sábado, 2 de outubro de 2010

A chave

Foto retirada do We♥It
2º Lugar -  30ª Edição Palavras Mil
Ela olhava fixamente para aquele objeto e procura encontrar, naquele minúsculo pedaço de metal, algumas de suas respostas.
- É só uma chave, Amèlie. Só uma chave idiota.
Objetos são apenas objetos, mas alguns deixam sua ocupação original para transformarem-se em uma espécie de totem e, para Amèlie, a chave era a representação de todos os planos que fizera ao lado de Lorenzo.
 Ao tocar na peça fria de metal, imaginava como seria bom se a promessa continuasse verdadeira, como seria feliz se todos os jogos, transformações e medos tivessem feito parte de um triste filme francês. Queria ouvi-lo novamente chamando seu nome com carinho, sua risada ao pé do ouvido, seus braços envolvendo sua insegurança com firmeza. Queria que a chave marcasse o recomeço, a volta de todos os sonhos, de todas as noites sem frio e solidão, mas quis o destino que a chave marcasse o engano, o adeus, o tropeço de dois corações que se perderam.
Era momento de dizer adeus às lembranças, ao lugar abrigara sua felicidade por tanto tempo. Hora de fechar a porta atrás de si e construir seu novo caminho. Encontrar maneiras de curar as feridas do abandono repentino de seu amor. Decidiu deixar junto com a chave, um último bilhete, debaixo da porta:
“Meus sentidos, sorrisos, erros e acertos, jamais serão os mesmos se você não estiver comigo e, por favor, importe-se com isso.”
____________________________________________________
Texto para 30º Edição do Palavras Mil.

3 comentários:

  1. Olá
    Que história bem escrita e envolvente. Conseguiste dar sentido a chave e o final fechastes com ela divinamente.

    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigada pelo seu carinho em ter vindo compartilhar este momento comigo. a Chave do nosso coração guarda os segredos que somente ele sabe. Um grande abraço, amiga. a interação de Amigos agradece a sua vinda.
    sandra

    ResponderExcluir
  3. Seu texto tbém, ficou muito legal. As lembranças são as nossas verdadeiras recordações.
    Carinhosamente,
    Sandra

    ResponderExcluir