Dois mil e todo...


Que 2012 seja tudo o que precisamos e muito mais do que esperamos!
Feliz ano todo!
“Faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.” Ed René Kivitz

Homens de uma certa idade

“Batidas na porta da frente. É o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumento, mas fico sem jeito calado, ele ri. Ele zomba do quanto eu chorei, porque sabe passar e eu não sei.” Resposta ao tempo – Nana Caymmi



Nós mulheres insistimos em brigar com o tempo em disputar com ele. Cremes, plásticas, fontes milagrosas da juventude, até certa falsa imaturidade pra jovializar o seu verdadeiro tempo. Sofremos, choramos por cada ruga conquistada com lágrimas e sorrisos. Reclamamos da pele que curtiu um belo por do sol, ignoramos a lei da gravidade quando não nos incomoda e depois a amaldiçoamos quando somos atingidas por ela. Tudo o que nos levou a ser carregada pelo tempo, foi a vida, bem vivida e não deveríamos nos importar com a idade que ele nos impõe. Mas os homens... Ah os homens eles não ligam e são abençoados pelo tempo! E o que há entre os homens e o tempo? Porque muitos deles nos causam inveja e são motivos de tortura. Lindos quando jovens, e um poço de charme exalando por todos os poros independente das rugas que os acompanhem. Que espécie de trato é esse que dá corpo, suavidade, beleza e cor a maturidade de um homem? Já fui muito criticada por me encantar por homens mais velhos, mas é a experiência, o olhar maturado, o sorriso dado na hora certa, a firmeza de opiniões, o saber e dominar sua melhor essência, mostrando-a pacientemente. É a qualidade em detrimento da quantidade, é a básica diferença entre degustação e um porre. Bom, fico por aqui, afinal são apenas divagações de uma eterna fã e apreciadora de homens de certa idade.

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#sópraquementende

Sobre a gente ficar junto

A gente ficou junto e pronto. Não havia plural, mas os abraços, o companheirismo e as risadas noite a fora eram nossa realidade. A gente entendia celular desligado e mãos dadas. Eu sorria toda vez que você dedilhava uma canção do Van Hallen, e você me achava sua melhor plateia. Sem intenções veladas, só sonhos que ninguém tinha coragem de contar. Eu estava ali, por completo - crítica e mal humorada, e você com o sorriso mais encantador das manhãs. Perdi as contas de quantas vezes me equilibrei nos reencontros, nas despedidas e  principalmente nos embates irritantes com quem sempre soube como conduzir meu temperamento difícil.

A gente sempre ficou junto. Sempre. Mesmo longe, quando você foi viver sua aventura na Califórnia. Você sempre entendeu meus olhares, enquanto eu aprendia o teu silencio. Eu nunca tomei jeito... Está tudo tão bom como está, e eu sei que poderia ser diferente. Sou patética, não sei lidar com essas voltas que a vida dá. Mas, e daí? Há de ser uma crise dessas internas, quando o sentido de tudo vai embora no primeiro avião para Bali. Deve ser instinto, algo maior que eu, maior que meu entendimento, maior que minha fixação por Neruda e Machado.

E a gente vai ficar junto, mesmo que seja durante essa música. E nem venha me dizer que ela não faz sentido. Sempre fez. Fazia sentido anos atrás e fará até que inventem outra história melhor que essa. Não vou começar a velha-ladainha-de-sempre de que você deveria ter tentado me dizer uma vez mais; de que daria certo, de que seriamos só nós dois no verão americano. Sei que você tentou me dizer e a voz falhou no refrão. Sei, mas nessa última dança, quero fechar os olhos mais uma vez e imaginar que a música tem mais que 4 minutos, que a rua está vazia e que a gente vai ficar junto, como sempre e para sempre.


