domingo, 13 de março de 2011

Será que é tarde pra falar de amor?

Era para estar estudando, me dedicando a ler os livros da semana, mas quem disse que eu consigo? Sentada na cozinha, ao som de Corinne Bailey Rae (Like a star, música perfeita pra aliviar as tensões de um fim de semana estressante) eu estou divagando sobre milhares de assuntos que poderiam ser consumidos em outro momento. Mas pensamento é coisa que não se domina, ainda mais quando são pensamentos de amor.
Tenho três amigos que estão de casamento marcado para os próximos meses. Acho um máximo, pois acredito no tal do amor e que o casamento não é uma instituição falida. Casamento é ápice da vida adulta. É quando você percebe que o coração faz mais que bombear sangue e bate mais forte quando está perto da pessoa amada. É quando finalmente entende que respiração, calor do corpo, e perfume formam um tripé que pode (e deve) tirar sua concentração, te fazer flutuar, encontrar um rumo pro coração (piegas e rimando... eu já fui melhor, rs).
Agora diga pra mim, fala assim, devagar, olhos nos olhos, que só de pensar naquela pessoa (eu digo A-Q-U-E-L-A,sabe? Aquela que mexe com todos os seus sentidos) que só de imaginar (ou lembrar) a distancia de dois centímetros do seu nariz, você tem vontade de dizer: é você, só você e ninguém mais que eu quero para minha vida”. Alguns não conseguem dizer “eu te amo”, e entendo que seja porque hoje é mais fácil ouvir um 'euteamo' do que bom dia (acreditem, eu sei do que estou falando), então tem gente que guarda o eu te amo pra depois do casamento. (Como assim? Ninguém casa virgem, mas casa sem dizer eu te amo? Aff... no meu tempo as coisas eram diferentes, já dizia minha avó).
Tive medo de casar, mas não tive medo de ficar perto, de envelhecer e passar a vida inteira perto de alguém. Perto a ponto de ouvir o silencio quando brigávamos por nada, perto suficiente para ver um abismo ali do lado e a solução tão distante quanto à Irlanda está do Rio de Janeiro. Cheguei a enxergar o medo andando de mãos dadas com o amor, e a paixão saindo pela janela, deixando lugar para loucura. Mas são em momentos assim que você precisa realmente ver do que é feito (ou feita), descobre que a vida a dois às vezes dói feito bala perdida que acha o peito, e o único guarda-costas possível é tal do amor, aquele que você tentou não admitir sentir antes de assinar o contrato e ouvir “eu vos declaro casados”, mas é ele quem te ajuda a ficar vivo e seguir com a vida, recomeçando diariamente, reescrevendo a própria história.
Acredito em casamentos por e COM amor. Amor é decisão, e por mais vagabundo que o coração seja em alguns momentos, chega a hora que ele cresce, amadurece e encontra um lugar pra sossegar. Na verdade eu chego a pensar que a vida adulta só começa depois do casamento, depois que o quilo de sal passa a ser compartilhado. Não dá para imaginar que casamentos forçados por convenções (sim, eles ainda acontecem...), por interesses (se bem que fica mais agradável amar um jogador de futebol com casa nos cinco continentes, hahaha, brincadeira) consigam durar, consigam resistir ausência do amor.
Aos casais que estão a caminho do altar (amigos ou desconhecidos) eu desejo que conquistem a sabedoria de Artur da Távola ao escrever: É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, 'solamente', não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom e pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.”

5 comentários:

  1. Gente que lindo. Amei!
    Acredito que o amor realmente é a base de um casamento feliz e sólido e que se não tiver amor nada flui, nada anda, nada se constrói.
    Viva o amor....Rumo ao casamento huhuhuhuhuhuh
    Faltam 3 mese e 17 dias.....♥
    Beijos fuuuuui!

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  2. Amor é fundamental, mas a decisão de amar é mais importante que o sentimento em si. É mais importante que a paixão que nos deixa taquicárdicos e ofegantes. Nos momentos pré-casamento faceamos uma prévia do “casados para sempre”. Digo isto porque lidamos com situações que nos levam ao limite da razão. Que nos levam a alguns desentendimentos e à necessidade de tomar decisões assertivas que implicam em sacrificar o “eu” para dar lugar à paz.
    Custe o que custar não posso mais pensar só em mim mesma. Agora somos dois e cabe a ele a última palavra. A mim só resta aceitar, mesmo sem concordar algumas vezes. Essa é minha escolha calculada e a chamo de cumplicidade. É isto que define o matrimônio tanto quanto o amor. Amar é uma decisão diária, não um sentimento diário e a cumplicidade nos mostra até onde estamos dispostos a ir por amor ao outro. Não é possível amar sem ser cúmplice e não é possível ser cúmplice, por toda a vida, sem amar.
    Casamento é plano de Deus e Ele fez a mulher ajudadora e cúmplice do homem quando em Gênesis 2 fez Eva osso dos ossos e carne da carne de Adão. Então, ambos se tornaram uma só carne. Que seja essa a realidade de todos aqueles que tomam a decisão de se unir em busca do “felizes para sempre”.

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  3. Hummm lindo o texto.
    Amo o amor,agora casamento já é outra história...rs

    bjão

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  4. Quando seria tarde para falar de amor? Nunca. Ele é a força motriz da vida de qualquer ser humano. Não tem como não falar de amor se o "maior amor" sem pronunciar uma única palavra se entregou por "amor". "Como ovelha muda ele foi ao matadouro" (Is 53). Parece um tanto contraditório, mas o amor por si mesmo fala incansavelmente: Só preciso de um coração para habitar! você pode me receber?

    Elaine Elen

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  5. Uma reflexão é tanta sobre verdades mitos sonhos e contos de fada desencantados. Acredito no amor a dois ao mesmo passo que tenho medo. Sou tão apegada a sonhos românticos e vejo tanta realidade dura em contraste a isso, que recuo. Mas sabe essa questão do coração vagabundo que não cresce, super me identifico, passei a vida toda em busca de amor feito cão vagabundo de bar em bar caçando resto de petisco. Obviamente não lucrei muito, esse amor maduro consencioso de ambas as partes que aguenta feito Tock Balboa até o fim da luta. Sim, luta, pois a distância do amor e da luta é a mesma e é preciso lutar pra ficar pra manter essa é a única luta válida nessa história

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