sexta-feira, 28 de abril de 2017

Encontro marcado

Leia ao som de A canção que faltava

A manhã estava fria e chuvosa. Ela olhava o relógio apreensiva. Passou todo o trajeto ansiosa, sabia que aquele seria o primeiro passo para a vida que há meses vinha planejando. Ainda faltavam dez minutos... Dez minutos a separavam de seu amor. Dez minutos a separavam de sua nova vida. Teve vontade de apressar o motorista para chegar mais rápido, mas logo desistiu da ideia. Queria chegar e encontrar a razão da sua alegria, o homem havia devolvido o sentido a sua vida.
Quando finalmente chegou a Teresópolis seu coração ardia. Buscava o sorriso dele em meio a tantos rostos desconhecidos. Encontrou um homem irretocável. Terno preto, camisa verde água. Sorriso tentador. Sorriso encantador. Sorriso do homem que deseja aquela mulher.
Queria correr na direção dele, mas as pernas não respondiam. Com passos lentos se aproximou e abriu os braços para envolvê-lo. Ela o olhava nos olhos, tocava seu rosto para que sua pele pudesse reconhecer aquele que se tornou o motivo de todos os sonhos, de todos os desejos.
Quando a abraçou, sentiu que o corpo dela tremeu por uns instantes, mas a sensação de finalmente tê-la em seus braços era tudo o que precisava sentir. Pode beijá-la, sentir o perfume de seus cabelos. Tinham esperado por aquele beijo por tempo demais Ah, o tempo ... Parecia ter parado para que o beijo fosse possível. Eles sorriam, pois sabiam que havia sido exatamente o que esperavam deste encontro.

Caminharam para o restaurante do hotel. Tinham planejado tomar café juntos. Falaram sobre a viagem que tinham feito para que este encontro fosse possível, entrelaçaram as mãos, se entendiam através dos olhares. Tantas palavras não ditas, tantas intenções veladas, mas eles sabiam que desejavam muito mais do que educação à mesa e mera formalidades. Desejavam a vida exagerada, a felicidade sem contornos. Eles já se pertenciam - só não haviam se dado conta disso, mas era só observar as ligações intermináveis, as brigas e as tentativas fracassadas de terminar algo que diziam não existir, mas os unia cada dia mais. O amor havia escolhido eles para contar uma linda e inédita história.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Acontece que...

Leia ao som de Cath & Release, Matt Simons



Gostei quando seu olhar esbarrou no meu. Aquele sorriso desajeitado e totalmente sincero foi tão bonito. Fazia tempo que não sentia algo tão espontâneo brotar. Eu sei, sou tão bobo, você me ganhou naquele instante, será que percebeu? Já me apaixonei várias vezes enquanto voltava de metrô para casa, mas dessa vez ... Bem, dessa vez eu suspirei de verdade. Você não é uma dessas mulheres impossíveis da Arcoverde. Me fiz de tolo por dias. Quis chamar sua atenção. E pra que? Se quando você sorriu, eu realmente me derreti. A noite era realmente a mais quente do ano? Não? Mentira! Estava fazendo frio? Impossível! Juro que senti meu rosto queimar. Eu quis te chamar para sentar ao meu lado, simplesmente para ouvir sua risada. Quis gravá-la. Ai, como sou idiota! Estou escrevendo tantas palavras para alguém que está tão perto e tão longe. Sabe, se você olhar mais para a esquerda, vai me ver aqui, rascunhando num moleskine surrado, palavras de amor eterno para a deusa de sardas marrons.  Tenho que lhe confessar: não sou bom com números, e você parece ser tão exata. Mas, sei fazer um maravilhoso misto quente e sou ótimo em pedir pizza. Faço boas mímicas e não há quem me vença em competições de quem ri primeiro. Não soou atraente? Bem, eu sou tão simples que você não levaria ¼ de hora para me decifrar. Eu, que mal sei seu nome, estou aqui imaginando em como seria delicioso esbarrar novamente em você. Será que devo deixar nas mãos do universo ou devo tropeçar novamente na sua frente? Desta vez, prometo não derrubar nem um livro em você. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Enquanto espero o amor chegar


Ao som de Enquanto esperoJoão Bosco


De todos os sonhos que já tive, o mais intenso e puro deles, foi o de pertencer a alguém. Não falo de estar diante de um altar e dizer sim na frente de amigos e familiares, mas o sonho de construir uma vida real, com contas vencendo todo dia 10, crianças à mesa e um vira-latas no quintal. Cheguei a acreditar que tinha “vencido na vida”, por tão cedo encontrar aquele que escolhi amar e pertencer. Mas houve um abril entre nós, e todo aquele sonho, todo o amor que eu tinha para dar e viver, precisou morrer. Por algum tempo, caminhei desacreditada, magoada e ferida, tamanha a dor que tive que encarar. Hoje eu sonho novamente. Sonho com o momento em que o amor chegará e me mostrará novamente o que é estar na vida de alguém, o quanto é bom andar de mãos dadas e caminhar sem pressa, sem pensar no tempo, apenas desfrutando dele.
Sonho com aquele que ainda não chegou e já gosto tanto. Sei que ele está guardado no coração Daquele que me sustenta, que me abriga nas noites de tristeza e incertezas. Não tenho dúvidas de que o Pai está nos preparando. Tenho certeza que o sorriso do meu amado provocará em mim uma alegria exagerada. Sei que meu jeito de escrever irá tocar seu coração. Ele pode até não torcer para o meu time, não saber dirigir ou ignorar o quanto gosto do mar, mas tenho certeza vou amá-lo e sei que não estarei sozinha. 