Minha humanidade

“(...)Sou tão humana, Meu Deus! E no processo de lapidação, joguei fora algumas das minhas arestas, que talvez fossem o que eu tinha de mais valioso. Sou apenas alguém que escreve, que oscila, que anseia, que sofre, que ama, que acorda de madrugada pra pensar e tem inveja dos que dormem tão profundamente àquela hora. Não tenho nada que outra pessoa não possa desenvolver também. Não há limite que eu não possa superar. E se você me encontrar por aí, ou por aqui dizendo coisas e mais coisas, duvide de mim também. Sou apenas mais um na multidão que, enquanto caminha, vai deixando pra trás certezas, adereços, endereços...”
Marla de Queiroz

Não sou boa em esquecer

Perdi as contas de quantas vezes peguei o telefone e disquei seu número sem completar a ligação... Tive vontade de saber como está a vida, como estão os negócios, se fez as pazes com o amigo que se zangou e foi embora, mas faltou coragem. Esqueci de contar: estou a caminho. A vida planejou e esqueceu de me preparar. Sempre imaginei que este encontro seria detalhadamente sincronizado com nossos desejos e interesses.  Nem adianta argumentar, a ironia da vida supera qualquer tentativa de me impedir de chegar em algumas horas. As placas insistem em exibir a minha inquietação. Faz frio em mim...

A imagem do seu quarto minuciosamente organizado me veio a mente. As conversas despretensiosas, a bateria que insistia em acabar, a voz sonolenta e educada pela manhã, a plantação de eucalipto que nunca vi. Perdi o foco e o tempo correu. Não li mais do que dois parágrafos do livro que trouxe agarrado entre as mãos. Criar diálogos para nosso encontro e ensaiar sorrisos comedidos me ocupou durante as longas horas até aqui.

Amanheceu e não tenho coragem de sair do hotel. Não quero correr o risco atravessar a rua e lhe encontrar tomando café na padaria da esquina, cumprimentando a todos com seu jeito popular, quase político de tratar as pessoas. Eu preciso dizer tantas coisas, mas não pode ser desse jeito. Somos pessoas diferentes. Todos nós. O casal apaixonado nem de longe lembra o casal que se desfez, e eles não se parecem com as pessoas que nos tornamos. Fizemos tudo um pelo outro. Fizemos. Estamos completamente sarados de nossas mágoas. Vou prender a respiração quando lhe encontrar. Não quero inspirar seu cheiro, seu perfume caro e loção pós-barba. Juro que dessa vez estamos refeitos, imunes. Nossas peles não possuem mais memória. O coração não vai disparar quando você pronunciar meu nome.

Vou despejar tudo de olhos fechados, pra não ver seus olhar penetrante. Ouvir todas as suas histórias com pupilas curiosas e ouvidos atentos, e toda vez que lembrar dos beijos que não existem mais, vou pensar nas contas que irão vencer dia 10. E quando você perguntar se sinto sua falta, serei enfática: negarei. Com a boca, direi não. Com o corpo treinado durante a viagem, direi não.  Agora não dá mais, perecemos.

Mas você me conhece melhor do que qualquer pessoa... Fez meu manual de instruções, entende meus pensamentos e olhares... Desço as escadas, e encontro você próximo á porta do saguão. Jeans, camisa pólo e braços abertos. Enquanto me aproximo, seu sorriso provoca uma grande amnésia e tudo muda de figura... Mais uma vez...


TEXTO FICTÍCIO escrito depois de semanas sem rascunhar histórias, uma canção me inspirou: Back to you, John Mayer

Duas e dez ou oito e meia



Para ler ao som de Cartola




Treinei meus olhos para encontrar beleza no que é simples e alegria no cotidiano. Falo bastante, o volume da minha risada é alto, abraço as pessoas. Minha gramática é limitada. Conheço a geografia que me interessa e só consigo completar operações matemáticas com calculadora. É irritante sofrer de insônia, ainda que não seja com freqüência. Não é que eu tenha problemas com sono, ele me ama. Aliás, me ama ardentemente, principalmente durante o dia, depois de a insônia ter me feito juras de amor a noite. E é um saco. Coleciono receitas de remedinhos para dormir, me recuso a comprá-los. Até tenho uma caixinha na gaveta do criado-mudo, mas ela completou seu terceiro aniversário e em fevereiro irá partir desta para melhor. Se a semana está muito mais difícil que o de costume, apelo para metade de um comprimido e começo a chamar os carneirinhos por ordem alfabética. Mas o leitor desse blog não tem nada a ver com o que eu tomo ou deixo de tomar; se eu estou dormindo bem ou passando as noites em baladas... O leitor quer ler, e pronto. E tem lido pouco. Não tenho conseguido me dedicar com o devido respeito às palavras para este blog. Posso culpar a falta de tempo, o excesso de inspiração e cuidado para não expor o que é particular... Posso arrumar inúmeras desculpas, mas a verdade é que eu continuo a mesma pessoa, mas com algumas palavras guardadinhas (na mente e no note), e que logo virão pra cá. É só uma questão de tempo... E não importa se são duas e dez ou oito e meia, meu mundo continua em constante construção...

