Sobre o princípio da inocência presumida

Me dei conta de que insisto em  acreditar nas pessoas. Acredito até provarem que não são mais dignas de minha confiança. Apesar de pensar assim, não fico esperando o momento em que elas irão me decepcionar,  afinal de contas, não existe confiança pela metade.  Confio,  acredito, defendo e se me decepcionar, procuro perdoar a pessoa e então me afastar dela. Fico descrente por um período, achando que ninguém presta, mas depois volto a acreditar na suprema criação de Deus.  Será que foi por influência do Direito, e seu principio da inocência presumida, ou porque realmente não existe outro jeito de criar laços?
O princípio da inocência presumida está na Constituição Federal de 88, no artigo 5º (em minha opinião, um dos mais belos de nossa legislação): Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

29/10 - Dia Nacional do Livro

"Os prazeres da leitura são múltiplos. Lemos para saber, para compreender, para refletir. Lemos também pela beleza da linguagem, para nossa emoção, para nossa perturbação. Lemos para compartilhar. Lemos para sonhar e para aprender a sonhar (há várias maneiras de sonhar…). A melhor maneira de começar a sonhar é por meio dos livros…”
José Martins em A Arte de Ler

Ela e o tempo

Ao som de Resposta ao tempo







Não pense que você irá acordar e sentir como se da noite para o dia tivesse deixado o peso da mágoa e das expectativas frustradas, não será assim. O processo até esquecer você já conhece, é totalmente diferente de não querer lembrar e exige dedicação. Mas é preciso, a vida precisa seguir seu curso natural, assim como o rio e o mar. Não se apavore, nem se adiante... O calendário não irá marcar o dia exato em que você se livrou das amarras de um coração partido, como faz com as consultas ao dentista. Mas este dia irá chegar, acredite! Você irá cumprir toda a sua rotina diária, tomar seu café ralo, reclamar da chuva, espirrar meia dúzia de vezes ao encontrar o Tobi na varanda e quem sabe até rir um pouco. Não se dará conta que a dor foi embora, que não existe mais a lembrança insistente da felicidade possível. Acabou. O que te acorrentava ao passado não existe mais. Não foi mágica, nem mandinga. O que você fez para que isso acontecesse? Nada. Foi o tempo quem fez!

Quem pode mais?

Chego à conclusão de que é um terrível engano pensar que o poder transforma as pessoas, ainda mais quando se trata de uma pequena dose dele. "Só se conhece o soldado quando ele vira tenente", diria meu sábio avô, e a cada dia que passa mais me convenço que ele tinha razão, pois o poder é uma espécie de potencializador, seja das qualidades ou dos defeitos. O deslumbramento com a sensação de “agora eu posso” expõe traços que ficavam escondidos sob uma fina camada de humildade. O que alguns esquecem, é que pessoas assim são facilmente derrubadas, substituídas, como meras peças de um grande tabuleiro de xadrez.

Perseverança


"Se gente não fosse feita pra ser feliz, Deus não teria caprichado tanto nos detalhes. Perseverança não é somente acreditar na própria rede. Perseverança é não deixar de crer na capacidade de renovação das águas. Hoje, o dia pode não ter sido bom, mas amanhã será outro mar. E eu estarei lá na beira da praia de novo."  Ana Jácomo

Desejando ardentemente que a sexta-feira seja sem enxaqueca e engarrafamento!

Confidência

“Procurando nos meus sonhos [...] Inventando um caminho, libertando quem realmente eu sou. A vida é assim, não vem com manual e só perde quem não corre atrás, quem não joga o jogo por ter medo de errar... Mas quem se sente pronto pra viver?”
Quem eu sou, Sandy Leah
... E quem há de se revelar por completo? Não conheço quem se mostre por inteiro, quem não escolha com rigor as palavras que contam sua história. Tenho um vocabulário secreto composto por palavras que só eu sei o quanto cortam e fazem sorrir. Palavras que descrevem momentos, apresentam personagens e justificam o caminho que escolhi, as rotas que tracei. E hoje ao lembrar do que ficou no relicário intocável das lembranças, lugar em que cuidadosamente guardo minhas palavras, fui capaz de ver onde errei, onde me perdi e principalmente, onde me tornei a mulher que sou.

... Até que esgote ...

Depois de uma decepção, de um desentendimento é natural que eu me esconda, que eu me reserve. Não consigo fingir bom humor nem mascarar o que estou sentindo. Quem há de ser mais ridículo: quem vive em sentimentos rasos, emoções superficiais ou quem vive as alegrias e as dores das relações humanas? Por isso eu sinto, sinto muito e sinto até que acabe, até que se esgote, para que nada fique pelo caminho, para que nada volte mais forte um dia. Árvores podadas crescem com mais vigor ... mas os galhos secos morrem.

