domingo, 24 de junho de 2012

Amor que renova



Trânsito caótico de uma sexta-feira chuvosa e parece impossível atravessar a Ponte Rio-Niterói em menos de quarenta minutos. Casting Crowns, Lifehouse e Marcela Gandara para tentar distrair a mente. Pra quê? Mil coisas para pensar, resolver, decidir e o trânsito não coopera. Será que já coloquei o pagamento da conta de luz em débito automático?  O cardápio do jantar já foi decidido, modificado e novamente decidido três vezes. Jantar ... Será que vai dar tempo de passar no Hortifruti? Marido comentou que estava com vontade de comer atemóia e eu só encontro lá. Qual o motivo de tanto engarrafamento, heim? Quando parece que vai melhorar um pouco, retenção normal da praça do pedágio. Um pouco mais de paciência e chegarei ao meu destino, ou melhor, a primeira parte dele.
Para minha surpresa, em Niterói já parou de chover e as ruas parecem menos congestionadas. Estaciono o carro em frente à padaria. Tranco o carro, aceno para Eulália que está no caixa, que já sabe exatamente o que vou pedir na volta. Alguns metros depois, um pequeno portão cinza está fechado. Toco o interfone onde me identifico e tenho a entrada liberada. Na segunda entrada, uma porta antiga de madeira e vitrais, sou recebida com um sorriso imenso pela Marli. Entrego uma revista de moda de noiva para ela, que toda orgulhosa irá casar a sobrinha que cuidou desde pequena. Logo, o silencio é quebrado por passos apressados que conheço tão bem. A porta se abre em minha frente e ouço, em coro, duas crianças lindas me chamando de mãe. Com os braços abertos, enlaço Pedro e Isadora e sou correspondida com a mesma intensidade. Acenamos para a zeladora e enquanto sou colocada a par do atarefado e colorido dia dos pequenos, chegamos à padaria. Pedidos separados, cada um ganha um bombom com a recomendação expressa de só comerem depois do jantar. Eulália é sempre tão gentil com eles... 
De volta ao carro, acomodo os dois nas cadeirinhas, mudo a trilha sonora para agradá-los e a volta pra casa agora parece não ter o mesmo ritmo de antes. Com eles por perto, até o engarrafamento pode ser prazeroso (exceto quando a Isa começa a pedir para ir ao banheiro). Pedro me conta que aprendeu a família da Lagoa e Isadora diz que tirou 8,0 no ditado. Para algumas mães os assuntos infantis passam despercebidos, mas procuro ouvi-los com atenção e paciência (bem, eu me esforço na maioria das vezes). 
Logo chegamos em casa e o cheiro de limpeza me dá tanto prazer quanto o cheiro de café sendo passado pela manhã. Um bilhete na geladeira e descubro que mamãe havia deixado as capas de chuva das crianças e aproveitou para adiantar “algumas coisinhas” (ligo dizendo que não precisava, mas agradeço de todo o coração a ajudinha!). Banho nas crianças, dever de casa enquanto preparo o jantar. Marido chega e se encarrega de finalizar as tarefas com as crianças. Da cozinha me pego olhando para eles. Naquela mesa estão as razões de cada sacrifício, de cada minuto corrido, de todos os meus sorrisos e algumas preocupações. Penso na pergunta que minha irmã me fez em meu último aniversário: qual idade tem meus sonhos? Na ocasião, lembro-me de ter lhe abraçado e dito que não era capaz de responder nada além de onde estavam os guardanapos e a Coca Zero, mas hoje eu tenho a resposta. Meus sonhos têm 44, 08 e 06 anos. Meus sonhos se dividem entre ser professora ou piloto de avião, gostam de colorir e também de Pica-Pau. Não dá para me sentir velha desse jeito, não é? Meus sonhos rejuvenescem a cada descoberta do Pedro e conquista da Isadora. Me sinto renovada pelo amor que encontro e vivo em nossa família!

____________________________________
Texto absolutamente fictício e totalmente inspirado
por uma conversa que tive com a Evinha dia desses.

4 comentários:

  1. Adoro o seu jeito para as descrições, leva-nos a sentirmo-nos lá! Bjs e um lindo domingo!

    ResponderExcluir
  2. Muito legal sua narrativa! Reforçou minha vontade louca de ser mãe! rsrs...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ao escrever também senti esta mesma vontade... #CoisasDeMulher

      Excluir
  3. Bem eu sou suspeito pra falar, sou fã de carteirinha. Por mim já está mais do que na hora, de compilar todos esse textos em um livro magnífico. Mais um texto formidável!

    ResponderExcluir