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Historinha para dormir e algo mais

Meu corpo insiste que eu devo ficar na cama e me limitar a descansar, mas como se eu sinto uma vontade enorme de escrever? Esta arte de ir a qualquer lugar, com qualquer pessoa, divagando sobre nada e sobre as mais nobres teorias existenciais, me dominou, me conquistou, na primeira linha que escrevi. E isso já faz tanto tempo, que já não me lembro há quanto tempo virei refém das letras.

Eu sempre soube que gosto mais de ler que escrever. Acredito que lendo apreendo, concordo (ou não), (re)conheço, anoto para nunca mais esquecer e passados cinco minutos já me perdi. Quando escrevo, sou eu, não finjo, não me isento, compartilho o que aprendi, contrario as vontades alheias, (des)agrado, condeno e absolvo, lembro e esqueço no mesmo instante. Talvez quem apareça aqui pela primeira vez encontre uma Ana Lúcia que já não existirá na segunda visita. Às vezes, não tenho tanto para acrescentar, posso apenas desabafar, criar uma maneira pública de não esquecer, ou de esquecer. Na maioria das vezes, eu tenho idéias impublicáveis. Mas fico pensando, pensando, pensando e acabo não dizendo o que realmente estava pensando. Um exemplo? Hoje desejei ser homem, não crente e mal educado. Tudo isso para dizer meia dúzia de palavrões para um velho babão que quase me atropelou no ponto de ônibus. Os mais pudicos poderão dizer que eu errei tanto quanto ele, mas na boa – as favas com os falsos pudores! Eu queria era aquele velho perdendo a dentadura em minhas mãos. Mas, o que aconteceu na verdade foi eu chorar, chorar e chorar (feito uma mulherzinha/bichinha) com um motorista (prestou serviço para empresa que trabalho), que apareceu justamente na hora do meu estresse (às 6h da manhã!!!), que surgiu com uma palavra branda, sensata e pronto para dizer que eu deveria ser superior aquela situação. (afff, ser contrariada era necessário, mas fiquei com raiva de não ter dito para aquele velho, pelo menos, que ele é um trouxa!)

Surpreendentemente isso não me aflige (me expor através das letras, para quem se perdeu). Decidi começar a série “Contando Mulheres”, irei começar pelos contos que já moraram tanto tempo no HD do meu computador, que já está na hora de ganharem nova perspectiva no mundo virtual.

Já está tarde e eu preciso me recuperar deste dia, do velho-babão-mal-educado, e de uma ingrata estomatite associada a uma indesejável gastrite.

Ah, tem mais! Começarei os contos por "Janice".  Não se esqueça de opinar! Ajude a construir esta e tantas outras histórias que ainda moram no meu PsicoHD particular.

Comentários

  1. Você é demais menina! Tb tenho alguns pensamentos impublicáveis, as vezes escrevo no meu diário esses pensamentos, ali tá mais seguro é a primeira vez que tenho um e é bom fazer uso dele. Outro dia tive esse mesmo ímpeto de levantar da cama, claro nõa estava doente, mas quase dormindo e fui escrever, precisava. Idéias surgem como borboletas raras, passam paenas uma vez pela gente e temos de aproveitá-las.
    Continue assim, mesmo sem incentivo eu sei que vai continuar mesmo. Vou ler o conto e te digo o que achei.
    beijo linda

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