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Vida parcelada

Esta semana foi imensamente corrida no trabalho e minha vida pessoal virou de ponta cabeça. Coisas que até dias atrás mereciam total dedicação, de repente tornaram-se secundárias. Meu foco mudou e fez com que acreditasse, com mais força do que nunca, que a vida não dá segunda chance pra ninguém, que não existe CTL Z na vida real que desfaça erros e corrija as más escolhas do caminho. Nós não temos contador. Não sabemos quando a vida irá terminar e agimos como se fossemos durar para sempre. Deixamos reconciliações para depois, achando que sempre teremos um “depois”. Adiamos oportunidades para amar, dançar na chuva, caminhar na praia, rir com um amigo, ir ao cinema, viver.
Já faz muito, muito tempo, eu assisti um documentário sobre o Vinicius de Moraes, e me lembro de alguém (quem?) dizer não ser capaz de imaginá-lo vivendo em nossa sociedade atual. Ele era poeta, ingênuo, cheio de bossa e ternura em sua alma, e a sociedade atual cheia de imperativos: compre, faça, tenha, corra, não combina com ele. Daí eu me pergunto: como é que a gente consegue viver dessa forma? Como a gente aceita que sujeitos indeterminados, determinem o que a gente deve ou não fazer? Como a gente aceita passar mais tempo fora de casa, ganhando dinheiro para manter o padrão de vida que nunca consegue desfrutar?Lembro de quando comprei minha geladeira. Foram 24 parcelas. Uma eternidade. Quando terminei o carnê, tive vontade de dar uma festa para comemorar minha conquista. Quando você compra algo parcelado, quer ter a chance de terminar de pagar e curtir a sensação de “enfim, é meu.” O que você andou comprando? Paixões, amores, casamentos, promessas, filhos, carreiras, estudos...? O que parcelou achando que teria tempo suficiente para comprar/pagar/curtir? Chega de deixar pra depois, chega de achar que vai sempre haver depois. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.” O contador não está a meu favor, não está a favor de ninguém.

A pauta do dia é ser feliz vivendo sem reservas, consciente de que tudo quanto fizer ou não, dará conta um dia. Quando não estiver mais aqui, não quero deixar um testamento com impostos. Quero que as pessoas falem sobre o quanto fui intensa, verdadeira, amei, sorri, brinquei, escrevi, dancei, chorei, enfim, V-I-V-I, este é meu patrimônio, minha vida. Não dá pra continuar deixando tudo para mais tarde, a vida é agora e não espera por ninguém!


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Comentários

  1. Linda divagação,Ana!Verdades ! beijos,chica

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  2. Caramba Amiga!!!!
    Transmissão total de pensamentos!..rs
    Estou nessa mesma vibe, pensando em como deixamos momentos importantes passarem, por coisas que jamais terão o mesmo valor....e como ficamos insatisfeitos e as vezes nos conformamos com tanta coisa errada.
    Lindo texto, como sempre
    Lov You!

    ResponderExcluir
  3. Na verdade somos mesmo assim, deixamos tantas coisas boas passarem diante de nós, e passam tão rápido... Seria tão bom se aproveitassemos cada instante com intensidade para termos o prazer ao lembrar um dia.
    Amei o texto, disse TUDO!
    Bj!

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  4. Show Ana! como sempre, interessante você falar sobre reconciliação, pois eu sinto como se estivesse colecionando pessoas que não falam comigo! rsrsrs mas não vou entrar neste assunto, parabéns pelos seus artigos!

    W.M.

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  5. Super atual!! Impressionante como as engrenagens da vida giram cada vez mais rápidas, nos forçando a correr e correr sem parar na intenção de que um dia conseguiremos alcançar a paz e relaxar. Só que esse momento não chega nunca, ficamos adoecidos de tanto correr, se preocupar, se estressar, ..., e acabamos mortos, frustrados ou invalidados, sem conseguir alcançar o tão esperado descanso, aquela tão planejada viagem, e por aí vai...
    Precisamos desacelerar ou vamos acabar como um coração fibrilando a um fio para o colapso!
    Ana, parabéns pelos belíssimos e reflexivos textos, nos encontramos por aí!
    Bjs

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