Sobre passados, saudades e incertezas


"Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado. À meia-noite, à meia luz, pensando... Daria tudo por um modo de esquecer (...) Não estou bem certo se ainda vou sorrir sem um travo de amargura. Como ser mais livre, como ser capaz de enxergar um novo dia?"


Semana passada estava conversando com uma amiga a respeito das saudades que sentimos, das pessoas que perdemos e daquelas que nos tornamos. Nem sempre é fácil dizer adeus, desfazer elos, mudar os planos que caminharam ao nosso lado por tanto tempo. Sou uma pessoa extremamente apegada ao passado, guardo memórias em um relicário e por diversas vezes visito essas lembranças, seja através de textos, músicas ou ligações. Antigamente eu me cobrava demais o fato de ser tão apegada, hoje compreendo que isso faz parte da minha personalidade e também não merece tanto rigor em meus julgamentos. Olhando friamente, passado é a única coisa concreta que temos, a única coisa que jamais poderão nos tirar. São histórias e sorrisos, confidencias e afinidades, lágrimas e aprendizados que fazem parte do que somos e não importa o que o futuro nos reserve, elas sempre estarão lá. Já o futuro é só questionamento. Está em constante mutação, construção e se transforma a cada escolha, seja ela certa ou não. 

Sei que não dá pra viver no passado e nem temer o futuro, o caminho é viver com sabedoria o presente. Mesmo sabendo disso, por vezes o passado se apresenta e diz que não estará tão nítido no futuro, e hoje as cores ainda tão intensas das lembranças com o tempo irão desbotar. Ainda assim, eu escolho viver o presente. Concreto, palpável, repleto de bons momentos ou não, conheço bem os (des)caminhos que percorri no passado e eles não pertencem a rota do futuro reservado para mim!


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Título em referência a canção de Guilherme Arantes

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