A essência de cada um de nós



Para ler ao som de Lenine, Simples Assim

 
Vem cá, vamos conversar?
Quantas vezes você pensou em desistir e depois desistiu dessa ideia? Quantas vezes você olhou para a sua vida e teve a impressão de que se perdeu pelo caminho? Se nunca lhe ocorreu, tenho que dizer que somos muito diferentes, pois comigo foram incontáveis as vezes que joguei tudo para o alto e no dia seguinte eu estava lá, no mesmo lugar fazendo as mesmas coisas que me traziam infelicidade, ou apenas um desgosto profundo. Com o tempo a gente vai aprendendo que nem toda mudança é repentina, nem toda virada de mesa acontece no tempo que a gente quer. Grandes mudanças são construídas diariamente, com paciência e, em alguns casos, com muita frieza.
Há alguns dias retomei contato com dois grandes amigos de infância. É maravilhoso perceber que a essência da gente foi preservada, ainda que tenhamos enfrentado alguns dos piores perrengues da vida adulta. É interessante perceber que a distância pode sim afastar algumas pessoas, mas ela não apaga a liberdade que existe em ser verdadeiro, em poder se mostrar como realmente é, e não como a sociedade espera que você seja.
Durante um longo tempo achei que as mudanças que almejava não seriam possíveis, mas eu apenas olhava para o lado errado da estrada. Assim como o fio branco persistente (e inconveniente) que insiste em tentar estragar a uniformidade castanha dos meus cabelos, a mudança está sendo construída de modo a me mostrar que o tempo está passando e não sou mais uma menina. Se antes eu me desesperava com a ideia de ter perdido alguma coisa, por não ter percebido o tempo passar, hoje eu fico feliz em ter me conscientizado de que PASSOU. A estrada não acabou e talvez seja por isso que meus passos estejam estranhamente calmos.
Ao contrário do que eu havia me acostumado a ser, estou olhando com mais tranquilidade para tudo o que fiz e quem era. Estou aprendendo a ser menos cruel comigo e a ser grata por quem estou me tornando. Estar próxima a pessoas que me conheceram tão bem e estiveram em minha vida por tanto tempo tem me dado um certo conforto, uma espécie de tranquilidade ao perceber que, mesmo em meio a tantas transformações, um lado sempre permanece intacto, preservado. O que fica é a essência de quem realmente somos. É a partir dela que traçamos qualquer meta, que mudamos o que não combina com ela e nos perdoamos por erros cometidos.

Recomeçar | Esperança



 
Talvez eu tenha muito a dizer, mas o medo me permite apenas observar a tempestade que se anuncia. Não há nada inédito ou extraordinário no que está acontecendo. São apenas pés errantes dançando, perdendo o equilíbrio entre músicas, sonhos e saudades.

 Ao som de Djavan, Se acontecer



Inês havia se acostumado ao peso das angústias e frustrações. Já não sorria mais com a alma, nem dançava quando sua canção favorita tocava. Perdeu a vontade de mostrar sua voz. Não havia mais melodia em sua fala. Estava esquecida entre o som do despertador e o boa noite do noticiário. Não escrevia cartas, nem cuidava de suas magnólias. Sua cor de fogo, que antes incendiava todos a sua volta, estava repleta de cinzas que traduziam a alma de Inês. Ela, que sempre fora uma mulher tão repleta de sons, sorrisos e amor, havia se tornado alguém habitado por saudades e incertezas. Quando Henrique chegou ela não sorriu. Não mergulhou no verde de seus olhos buscando novamente ter esperança. O doce sabor de seus lábios não quis provar, nem mesmo aceitou o toque de seus dedos em seus cabelos. Fugiu daquilo que se escondia atrás de cada sorriso dele. O que havia por atrás de cada ligação, abraço ou comentário sobre Djavan era o que lhe apavorava. Inês já havia pertencido a alguém que não soube ser dela, já conhecia os caminhos até a paixão.  Henrique descobriu no olhar de Inês que o amor nem sempre chega na hora certa para os dois. A dor que ela sentia não o afastava, mas fazia buscar ser cura, ser tempo, afago que o coração dela tanto precisava...




Vida breve



        Ao som de Like Im Gonna Lose You, Megan Trainor ft Jonh Legend

Domingos Montagner morreu no auge de sua carreira, foi o que disseram. Excelente artista circense, morreu com 54 anos, li em algum lugar. Muito foi dito sobre o artista, sobre os projetos para o cinema, tevê e tudo mais que o ligasse as artes. Ninguém falou sobre os planos que ele fazia em família. Sobre os sonhos que tinha quando a câmera estava desligada, quando o currículo não o definia. Ninguém falou sobre o que fazia o filho mais velho sorrir, qual a primeira palavra que o mais novo dizia quando ele chegava em casa.
A gente ouve tanto sobre o que ter, como ser, quem agradar, mas em qual momento essas coisas passam a ser o Norte que devemos perseguir? Somos mais que o número de CPF, somos as histórias que nos fazem rir e as lágrimas que rolam vez ou outra. Somos as risadas à mesa e os hiatos não vividos.
‘A vida é um sopro, e daqui a pouco já se foi. Não há tempo a perder. Não há outro caminho a ser trilhado. Não haverá outro dia para dizer que ama, que é importante ter a amizade daquela pessoa. Não terá outra oportunidade para pedir perdão ou dizer que sente muito.’
A vida segue cada dia mais breve...


 
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