Talvez tenha sido a semana extremamente difícil ou simplesmente o sonho que voltou a florescer, não sei ao certo o que me fez ter vontade de dizer: Sim, Senhor, eu ainda espero o meu Boás, ainda espero aquele a quem irei amar e pertencer!


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[Para ela]
Ele vai chegar! Vai te amar e quando lembrar desse tempo de espera, vai saber que valeu a pena.


terça-feira, 18 de abril de 2017

E se o amanhã não chegar?





Ao som de Nickelback, Photograph

“… Eu não tenho ideia porque a gente fica adiando as coisas, mas se eu tivesse que chutar, diria que tem muito a ver com o medo. Medo do fracasso. Medo da dor. Medo da rejeição. Às vezes, o medo é de apenas tomar uma decisão, porque e se você estiver errado? E se você fizer um erro que não dá para desfazer? Seja lá do que a gente tem medo, uma coisa é sempre verdade: com o tempo, a dor de não ter tomado uma atitude fica pior do que o medo de agir. Acaba parecendo que a gente está carregando um tumor gigante. E, não, eu não estou falando metaforicamente.” (Grey's Anatomy - 1T|E06)




 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Simplicidade



Ao som de Pedro Mariano, É simples



“Sei que as coisas são complicadas. Mas ao mesmo tempo simples. Elas se complicam à medida que se tem medo da simplicidade – porque essa simplicidade deseja o fato em si, a verdade.”

(Teresa Montero (org.) in: Minhas queridas – Clarice Lispector. Carta para a irmã Tania Kaufmann, Berna, 13-06-1947. Ed. Rocco, p. 173)

sábado, 8 de abril de 2017

Não estava pronta para me despedir de você



Leia ao som de Home, Gabrielle Aplin

Deveria ter dito antes, mas errei com você. Não onde presumiu, mas onde eu me perdi. Errei ao acreditar, ao confiar, errei ao me prender ao que construímos, principalmente por saber que eram mentiras que nos protegiam. Eu deveria ter confessado onde estavam as verdades e o perdão, mas já tínhamos ido tão longe, tínhamos trocado tantas mágoas, que já não sabia mais como verdadeiramente te tocar. Sinto muito pela decepção, pelas dores e por tanta poeira acumulada entre nós, mas tive medo. Não temi quando você entrou em minha vida de forma avassaladora e única, derrubando minha pressão numa quinta-feira de noite estrelada, mas tive medo quando você saiu dela.
Esteja certo de que tentei fingir indiferença, tentei superá-lo de muitas formas e com alguns porres, mas a verdade é que eu precisava me enfrentar, encarar que, tudo o que não havia dito ainda me prendia a você. É tão difícil estar deste lado do temporal... Fomos muito mais do que calei. Você nunca foi meu, mas eu sempre lhe pertenci. Deixei todos os meus medos de lado para viver dias incríveis com você. Não me arrependo pelas loucuras, mas pelos silêncios que me atormentaram. As palavras que não disse me afligiram por um longo tempo, mas a verdade, essa capacidade translúcida de nos libertar, é que eu não estava pronta para me despedir definitivamente. Já havia perdido o seu toque, o seu olhar e sabia (naquela manhã eu realmente sabia), que perderia também a única coisa que me ligava a você.
Nunca tive a oportunidade de lhe dizer o quanto foi difícil lhe superar e o quanto senti por ter mentido e por não ter mostrado que também conhecia suas inverdades. Depois de tanto tempo, tanto silêncio, finalmente consegui olhar para trás e encarar os esqueletos que enterrei. Tantas histórias ficaram pelo caminho, tanta cumplicidade, tudo que poderia ter sido vivido e não foi, mas hoje não tenho mais espaços para sentimentos abafados e passados suspensos. Preciso ser mais forte, mais sábia, mais corajosa. Estou me recriando e neste processo, não existe mais espaço para mágoas ou dores não enfrentadas.
Você foi minha história mais linda, louca, dolorosa e com mais afinidades que poderia viver, mas estou te deixando - definitivamente - em meu passado. Estou nos perdoando e encerrando este capítulo. Perdoe-me por tudo o que não disse na hora certa, mas é que só agora fui capaz de enfrentar que a esperança que restava se foi.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Desejos

Ao som de Nando Reis, Ainda não passou
Onde está a força de negar um desejo se, enquanto ele não é saciado, continua existindo?
O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens. 
Este é o maior problema dos desejos: não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final, se for até o fim.