de um gesto, motivo de seu texto. É, pessoas ainda me surpreendem e sonhos tão grandes e audaciosos quanto os meus, me encantam.

domingo, 13 de maio de 2012

Quem dera

"Mais longe é mais perto, mais difícil fazer o correto do que estar certo"


Quem dera tivesse sido o sonho de outra pessoa. Agora que acabou, procuro palavras para dizer que foi muito mais do que imaginei, mas foi também muito menos do que poderia ter sido. Terei sempre a imagem inacabada do que fomos, feito um entalhe em minha memória. É exatamente esta imagem que me protege da mágoa, mas, também expõe a única verdade que conheci sobre você. Aquela em que haverá alguém que irá se aproximar demasiadamente, alguém que lhe fará sorrir, lembrar, cantar, sonhar, assim como haverá a realidade, e nela, alguém como eu. Quem dera não tivesse sido tão desejável, tão envolvente, tão longe do que somos e temos ...


Texto escrito com inspiração musical de "Cedo meu lugar",
Composição do amigo João Pedro Coimbra

sábado, 12 de maio de 2012

Permitir a felicidade

Algarve, maio de 2008.

Eric,
Não me lembro de quando foi a última vez que escrevi uma carta, mas talvez esta seja a única oportunidade que eu tenha para lhe falar tudo aquilo que venho pensando e sentindo nos últimos tempos.
Confiança: foi isso que encontrei nos seus olhos. Confiança para contar segredos, para falar o que penso, para ser séria e chata, mas também para ser adolescente e engraçada. Confiar em você foi uma escolha da qual eu acredito que não irei me arrepender nunca, afinal de contas, como alguém com olhar tão profundo, não seria digno de tamanha confiança?
Eu estava tão bem, tão segura. Tinha certeza de tudo a minha volta. Estava bem profissionalmente, em paz comigo e com meus sonhos, mas você chegou tão suavemente e com tanta sinceridade, que me fez perceber que eu poderia viver, a partir daquele encontro, a melhor fase da minha vida. Pé atrás, isso assusta. Canja de galinha e prudência nunca fizeram mal a ninguém. Mas, por que não tentar? Por que não arriscar viver a felicidade fora do padrão desta sociedade que nos rodeia? Vamos abrir os braços e girar na chuva, atravessar estradas e experimentar sabores, vamos nos permitir. Vamos permitir que a vida que há em nossos pulmões seja gasta e consumida em risadas, abraços e café da manhã. Aceite que mesmo sem imaginar que seria assim, você me fez lembrar como é bom enxergar a vida com leveza. Vamos nos permitir a troca, a paz... Vamos nos permitir viver a alegria simples.
Vamos nos permitir a felicidade!


Com todo carinho,
Layla



*
 2º lugar da 90ª edição 'Cartas' do Bloinquês
Escrito ao som de Eric Clapton.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A gente se acostuma ...

"(...)A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."
Marina Colasanti

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sobre abandono afetivo e alienação parental

Muito se tem falado sobre abandono afetivo e alienação parental nos últimos tempos. Ontem o Fantástico exibiu matérias sobre os dois temas, e eu que sempre quis emitir minha opinião a respeito, aproveito a deixa.
Foi-se o tempo em que o homem era o único a prover o sustento da família e a mulher era a única responsável pela educação das crianças. Independente de opiniões e valores religiosos a cerca do divorcio, se ele é inevitável, não vou concordar que os filhos fiquem sempre e somente com as mães. Já ouvi de gente muito sabida que “os filhos ficam com quem os colocou no mundo e é assim que deve ser”. Eu discordo. Filhos só dependem totalmente de suas mães, enquanto estão unidos a ela por um cordão umbilical, depois disso, podem viver muito bem sob os cuidados dos pais. A lei e o bom senso (nem sempre presente), diz que a guarda pertence a quem tiver melhores condições – financeiras e emocionais para criar uma criança. Sou filha de pais separados e por mais que me custe dizer isso, a verdade é nem todos os pais pensam no bem estar dos filhos. Principalmente o bem estar emocional, e por isso não enxergam os efeitos que suas ações têm sobre seus filhos. Alguns acham que com o divórcio e o título de “ex-marido” ou “ex-mulher”, vem também o título de “ex-pai”, ou “ex-mãe”. A alienação parental provocada por quem ficou com a custódia do menor é revoltante, mas, e os laços afetivos que são rompidos pela outra parte? Como lidar com o abandono emocional – quando por longos períodos a “outra parte” simplesmente não busca contato, não procura a criança ou se quer idealiza o encontro?
Infelizmente a nossa Justiça permite ambas as situações - alienação parental e abandono afetivo. Pagar uma indenização no valor de R$ 200 mil não irá cicatrizar as feridas causadas pela falta de comprometimento de um pai com sua filha. O hiato na vida das crianças que estão na Alemanha e forçadamente sem contato com a mãe não será diminuído caso o Itamaraty resolva se pronunciar daqui alguns anos. Que a nossa justiça não funciona, todos sabemos. O que podemos, e devemos fazer é denunciar casos como esses. Quem sabe assim, a lei mude e crie (forçadamente) pais mais conscientes de seus papeis.

sábado, 5 de maio de 2012

Ponto final

Leia ao som de É o que me interessa
 



"Quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado só de quem me interessa."
Lenine


Cruzamos com tantas pessoas ao longo da vida, mas são poucas as que realmente nos marcam. Essas poucas são as mais importantes e, provavelmente, as que nos ajudaram a ser quem nos tornamos. Pode ser que no caminho algumas delas sejam magoadas, outras nos magoem, mas quando olho para trás vejo algumas peças que a vida me pregou. Me fez dizer adeus a quem se tornou especial, conviver com quem me feriu, sorrir para quem magoou, perder de vista pessoas importantes. A vida continua, e cada um segue o seu caminho, coincidindo ou não. Sou muito ligada às pessoas e nunca fui a melhor do mundo em dizer adeus, em colocar pontos finais. Sempre acreditei em relacionamentos duradouros, mas o jeito é seguir em frente, aceitar que algumas pessoas causam feridas que doerão por muito tempo, mas cedo ou tarde vão sarar.