segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sem clichês para contar uma história

Leia ao som de Ain’t Sunshine
Selah Sue feat Ronny Mosuse.



João,

Estava ouvindo aquele CD que lhe falei outro dia, lembra? Como aquela mulher canta bem...  Como suas músicas me transportam para um lugar que só nós dois sabemos o que significa... Mas não foi por isso que resolvi lhe enviar esse e-mail. Me dei conta do absurdo que vivemos - novecentas e setenta e três e mais essa. Será esse o número de vezes que nos mandamos embora de nossas vidas? Já perdi o número (e a voz) tentando contar quantas vezes fechei a porta, para logo depois te chamar de volta. É essa minha estranha capacidade de querer viver mais do que a vida me permite que me cansa, assim como me esforçar para tentar entender o que está subentendido. Esse dramalhão mixuruca e desnecessário, quando você diz que tem medo de me machucar.
Todo mundo se machuca, baby, e nessa história eu já chorei bem mais do que você sabe. Antes a desculpa era a paixão, mas agora a gente já sabe que existe Band-Aid e se acostumou um com o outro. Aprendemos o tempo e as vontades de cada um, e isso não é ser clichê. Percebi suas verdades e descobri as mentiras que gosta de ouvir (sem jamais ter dito uma se quer). A gente nem briga direito, vai ... Vamos fazer as pazes! Aliás, não vamos. Não quero sua paz, nem quero te dar sossego. Está tudo tão escancarado: noite insuportavelmente quente, e eu sem conseguir dormir com raiva de você (e ainda assim sentindo sua falta). Minha alma está em silêncio, imaginando o que seu o corpo vai dizer. Nada de romance hollywoodiano, não somos assim. Água com açúcar nunca foi nossa bebida favorita. Meu cérebro tenta (em vão), me fazer retomar o equilíbrio: “Catarina, não traia suas palavras e promessas assim tão facilmente”, mas o que eu posso fazer se ao respirar fundo pra lembrar seu perfume, esse seu cheiro tão-seu, minha fraqueza aumenta em proporção inversa a sua razão? Deixa estar que entre e-mails e faturas de cartão de crédito, um dia deixo de ser tão ridícula, de querer tanto essa voz morna me fazendo cócegas no ouvido outra vez.

Beijos,
Catarina


5 comentários:

  1. Uma linda e cheia de sentimentos essa carta! beijos,ótima semana,chica

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  2. Aiii q ótimo! AMEI! acabei de ler o me vi MUITO nesse texto! parabéns, Ana! beijocas
    Karina Fernandes

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  3. Por favor, Catarina, pare de tentar sobreviver, viva! Sabe quando temos uma manga deliciosa nas mãos e nos perguntamos como vamos degustá-la? Ah, comer manga com garfo e faca não tem a menor graça, o melhor é nos lambuzarmos mesmo e, depois, nos lavamos, trocamos a roupa e estamos limpos novamente.

    Elaine Elen

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  4. Ai, ai Aninha.
    Essa Catarina me lembra eu mesma em alguns momentos. Quero e não quero querer aquilo que não sei se realmente quero pra mim. Parabéns pelo texto, como sempre muito bem escrito e bem exposto esses sentimentos confusos que habitam nossa complexa alma de mulher.

    Beijo grande

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  5. Como faz pra deixar de ser Catarina?!? Hahahaha detesto quando você me lê! (Mentira, adoro me ver!)

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