Quero ser...

Já perdi as contas de quantas vezes eu assisti o filme "Quero ser grande", mas enfim entendi o porque gosto tanto dele: quem não gostaria de ter a chance de dar um pulinho na vida adulta, experimentar o lado bom, conhecer o ruim dela e ter a chance de voltar a ser criança, para quando estiver "valendo" saber quais caminhos seguir?


Ainda aqui?

Jeans envelhecido no contorno do corpo é perfeito. Vinho esquecido no fundo da adega vale mais quando redescoberto. Com o passar do tempo algumas coisas vão ficando melhores, outras não. Alguns anos nos deixam saudades, outros cansam tanto que você fica ansioso por trocar o calendário. Esse ano está assim: se arrastando, cansando os olhos de quem enxerga páginas que ainda serão viradas. A expectativa por um ano melhor já chegou, tomou café comigo hoje pela manhã. Já fiz meu habitual balanço de fim de ano... Dos acertos terei a experiência, dos erros nenhum arrependimento – ou deveria ser o contrário? Não carrego nenhuma culpa ou arrependimento deste ano. Tive coragem. Assumi os riscos e não poupei aprendizados, risadas, lágrimas, partidas e chegadas. Não economizei emoções, fui intensa do início ao fim. Experimentei novas cores, novos sabores, novos sons. Encontrei novos significados para palavras esquecidas em meu limitado vocabulário.
Que venha logo esse tal de 2012, pois estou inflamada de desejo em fazer diferente, em viver de outra forma, de mudar pra valer o não está legal ... Essa ansiedade de concretizar todos os planos que ficaram pelo caminho de 2011 brinca de amarelinha com meu sono. Meu pensamento foi lá em 2012 e voltou me enchendo de esperanças, me contou vai ser melhor, que vamos ser mais felizes e teremos mais saúde e menos contas no vermelho. Porque no fim das contas a gente quer que esse ano acabe logo, pra quem sabe sentir saudade dele...

100 seguidores!


100 seguidores!
É surpreendente e maravilhoso saber que existem 100 pessoas oficialmente interessadas nas coisas que escrevo. Obrigada! É pouco, eu sei, mas neste momento é tão significativo... 100 vezes obrigada!
 

Do que a gente não precisa entender

É inútil tentar entender o motivo de certas provações. Dores, perdas, desilusões, “nãos”, portas que não se abrem, doenças, mudanças que nunca acontecem. Não preciso entender, preciso suportar, avançar, ir além do que meus olhos podem vislumbrar. Tenho que confiar que o propósito maior existe, e que talvez eu jamais saiba qual é, mas aquele que me criou, me forja no fogo, na provação, me aprova quando eu resisto e não quando eu desisto. Fácil? Nunca foi e nunca será, aliás, não creio num evangelho de facilidades. O Cristo que conheço jamais pregou isso, pelo contrário, me alertou que eu teria aflições, pediu apenas que eu tivesse bom ânimo para passar por isso tudo. 

A sombra da morte entristeceu e abateu familiares e amigos mais uma vez. É preciso crer que o cajado do Bom Pastor irá consolar cada coração, confiar ainda que haja dor.

