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Era mais fácil quando eu não sabia...

A minha ignorância era despretensiosa, quase aconchegante. Havia uma espécie de proteção, de preservação em não saber. Ao notar certas coisas ao meu redor, percebi o quanto esse saber pode ser doloroso. Que eu vivo tudo com intensidade, todos sabem, mas será que também sabem que não há dor pior do que saber demais, sentir demais, enxergar demais, conhecer demais? Quando chego a este ponto, concordo com a frase atribuída a John Lennon “a ignorância é uma espécie de bênção. Se você não sabe, não existe dor.” Não entendeu? É simples, eu explico: quem nunca experimentou açúcar, não terá a menor dificuldade em usar adoçante porque não existe referencia diferente. Então não importa se o adoçante é mais saudável, ele nunca terá o sabor agradável do açúcar, mesmo que depois de um tempo você se acostume com ele. O princípio do conhecimento x ignorância é o mesmo! Ao desconhecer a verdade, você está protegido, guardado de qualquer dor. Mas ao ser confrontado por ela, fica quase impossível agir como se não soubesse de nada. Pois então, antes eu não sabia, agora não consigo ignorar. Quantas pessoas nós conhecemos que usam drogas, bebidas e remédios para não ter que enfrentar sua realidade? São medidas desesperadas, pessoas que optam em fugir da vida para tentar retomar a paz da ignorância. Quanto a mim, cabe a difícil tarefa de fingir não saber. E eu também fujo, me drogo, me escondo... na escrita.

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