sábado, 3 de julho de 2010

A falta que faz...

Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante”
(Carlos Drummond de Andrade)

Pior que a saudade de lembrar de alguém, de algo que fez parte da sua vida, é saudade do futuro. Leoni tem uma música que diz assim: “o que me dá raiva são as flores e os dias de sol, são os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós...” Eu entendo que essa é a saudade da expectativa, do que foi planejado, sonhado e não vivido.
"E saudade do que não foi vivido existe?" Claro! Nós brasileiros estamos experimentando o sabor amargo da saudade do hexa. Quem sabe em 2014 esse amargo vira doce, mas até lá, vamos curtindo a saudade da vitória que não aconteceu.
Sinto saudade do que ainda não conheço, do que não vivi, do que tenho expectativa de viver. É como se eu estivesse conectada a diretamente com um futuro que pode não acontecer. Estranho, real e verdadeiro.
Nem toda saudade é ruim. Nem toda saudade é boa. Alguns momentos me sinto como Jó O meu espírito vai se consumindo, os meus dias vão se apagando...(Jó 17:1a)” e em outros eu tenho a mesma fé que Abraão quando creu contra a esperança, mas confesso que administrar isso nem sempre é fácil.

Hoje não está assim tão fácil ... e só por isso, fico por aqui mesmo (porque ninguém merece a Ana com saudades, né? Ainda mais saudades do que não viveu!).

Um comentário:

  1. E a pior saudade que existe!
    Saudade do que ainda não viveu!
    Dói muito, muito, muito mas muito mesmo!
    Mas uma hora passa, passa e você cria outra expectativa, outro sonho e então vira saudade do sonho que se teve, saudade dos planos que fizeram...
    Belo texto, Ana, mas estou sentindo um grande traço de melancolia nele.Nada de se abater, viu?
    Sua alegria nos textos é contagiante!!

    Abraço.

    Amelia Mattoso

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