Dentro de mim


Fim de semana de habitação interna. Não acredito que seja pela enxaqueca, mas pude usá-la como desculpa  para dormir horas seguidas. Não estou triste por morar dentro dentro de mim, eu que sempre morei do lado de fora - com gargalhadas e alegrias, também encontro sorrisos por aqui, mas trata-se de algo exclusivo e particular. Estou vivendo meus momentos amplamente quieta, para conseguir organizar e desarrumar pensamentos, desejos, medos e vontades. E agora, quando as palavras buscam novos significados, percebo que não é possível acelerar o processo de entendimento ou de sanidade. Então me aquieto, encontro conforto na música de Ella Fitzgerald e fecho os olhos para reviver e recriar o que me fez mudar de endereço...

Num dia daqueles...

... Em que eu vou ao limite de todas as emoções, do céu ao inferno num piscar de olhos, da calmaria a exaustão numa fração de segundos. Mas não dá pra ser diferente, não consigo! Em dias como hoje, não sossego enquanto não esgoto todas as possibilidades, as oportunidades, todas as lágrimas e alegrias das 24 horas a que tenho direito. Porque não importa se sentei e chorei no meio fio (SIM), se fui confortada por uma amiga chocólatra, ou se experimentei o gosto da cumplicidade, o que importa é que num dia desses, eu posso fechar os olhos antes de dormir e sonhar, para reviver todos os momentos que fizeram com que o tom cinza do ordinário e rotineiro, tomasse emprestado outras matizes, outras nuances. Mas o dia está acabando... Sendo assim, boa noite e boas vindas ao fim de semana!
Ah, e quanto amanhã? O amanhã que se resolva!

Dos vivos

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.” Cora Coralina
Sem querer polemizar ou criar caso com quem pensa diferente, mas hoje não foi feriado de finados pra mim. Foi feriado sim, mas dos vivos. Dia em que me dediquei a agradecer a Deus pela minha vida e pela vida daqueles que são preciosos pra mim. Dia para rir, reencontrar, viver a afinidade de boas amizades. Dia de mexer nas memórias e também criar novas lembranças... Dia de viver o extraordinário num dia ordinário, como ontem e espero que seja como amanhã, sendo assim: feliz vida pra você!

Sobre o princípio da inocência presumida

Me dei conta de que insisto em  acreditar nas pessoas. Acredito até provarem que não são mais dignas de minha confiança. Apesar de pensar assim, não fico esperando o momento em que elas irão me decepcionar,  afinal de contas, não existe confiança pela metade.  Confio,  acredito, defendo e se me decepcionar, procuro perdoar a pessoa e então me afastar dela. Fico descrente por um período, achando que ninguém presta, mas depois volto a acreditar na suprema criação de Deus.  Será que foi por influência do Direito, e seu principio da inocência presumida, ou porque realmente não existe outro jeito de criar laços?
O princípio da inocência presumida está na Constituição Federal de 88, no artigo 5º (em minha opinião, um dos mais belos de nossa legislação): Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

29/10 - Dia Nacional do Livro

"Os prazeres da leitura são múltiplos. Lemos para saber, para compreender, para refletir. Lemos também pela beleza da linguagem, para nossa emoção, para nossa perturbação. Lemos para compartilhar. Lemos para sonhar e para aprender a sonhar (há várias maneiras de sonhar…). A melhor maneira de começar a sonhar é por meio dos livros…”
José Martins em A Arte de Ler

Ela e o tempo

Ao som de Resposta ao tempo







Não pense que você irá acordar e sentir como se da noite para o dia tivesse deixado o peso da mágoa e das expectativas frustradas, não será assim. O processo até esquecer você já conhece, é totalmente diferente de não querer lembrar e exige dedicação. Mas é preciso, a vida precisa seguir seu curso natural, assim como o rio e o mar. Não se apavore, nem se adiante... O calendário não irá marcar o dia exato em que você se livrou das amarras de um coração partido, como faz com as consultas ao dentista. Mas este dia irá chegar, acredite! Você irá cumprir toda a sua rotina diária, tomar seu café ralo, reclamar da chuva, espirrar meia dúzia de vezes ao encontrar o Tobi na varanda e quem sabe até rir um pouco. Não se dará conta que a dor foi embora, que não existe mais a lembrança insistente da felicidade possível. Acabou. O que te acorrentava ao passado não existe mais. Não foi mágica, nem mandinga. O que você fez para que isso acontecesse? Nada. Foi o tempo quem fez!
 
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