Gratidão

"A gratidão desbloqueia a abundância da vida. Ela torna o que temos em suficiente, e mais. Ela torna a negação em aceitação, caos em ordem, confusão em claridade. Ela pode transformar uma refeição em um banquete, uma casa em um lar, um estranho em um amigo. A gratidão dá sentido ao nosso passado, traz paz para o hoje, e cria uma visão para o amanhã."
          Melodie Beattie

Amor que renova



Trânsito caótico de uma sexta-feira chuvosa e parece impossível atravessar a Ponte Rio-Niterói em menos de quarenta minutos. Casting Crowns, Lifehouse e Marcela Gandara para tentar distrair a mente. Pra quê? Mil coisas para pensar, resolver, decidir e o trânsito não coopera. Será que já coloquei o pagamento da conta de luz em débito automático?  O cardápio do jantar já foi decidido, modificado e novamente decidido três vezes. Jantar ... Será que vai dar tempo de passar no Hortifruti? Marido comentou que estava com vontade de comer atemóia e eu só encontro lá. Qual o motivo de tanto engarrafamento, heim? Quando parece que vai melhorar um pouco, retenção normal da praça do pedágio. Um pouco mais de paciência e chegarei ao meu destino, ou melhor, a primeira parte dele.
Para minha surpresa, em Niterói já parou de chover e as ruas parecem menos congestionadas. Estaciono o carro em frente à padaria. Tranco o carro, aceno para Eulália que está no caixa, que já sabe exatamente o que vou pedir na volta. Alguns metros depois, um pequeno portão cinza está fechado. Toco o interfone onde me identifico e tenho a entrada liberada. Na segunda entrada, uma porta antiga de madeira e vitrais, sou recebida com um sorriso imenso pela Marli. Entrego uma revista de moda de noiva para ela, que toda orgulhosa irá casar a sobrinha que cuidou desde pequena. Logo, o silencio é quebrado por passos apressados que conheço tão bem. A porta se abre em minha frente e ouço, em coro, duas crianças lindas me chamando de mãe. Com os braços abertos, enlaço Pedro e Isadora e sou correspondida com a mesma intensidade. Acenamos para a zeladora e enquanto sou colocada a par do atarefado e colorido dia dos pequenos, chegamos à padaria. Pedidos separados, cada um ganha um bombom com a recomendação expressa de só comerem depois do jantar. Eulália é sempre tão gentil com eles... 
De volta ao carro, acomodo os dois nas cadeirinhas, mudo a trilha sonora para agradá-los e a volta pra casa agora parece não ter o mesmo ritmo de antes. Com eles por perto, até o engarrafamento pode ser prazeroso (exceto quando a Isa começa a pedir para ir ao banheiro). Pedro me conta que aprendeu a família da Lagoa e Isadora diz que tirou 8,0 no ditado. Para algumas mães os assuntos infantis passam despercebidos, mas procuro ouvi-los com atenção e paciência (bem, eu me esforço na maioria das vezes). 
Logo chegamos em casa e o cheiro de limpeza me dá tanto prazer quanto o cheiro de café sendo passado pela manhã. Um bilhete na geladeira e descubro que mamãe havia deixado as capas de chuva das crianças e aproveitou para adiantar “algumas coisinhas” (ligo dizendo que não precisava, mas agradeço de todo o coração a ajudinha!). Banho nas crianças, dever de casa enquanto preparo o jantar. Marido chega e se encarrega de finalizar as tarefas com as crianças. Da cozinha me pego olhando para eles. Naquela mesa estão as razões de cada sacrifício, de cada minuto corrido, de todos os meus sorrisos e algumas preocupações. Penso na pergunta que minha irmã me fez em meu último aniversário: qual idade tem meus sonhos? Na ocasião, lembro-me de ter lhe abraçado e dito que não era capaz de responder nada além de onde estavam os guardanapos e a Coca Zero, mas hoje eu tenho a resposta. Meus sonhos têm 44, 08 e 06 anos. Meus sonhos se dividem entre ser professora ou piloto de avião, gostam de colorir e também de Pica-Pau. Não dá para me sentir velha desse jeito, não é? Meus sonhos rejuvenescem a cada descoberta do Pedro e conquista da Isadora. Me sinto renovada pelo amor que encontro e vivo em nossa família!

