quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tempo de saudade

O tempo continua passando e me parece que já cansei muito antes do esperado, pois nada é surpresa pra mim. É que já tive tantas surpresas, sabe... nem a surpresa é surpresa, a meu ver.

Como se pudesse ver! Pois no mundo dos loucos, não fui insubstituível, não fui diferente, não fui falso e muito menos amargo. A única pessoa que traí foi a mim mesmo. Quando abria os olhos, via o outro, e dentro da minha limitação, imaginava que esse outro me compreendia como um ser humano; quando fechava os olhos, meu mundo imaginário vinha me confundir.

O mais lúgubre desse mundo é sentir a essência da beleza indo embora a cada ano, a alegria se resumindo a poucos momentos, ver todos sendo guiados pela ignorância, como se fossem ficando cada vez mais cegos. Anos que insistem em apagar de nós aquilo que conquistamos de bom, aquilo que sentimos ser do bem. Ficar eufórico na simplicidade da vida vai ficando cada vez mais raro.

Logo, como de prache, as pessoas começaram a desaparecer. Algumas, aqui e ali, ficaram por um bom tempo, e outras vieram só de passagem. E sendo eu o primeiro a desaparecer, fui em busca do reencontro.

Quem dera eu pudesse acordar, aonde eu tivesse todas as respostas para aqueles a quem meus olhos não se cansam ver! Quem dera pudesse viver, aonde pudéssemos exprimir o maior dos mais nobres sentimentos sem nenhum receio e só viver de beleza, pura beleza!

Enquanto o tempo passa, a gente muda. Ou não! Enquanto o tempo passa, a gente lembra, sente, chora e sorri, ganha e perde, e vê o quanto vai ficando para trás, o quanto foi embora de nós. A gente vive e deixa viver, cada um seguindo seu caminho, mesmo que seja longe dos nossos olhos.

E quem disse que isso seria algum tipo de lamúria? Reflito apenas em memórias que trouxe sensações que a mim são tão familiares! Lembranças do bem que há em cada um. É como criar algo... e gostar.

Por muita imaginação, memórias, sonhos e vida real, foi que me lembrei! Então guardei em um lugar longe de todos, tudo o que um dia me enriqueceu. Uma boa parte de tudo já não existe. Mas já existiu. E de muito, vou sentir saudade.

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Hoje estou especialmente introspectiva. Culpa do dia cinzento ou da saudade que bateu ponto ao olhar o calendário? Ainda sem saber ao certo, relendo este texto (autoria de Daniela Araújo) que Elaine me mandou semana passada, me reencontrei em algumas linhas.
Quem sabe mais tarde consiga postar algo interessante sobre a viagem maravilhosa a Rio das Ostras, mas por enquanto, é o que se tem pra hoje!

Um comentário:

  1. Uau! Mais introspectiva? Impossível! Não tem quem lê essas linhas e não se remete a algum(uns) momento(s) que lhe passaram na vida e que lhe deixaram boas (ou más) lembranças. Quanto a mim, lembrei-me do momento em que garoto era, que descalço corria, num chuvoso dia da amada Luanda, capital de Angola. Parabéns escritora por nos dares o prazer de querer (amar mesmo) viver.

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