quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A essência de cada um de nós



Para ler ao som de Lenine, Simples Assim

 
Vem cá, vamos conversar?
Quantas vezes você pensou em desistir e depois desistiu dessa ideia? Quantas vezes você olhou para a sua vida e teve a impressão de que se perdeu pelo caminho? Se nunca lhe ocorreu, tenho que dizer que somos muito diferentes, pois comigo foram incontáveis as vezes que joguei tudo para o alto e no dia seguinte eu estava lá, no mesmo lugar fazendo as mesmas coisas que me traziam infelicidade, ou apenas um desgosto profundo. Com o tempo a gente vai aprendendo que nem toda mudança é repentina, nem toda virada de mesa acontece no tempo que a gente quer. Grandes mudanças são construídas diariamente, com paciência e, em alguns casos, com muita frieza.
Há alguns dias retomei contato com dois grandes amigos de infância. É maravilhoso perceber que a essência da gente foi preservada, ainda que tenhamos enfrentado alguns dos piores perrengues da vida adulta. É interessante perceber que a distância pode sim afastar algumas pessoas, mas ela não apaga a liberdade que existe em ser verdadeiro, em poder se mostrar como realmente é, e não como a sociedade espera que você seja.
Durante um longo tempo achei que as mudanças que almejava não seriam possíveis, mas eu apenas olhava para o lado errado da estrada. Assim como o fio branco persistente (e inconveniente) que insiste em tentar estragar a uniformidade castanha dos meus cabelos, a mudança está sendo construída de modo a me mostrar que o tempo está passando e não sou mais uma menina. Se antes eu me desesperava com a ideia de ter perdido alguma coisa, por não ter percebido o tempo passar, hoje eu fico feliz em ter me conscientizado de que PASSOU. A estrada não acabou e talvez seja por isso que meus passos estejam estranhamente calmos.
Ao contrário do que eu havia me acostumado a ser, estou olhando com mais tranquilidade para tudo o que fiz e quem era. Estou aprendendo a ser menos cruel comigo e a ser grata por quem estou me tornando. Estar próxima a pessoas que me conheceram tão bem e estiveram em minha vida por tanto tempo tem me dado um certo conforto, uma espécie de tranquilidade ao perceber que, mesmo em meio a tantas transformações, um lado sempre permanece intacto, preservado. O que fica é a essência de quem realmente somos. É a partir dela que traçamos qualquer meta, que mudamos o que não combina com ela e nos perdoamos por erros cometidos.

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