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Texto absolutamente fictício e totalmente inspirado
por uma conversa que tive com a Evinha dia desses.

Sem tempo a perder

Em uma conversa leve e despretensiosa com uma amiga, tocamos num assunto delicado e também verdadeiro em nossas vidas: a importância de demonstrar valor. Quem convive comigo sabe quão intensa eu posso ser. Sou intensamente o que sinto. Vivo até a última gota daquilo que julgo importante. E por quê? Porque a vida é curta demais para ser desperdiçada com questões mal resolvidas (digo isso porque tenho em meu histórico algumas que ficaram para trás.). A vida é um sopro, e daqui a pouco já se foi. Não há tempo a perder. Não há outro caminho a ser trilhado. Não haverá outro dia para dizer que ama, que é importante ter a amizade daquela pessoa. Não terá outra oportunidade para pedir perdão ou dizer que sente muito. “Mas e se houver?” Existe sempre 50% de chance de haver um amanhã e a mesma probabilidade de não ter, melhor arriscar viver, do que partir com tanto por dizer. Intenso, radical, apocalíptico demais? Que nada! Essa é uma verdade tão antiga, que o salmista  já deixou registrado (39.5,6): “Como é curta a vida que me deste! Diante de ti, a duração da minha vida não é nada. De fato, o ser humano é apenas um sopro. Ele anda por aí como uma sombra. Não adianta nada ele se esforçar; ajunta riquezas, mas não sabe quem vai ficar com elas.”

Clariceando

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Clarice Lispector 

Complicado demais

Tenho raiva de mim quando sinto saudades suas. A alegria que você me proporcionava todas as manhãs sempre foi mais forte do que a dor que os erros causaram. Mas doeu, e ainda dói. Me consumiu, corroeu, despedaçou, e me transformou numa pessoa pragmática e fria. Me transformou em alguém se esconde atrás de memórias alheias e uma música com refrão clichê; na mulher que irá olhar para essas 754 cicatrizes no coração e não pegar o telefone para perguntar “a vida continua muito complicada ou já encontrou espaço para nós dois nela?”



Inspiração musical Eu sem você, Paula Fernandes

Meu mundo

"Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto."

Pensando alto

... E quando você percebe que a amizade já não é mais a mesma, o que você faz? Quando fica a sensação de tinham muito mais a dizer? Como escolher o tamanho da pedra para colocar em cima do assunto, aliás, é para ter pedra ali em cima? É, tem coisas dessa vida adulta que nem o café da Starbucks vai me fazer compreender com mais lucidez!

With or without you


Ao som de With or Without you, U2

... E sem essa de dizer adeus. A gente só vai se afastar um pouco.  A vida já ensinou que está em nossas mãos a continuidade de qualquer relacionamento, não é mesmo? Vou sentir falta das conversas em que você me fazia sentir melhor com o olhar, das nossas nossas risadas, das piadas que só a gente entende, das músicas que diziam muito mais que qualquer diálogo. Vou sentir falta da liberdade de ser eu mesma, mas principalmente, vou sentir falta do que você se tornou para mim.

2012 - página 153 (Junho)

Maio se foi e deixou a alegria de ver a conquista merecidíssima de um amigo. Uma conquista assim, no superlativo. Maio vai sem pesares. De junho, quero mais presenças, mais abraços, mais cafés, mais risadas. E flores, porque perfumar a vida com flores me faz bem. Faz alguns dias que eu venho pedindo também um pouco de paz. Paz em meio aos silêncios e também em meio às tempestades. Tenho tentado conviver e sobreviver da melhor maneira possível. Estou completamente destituída de expectativas. O passado me ensinou a cuidar de mim dessa forma. Maio, você partiu e eu estou acenando e dizendo que ‘foi um prazer’. Junho, quando você virar as costas, quero sentir saudades e dizer que foi lindo ter você aqui, ok?!
 
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