Era mais fácil quando eu não sabia...

A minha ignorância era despretensiosa, quase aconchegante. Havia uma espécie de proteção, de preservação em não saber. Ao notar certas coisas ao meu redor, percebi o quanto esse saber pode ser doloroso. Que eu vivo tudo com intensidade, todos sabem, mas será que também sabem que não há dor pior do que saber demais, sentir demais, enxergar demais, conhecer demais? Quando chego a este ponto, concordo com a frase atribuída a John Lennon “a ignorância é uma espécie de bênção. Se você não sabe, não existe dor.” Não entendeu? É simples, eu explico: quem nunca experimentou açúcar, não terá a menor dificuldade em usar adoçante porque não existe referencia diferente. Então não importa se o adoçante é mais saudável, ele nunca terá o sabor agradável do açúcar, mesmo que depois de um tempo você se acostume com ele. O princípio do conhecimento x ignorância é o mesmo! Ao desconhecer a verdade, você está protegido, guardado de qualquer dor. Mas ao ser confrontado por ela, fica quase impossível agir como se não soubesse de nada. Pois então, antes eu não sabia, agora não consigo ignorar. Quantas pessoas nós conhecemos que usam drogas, bebidas e remédios para não ter que enfrentar sua realidade? São medidas desesperadas, pessoas que optam em fugir da vida para tentar retomar a paz da ignorância. Quanto a mim, cabe a difícil tarefa de fingir não saber. E eu também fujo, me drogo, me escondo... na escrita.

Sobre o que escrevo (e o motivo)

Nem todas as dores são de amor, nem todas as aflições são do trabalho. Somos mais do que rotina de 8h – 18h, mãos dadas e promessas. Cada um de nós constrói um universo de possibilidades e impasses que vão além dos bolsos e corações. Não limito a vida, não limito a escrita. Escrevo sobre o que sinto, mas também sobre o que sentem os corações a minha volta. Escrevo porque liberto nas palavras todas as dores e desejos, todos os porquês e interrogações.
Simples assim.

Nada está sob controle

"Porque nós não sabemos quando vamos morrer, pensamos na vida como um poço incansável, ainda assim tudo acontece apenas um certo número de vezes, e um número muito pequeno, realmente. Quantas vezes mais você vai lembrar de uma certa tarde da sua infância, uma tarde que é tão profundamente uma parte do seu ser que você não consegue nem imaginar sua vida sem ela? Talvez quatro ou cinco vezes mais, talvez nem isso. Quantas vezes mais você vai observar a lua cheia subir? Talvez vinte. E ainda assim, parece sem limites."


O céu que nos protege – Bertolucci

...

''Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Vo sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.''
Caio Fernando Abreu
... Porque hoje eu gastaria todo o meu português com você ... 

Da intensidade das coisas

Vou do amor ao ódio em fração de segundos e os sinto com a mesma intensidade. Desconheço o meio termo de algumas coisas. Equilíbrio para o que é necessário. Ponderação para o que é exigido. Há quem diga que sou quase uma personagem de novela mexicana: intensa nas alegrias, nas tristezas, nas dúvidas e incoerências. Sempre pensei que a vida é mais do que retas e contornos... É pintar além das linhas, ir além do presumível, fazer mais do esperam de você faça, assumir e não apenas correr riscos, surpreender. Acredito que vale mais a pena ser alguém que vive além da mediocridade do regular, razoável, “nem bom nem mau”, do que alguém que passou a vida inteira no mediano, no tom desbotado do igual. Para viver é preciso mais do que respirar, é preciso ter gostos próprios, e não impostos. Café forte e pouco açúcar, chocolate amargo, barulho de chuva, dias nublados, fotos em preto e branco. Não sou regra, modelo ou exemplo. Eu sou, apenas ou somente, Ana e me basto em minhas intenções e intensidades.
Pra terminar, um fragmento de texto de Martha Medeiros bastante conhecido : "Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador (...). O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia".

...

"A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo. Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino"
Martha Medeiros

Primavera

E aí que estava escrevendo e começou a ventar forte. Para acabar com o barulho dos vidros balançando, resolvi abrir as janelas. A sensação foi tão boa que me lembrei de quando ouvi Vivaldi pela primeira vez. Acho que enfim, a primavera chegou em mim!


Ninguém disse que era fácil

Semana intensa. Do riso ao choro, da alegria a profunda tristeza em apenas sete dias. Tudo parece tão estranho e difícil de reorganizar... Acho que preciso de uma máquina do tempo ou algo similar. [Nem sei se devia postar isso.]

 
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