domingo, 30 de janeiro de 2011

Sem título mas com moral

Arnaldo e Lucrécia foram meus vizinhos durante o período que morei em Irajá. Lucrécia, uma argentina de pele morena e fisionomia comum, antipática e talvez um pouco mal humorada. Arnaldo, bem mais jovem que ela, talvez não tivesse nem 25 quando os conheci. Ele parecia um verdadeiro go go boy, enquanto ela ... bem, ela parecia uma mulher de 40 com muita sorte.
Era verão de 2008 e eu acordava sempre muito cedo, odiava conflitos por conta de fila para usar o banheiro. Sempre que saia do banho ficava na varanda do meu quarto lendo jornal, esperando que as meninas terminassem de se aprontar. Aproveitava e observava a rotina do casal que morava em frente ao meu sobrado. Todos os dias, Lucrécia retirava o jornal que pouco tempo antes o entregador havia arremessado em sua porta. Sempre impecável, parecia já acordar no salto e maquiada. Cerca de 20 minutos depois, imagino que tempo suficiente para tomar café e correr os olhos no jornal, ela saia novamente, desta vez acompanhada por Arnaldo que a levava até o portão e lhe beijava. Todos os dias sussurrava algo em seu ouvido, algo que fazia a mal humorada sorrir. Era a única hora que via Lucrécia sorrindo. Ela saia para trabalhar e ele voltava para casa. Nem no dia em que nos encontramos na fila do Prezunic, ela sorriu. Realmente a única hora em que eu via um esforço de simpatia por parte dela, era quando Arnaldo se despedia dela sussurrando algo em seu ouvido.
Lembro de uma noite que faltou energia em todo o bairro e todos os moradores da rua foram para suas varandas. O Luis Carlos ficou na garagem, com sua cadeirinha de praia, bebendo sua latinha de guaraná Antártica quando eles chegaram de carro. Arnaldo parou perto de nosso portão, todo simpático querendo saber se já haviam chamado a Light, se alguém sabia o motivo do apagão e blá blá blá. A mulher saiu do carro, cumprimentou o Luis com um “boa noite” mais seco que o do William Bonner, e entrou em casa. Muitas horas depois e ainda sem energia, nós estávamos na garagem, cogitando a possibilidade de dormir por ali mesmo, já que o calor na casa era insuportável, quando escutamos barulhos típicos de um casal em seu momento íntimo (nossa, como eu tive que escolher bem estas palavras...rs*). Pouco, mentira, foi muuuuiiito  tempo depois, começaram as risadas. Como aquela mulher ria alto!! Tão alto quanto gemia. A surpresa não foram os ruídos deles juntos, e sim as gargalhadas da mulher. Ninguém conseguia imaginar a cena dela sorrindo. Gargalhar em voz alta, então...
Fiquei uns dias sem ver o casal, tirei uns dias de folga em minha casa em São Gonçalo e quando retornei a minha rotina em Irajá, lembro que já não tinha mais a mesma impressão de antes sobre aquela mulher. Não voltamos a nos encontrar no supermercado, na verdade, semanas depois fui transferida para Nova Iguaçu e nunca mais voltei a vê-los, mas guardo até hoje a conclusão que cheguei sobre Lucrécia. Por que ela deveria sorrir para todo mundo, quando a maioria perguntava “o que será que ele viu nela”? Depois da noite das risadas em voz alta, eu entendia que seria mais seguro para ela ficar com cara de pitbull com fome e ninguém se aproximar deles, do que ela mostrar um sorriso pendurado de orelha a orelha divulgando que na casa dela, há fartura de alegria. Muitas mulheres poderiam querer experimentar o tempero da refeição ...
Qual é a moral desta história? Só faz propaganda quem quer anunciar a mercadoria, para venda ou serviço. Se você não está dispondo do seu produto, então é melhor não fazer comercial. Em alguns momentos a propaganda não é a alma do negócio, e sim, o sigilo!
___________________________
Obs.: Eu tenho problemas sérios para arrumar títulos para os meus textos, o Jonas é quem mais sofre com isso, pois sempre mando os textos da revista para diagramação sem eles. Amigo Jonas, juro que não é maldade, é bloqueio mesmo,rs*.

7 comentários:

  1. Oiii Ana!!!!
    Li e gostei!
    Uma boa semana!
    Bjos

    ResponderExcluir
  2. Menina, só você consegue dar o recado sério no meio de um texto tão bem humorado, kkkkk.
    Adorei a parte "ela... bem, ela parecia uma mulher de 40 com muita sorte" kkkkk 100 vezes!
    Ah, e pode deixar que não vou contar pra todo mundo que meu namorado é maravilhoso, lindo, charmoso, educado, tem pegada e ainda não nos conhecemos, tá? kkkk
    Bjs, nos vemos no Luau. Inté!!

    Mayra - Comunidade Deus é Fiel

    ResponderExcluir
  3. Oi, querida! Fiquei tão entretida lendo seu texto, que meu marido até se incomodou, perguntando o que de tão interessante eu estava lendo. Ficou muito bem humorado. Amei! Te linkei no meu blog. Bjinhos!
    http://pspparajesus.zip.net/

    ResponderExcluir
  4. kkkkkkkkkkkkkk.... muito bom.... gostei.... mas vai aproveitando para colocar um título neste texto também! rssss

    ResponderExcluir
  5. Adorei o texto. Eu tinha esse péssimo hábito de tudo comentar, tudo querer compartilhar. Quando notei que nem todos eram amigos para ficarem felizes comigo e após alguns tropeços, desisti das propagandas.kkkk Agora voltei a ser o pit bull com dor de dente. Bjs minha linda.

    ResponderExcluir
  6. Adorei o texto. Eu tinha esse péssimo hábito de tudo comentar, tudo querer compartilhar. Quando notei que nem todos eram amigos para ficarem felizes comigo e após alguns tropeços, desisti das propagandas.kkkk Agora voltei a ser o pit bull com dor de dente. Bjs minha linda.

    ResponderExcluir
  7. É uma grande verdade Aninha! Adorei o texto.

    ResponderExcluir