domingo, 28 de março de 2010

Pra não dizer que não falei das flores (Nadine)

Demorou-se no banho. Abusou do poder tranquilizante da água morna. Queria estar relaxada. Escolheu calmamente a roupa que iria usar. Um vestido vinho de Jersey, mangas 7/8 para o fim de tarde outonal. Maquiagem leve, olhos em destaque. Colar de prata. Bolsa marfim e saltos em tom parecido. Perfume suave, apropriado para ocasião. Taxista avisa por interfone que já está a sua espera. Respira fundo, pega as chaves de casa e confere se está tudo na bolsa – agenda, celular, documentos, ipod, “Céu de Origamis,” para ler enquanto espera.

O caminho até o aeroporto nunca pareceu tão distante. Para tentar não  demonstrar ansiedade resolve ouvir música, a canção que começa é exatamente a que escolheram para ser de seus encontros e pensamentos. O coração que antes estava disparado, por um momento se acalma. E realmente é necessário, pois descobre ao chegar ao aeroporto que todos os vôos internacionais atrasaram. Senta-se na cafeteria e tenta se concentrar na leitura. Em vão pois, seu pensamento vai até a noite que se conheceram. As palavras que trocaram, a vontade de que as horas parassem e pudessem conversar cada vez mais, conhecer mais daquele que estava pronto para mudar a sua vida por ela, e ela escrever sua história ao lado dele. Vidas que se encontraram, não por destino, mas porque entenderam que não haveria felicidade distante. Lembra do perfume de Luca dominando o ambiente, de seu olhar sério e ao mesmo tempo distraído  Conclui que  o médico português é mais do que sua imagem tenta mostrar. De maneira alguma pode limitá-lo como cético e altivo (muitos poderiam descrever Dr. Luca Arruda como alguém assim, mas ela enxerga além das aparências e repetições de sua profissão). É um homem sonhador e de humor refinado. Entusiasta e galanteador, jamais um conquistador barato. Enquanto as lembranças deixam em seu rosto um sorriso, ensaia novas palavras, novos gestos para o tão esperado abraço.

Pouco mais de uma hora se passa e anunciam que o vôo vindo de Lisboa está pousando. Retoca o batom malva e confere se o olhar não denuncia o cansaço, não quer parecer aborrecida por esperar, afinal de contas, o que são 70 minutos para quem esperou toda uma vida longe de um grande amor?

Pode avistá-lo, camisa preta, calça índigo, sorriso largo e uma rosa nas mãos. Uma. Como prometeu, lhe daria uma rosa cada vez que se encontrassem, pelo resto de seus dias. Esta seria a primeira de tantas... À medida que se aproximava, o coração parecia querer dominar o resto do corpo, já não batia mais, tinha certeza que era possível perceber que saltava do corpo. A mulher que estava a sua frente era com certeza, tudo o que sempre desejou. Estava exatamente como havia imaginado tantas vezes. Seu sorriso estava entre a alegria e euforia do encontro e emoção do tão sonhado beijo.

Assim como na tantas vezes repetido junto com a canção “pois cedo ou tarde toda espera tem seu fim”, a espera dos amantes, dos amores, dos amigos, das vidas que se completam, estava chegando ao fim. Mãos que se tocam, se entrelaçam, se reconhecem ... Abraço demorado, sentem como se enfim, estivessem encontrando alento para suas almas cansadas. Olhos fitando lábios, mão segurando firme sua nuca, o beijo parece inevitável, mas ele resolve sussurrar:

- Minha espera acabou. Você, não é apenas apaixonante, não é somente especial... Eu para sempre seu, você para sempre minha!

E enfim o beijo. Mais que um beijo de encontro, mais que o primeiro entre homem e mulher. Era o beijo que selava, definitivamente, a mais bela, intensa e completa história de amor já escrita, não porque havia algo de mágico ou surreal entre Nadine e Luca, mas por ser enfim, a única e verdadeira história de amor contada por eles e testemunhada por esta escritora em construção.

3 comentários:

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  2. Essa história é linda! Que bom que é real e outra quero que minha história de amor, seja tão linda e tão bem escrita assim.

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  3. ai que lindo Meu Deus... ah ainda vou viver uma história assim!!! estou emocionada!!!

    Ass: Susana

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