quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sobre a gente ficar junto

A gente ficou junto e pronto. Não havia plural, mas os abraços, o companheirismo e as risadas noite a fora eram nossa realidade. A gente entendia celular desligado e mãos dadas. Eu sorria toda vez que você dedilhava uma canção do Van Hallen, e você me achava sua melhor plateia. Sem intenções veladas, só sonhos que ninguém tinha coragem de contar. Eu estava ali, por completo - crítica e mal humorada, e você com o sorriso mais encantador das manhãs. Perdi as contas de quantas vezes me equilibrei nos reencontros, nas despedidas e  principalmente nos embates irritantes com quem sempre soube como conduzir meu temperamento difícil.

A gente sempre ficou junto. Sempre. Mesmo longe, quando você foi viver sua aventura na Califórnia. Você sempre entendeu meus olhares, enquanto eu aprendia o teu silencio. Eu nunca tomei jeito... Está tudo tão bom como está, e eu sei que poderia ser diferente. Sou patética, não sei lidar com essas voltas que a vida dá. Mas, e daí? Há de ser uma crise dessas internas, quando o sentido de tudo vai embora no primeiro avião para Bali. Deve ser instinto, algo maior que eu, maior que meu entendimento, maior que minha fixação por Neruda e Machado.

E a gente vai ficar junto, mesmo que seja durante essa música. E nem venha me dizer que ela não faz sentido. Sempre fez. Fazia sentido anos atrás e fará até que inventem outra história melhor que essa. Não vou começar a velha-ladainha-de-sempre de que você deveria ter tentado me dizer uma vez mais; de que daria certo, de que seriamos só nós dois no verão americano. Sei que você tentou me dizer e a voz falhou no refrão. Sei, mas nessa última dança, quero fechar os olhos mais uma vez e imaginar que a música tem mais que 4 minutos, que a rua está vazia e que a gente vai ficar junto, como sempre e para sempre.


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