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Permitir a felicidade

Algarve, maio de 2008.

Eric,
Não me lembro de quando foi a última vez que escrevi uma carta, mas talvez esta seja a única oportunidade que eu tenha para lhe falar tudo aquilo que venho pensando e sentindo nos últimos tempos.
Confiança: foi isso que encontrei nos seus olhos. Confiança para contar segredos, para falar o que penso, para ser séria e chata, mas também para ser adolescente e engraçada. Confiar em você foi uma escolha da qual eu acredito que não irei me arrepender nunca, afinal de contas, como alguém com olhar tão profundo, não seria digno de tamanha confiança?
Eu estava tão bem, tão segura. Tinha certeza de tudo a minha volta. Estava bem profissionalmente, em paz comigo e com meus sonhos, mas você chegou tão suavemente e com tanta sinceridade, que me fez perceber que eu poderia viver, a partir daquele encontro, a melhor fase da minha vida. Pé atrás, isso assusta. Canja de galinha e prudência nunca fizeram mal a ninguém. Mas, por que não tentar? Por que não arriscar viver a felicidade fora do padrão desta sociedade que nos rodeia? Vamos abrir os braços e girar na chuva, atravessar estradas e experimentar sabores, vamos nos permitir. Vamos permitir que a vida que há em nossos pulmões seja gasta e consumida em risadas, abraços e café da manhã. Aceite que mesmo sem imaginar que seria assim, você me fez lembrar como é bom enxergar a vida com leveza. Vamos nos permitir a troca, a paz... Vamos nos permitir viver a alegria simples.
Vamos nos permitir a felicidade!


Com todo carinho,
Layla



*
 2º lugar da 90ª edição 'Cartas' do Bloinquês
Escrito ao som de Eric Clapton.

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